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Rússia repudia teste de míssil nuclear feito pela França

Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov afirma que confronto com Moscou é um "caminho sem saída" enquanto aumenta a tensão em Kaliningrado

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André de Sena, com informações da Reuters
Declaração foi dada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov | Wikimedia Commons

Declaração foi dada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov | Wikimedia Commons

A Rússia repudiou nesta quarta-feira (7) o teste com um míssil balístico capaz de transportar ogivas nucleares feito pela França, classificando a realização do exercício militar como um "caminho sem saída". A declaração foi dada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, durante um encontro com jornalistas.

“Eles estão construindo sua identidade no campo da defesa e da segurança com base no confronto com a Federação Russa. Esse é um caminho sem saída. Como mostra a história, isso não leva a nada de bom”, disse o russo.

O porta-voz também disse que o governo de Moscou permanece alerta, mas aberto ao diálogo. “Acreditamos que quaisquer problemas devem ser resolvidos não por meio de lançamentos demonstrativos de mísseis, mas por meio do diálogo”, ponderou.

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O teste foi realizado por Paris na terça-feira (6) na costa da região francesa da Bretanha. Os militares utilizaram pela primeira vez o míssil balístico intercontinental de modelo M51.3. O lançamento foi feito a partir de um submarino de propulsão nuclear.

De acordo com a Marinha francesa, o M51.3 possui um potencial de destruição em massa devastador, tendo a capacidade de voar 10 mil quilômetros carregando até seis ogivas nucleares.

O exercício militar foi acompanhado presencialmente pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Após assistir ao lançamento, ele declarou que o teste foi uma mensagem “enviada de forma clara e inequívoca para onde quer que deva ser recebida”, sem mencionar a Rússia diretamente.

A França faz parte da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a aliança militar ocidental. Apesar de não se envolver diretamente na guerra entre Rússia e Ucrânia, o grupo tem dado apoio financeiro e humanitário a Kiev, além de fornecer armamentos.

Tensão em Kaliningrado

Países da Otan também vêm realizando exercícios militares perto da fronteiras com Kaliningrado, exclave russo altamente militarizado situado entre a Polônia, a Lituânia e o Mar Báltico. Tanto Varsóvia quanto Vilnius fazem parte da aliança militar ocidental.

Por conta das crescentes tensões com países do oeste da Europa, recentemente Moscou renovou as advertências de que pode usar armas nucleares para proteger Kaliningrado.

Além disso, países que fazem parte da Otan e da União Europeia acusam a Rússia de ser responsável por agressões e sabotagens que vem ocorrendo no continente nos últimos meses, como a tentativa de ataque com drone ocorrida em agosto no Aeroporto de Leipzig/Halle em agosto, na região leste da Alemanha.

Ataques no Mar Negro

Na terça-feira (6), dois navios cargueiros foram atacados por drones no Mar Negro, perto da Bulgária, que também faz parte da Otan. A tripulação de um deles conseguiu escapar utilizando um bote salva-vidas. Posteriormente, eles foram resgatados por uma balsa e levados para a cidade de búlgara Varna.

A outra embarcação afundou a uma distância de aproximadamente 130 quilômetros da costa. As autoridades da Bulgária chegaram iniciar buscas, mas as atividades foram suspensas nesta quarta-feira (7).

A suspeita das autoridades bulgaras é de que se trate de um ataque da Rússia. No entanto, a embaixada russa em Sófia afirmou que os navios mercante não estava, entre os alvos atingidos por drones lançados por Moscou.

Assim como a Bulgária, Rússia e Ucrânia, que estão em guerra desde fevereiro de 2022, são banhadas pelo mar Negro. Tanto Moscou quanto Kiev têm lançado ataques contra embarcações inimigas.

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