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Saiba quem foi Alexei Navalny, opositor de Putin morto na Sibéria

Causa da morte ainda não está clara; ativista deixa esposa e dois filhos

Saiba quem foi Alexei Navalny, opositor de Putin morto na Sibéria
Governo alemão diz que Alexei Navalny, opositor de Putin, foi envenenado
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Aos 47 anos, Alexei Navalny, o principal crítico e líder de oposição do governo russo de Vladimir Putin, morreu nesta sexta-feira (16) em uma prisão de segurança máxima na Sibéria, em uma região remota e de difícil acesso. Navalny cumpria uma pena de 19 anos de prisão por fraude, desacato ao tribunal e extremismo político.

O comunicado, feito pelo Serviço Penitenciário Federal, informou que na ocasião o opositor “perdeu a consciência quase imediatamente" após uma caminhada. Acrescentou que uma equipe médica de emergência foi chamada para tentar ressuscitá-lo, mas não teve sucesso. A causa da morte ainda não está clara.

Navalny foi transferido para o presídio em dezembro de 2023. Trata-se de uma colônia de regime especial, onde as temperaturas podem chegar a -40°C no inverno. A localização, de difícil acesso, fez com que Navalny recebesse poucas visitas de familiares e amigos. Na cela em que vivia, não é possível ver o céu. Ele deixa esposa e dois filhos.

Quem foi Alexei Navalny

Natural de Moscou, Alexei Navalny cursou a universidade RUDN da Rússia, onde se formou em Direito, e posteriormente, em Economia. A notoriedade dele surgiu ao expor em seus blogs e posts casos de corrupção de empresas estatais, como foi o caso da gigante de energia do país e maior exportadora de gás natural do mundo, Gazprom, e de uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, a Rosneft.

Fundador de projetos anticorrupção que investigavam gastos de políticos e empresas estatais, Navalny participou de protestos em 2011 motivados por relatos de fraude generalizada nas eleições parlamentares da Rússia. Na ocasião, ele foi detido pela primeira vez durante 15 dias ao “desafiar um funcionário do governo”. Em 2018, ele lançou candidatura para a presidência da Rússia, mas foi barrado por condenações anteriores.

Suspeita de envenenamento

Navalny passou mal durante um voo da Sibéria para Moscou em agosto de 2020 e foi diagnosticado com "dermatite de contato". No entanto, ele disse que nunca havia apresentado reação alérgica, o que indicou a possibilidade de envenenamento, confirmada posteriormente pelo governo alemão, que acredita que o manifestante teve contato com uma substância conhecida como Novichok.

Com o ocorrido, ele declarou: "Por mais que ele [Putin] finja ser um grande geopolítico, ele entrará para a história como um envenenador. Houve Alexandre, o Libertador, Yaroslav, o Sábio, e Putin, o ‘Envenenador de Cuecas’", onde ele acredita ter sido inserida a suposta substância. O governo negou todas as acusações, e Putin declarou que se o Estado quisesse matá-lo, teria “terminado o trabalho”.

Para o Kremlin, Navalny possuía algum envolvimento com a CIA e tinha como objetivo derrubar as autoridades e transformar a capital russa numa dependente dos Estados Unidos. Já para o Ocidente, ele era visto como uma figura de oposição forte e corajosa. Na Rússia, o movimento antigoverno liderado por Navalny chegou a reunir cerca de 700 mil apoiadores.

Após o suposto envenenamento, Navalny passou cinco meses na Alemanha. Ele acusou Putin de ter usado recursos ilícitos para construir uma extravagante mansão no Mar Negro — avaliada em R$ 7,2 bilhões. O vídeo que expôs o caso obteve mais de 100 milhões de visualizações nas redes sociais.

Ao retornar à Rússia em 2021, foi preso imediatamente, após autoridades alegarem que seu ativismo no exterior violou os termos de sua pena de um caso anterior. A prisão desencadeou alguns dos maiores protestos na Rússia em anos, e foi condenada pela União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido.

Condenação

Com o anúncio da prisão do ativista, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decidiu que Navalny deveria ser libertado imediatamente, pois sua vida corria risco. O governo russo rejeitou a decisão. Ele então fez uma greve de fome de três semanas para protestar contra a falta de tratamento médico adequado para problemas nas pernas e nas costas e privação de sono no encarceramento.

Fora da prisão, um tribunal de Moscou condenou a Fundação de Combate à Corrupção, fundada por Navalny por extremismo, e encerrou a rede política. Colaboradores e integrantes da equipe enfrentaram processos do governo e se exilaram do país.

Com a invasão da Rússia à Ucrânia, Navalny condenou a guerra por meio de postagens nas redes sociais. Já em 2022, foi condenado a uma pena adicional de 9 anos por desacato ao tribunal, totalizando a condenação em 19 anos. Em seguida, ele foi transferido para a prisão de segurança máxima.

"Entendo perfeitamente bem que, como muitos prisioneiros políticos, estou cumprindo uma sentença de prisão perpétua", disse ele na época. "A sentença de prisão perpétua é medida pela duração de minha vida ou pela duração da vida deste regime."

As autoridades russas detiveram Vadim Kobzev, Igor Sergunin e Alexei Liptser, advogados de defesa de Navalny. Ivan Zhdanov, um de seus aliados, disse nas redes sociais que a transferência para a detenção de segurança máxima tratou-se de uma tentativa de “isolar completamente Navalny”. Já o porta-voz de Navalny afirmou que, se o líder da oposição não tivesse acesso a advogados, acabaria "em completo isolamento, do tipo que ninguém pode sequer imaginar”.

No final de 2023, novas acusações são apresentadas contra Navalny. “Nem sei se devo descrever minhas últimas notícias como tristes, engraçadas ou absurdas”, escreveu nas redes sociais por meio de sua equipe.

Em protesto, a equipe dele colocou QR codes em outdoors espalhados pela Rússia. O código levava a um site que incentivava a população a participar de uma campanha contra Putin, que deverá concorrer à reeleição em março de 2024.

No final do ano passado, Navalny deveria comparecer ao tribunal via videoconferência, no entanto, ele não esteve presente. Uma porta-voz disse que os funcionários da prisão alegaram problemas de eletricidade. Os apoiadores se expressam preocupados, pois não recebem notícias dele por semanas.

Em janeiro deste ano, Navalny finalmente apareceu, e os meios de comunicação divulgaram imagens dele em traje de prisão preto e com um corte de cabelo curto, numa transmissão televisiva ao vivo. Na ocasião, o rival de Putin faz piadas sobre o clima e pergunta se os funcionários de sua antiga prisão deram uma festa quando ele foi transferido. Dias depois, ele morreu.

(Com informações da AP e da Agência Brasil)

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