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“Qualquer plano de cessar-fogo é bem-vindo”

Idoso libertado e filha de refém falam de suas perspectivas sobre o conflito em Tel Aviv

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Thiago Ferreira
03/06/2024, 23:49 • Atualizado em 04/06/2024, 04:37
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Luis Har, sobrevivente

Luis Har, sobrevivente

Israel - Luis Har, de 71 anos, é um sobrevivente. O israelense, de origem argentina, passou 129 dias nas mãos do Hamas, dentro da Faixa de Gaza. Ele e a família foram capturados de um kibutz — uma comunidade israelense, no sul do país — e levados ao território palestino, segundo Har, de forma brutal.

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“Os terroristas nos tiraram de casa com empurrões e gritos”, ele diz ao pequeno grupo de jornalistas brasileiros que acompanhava o relato.

Har cruzou a fronteira com a esposa, os cunhados, a sobrinha e até a cachorrinha da família, Bella.

“Decidimos que, entre nós, só falaríamos em espanhol para evitar que nos entendessem”, conta, para em seguida detalhar o caminho até o cativeiro: “chegamos à Faixa de Gaza e, em um certo ponto, nos colocaram dentro de um túnel. Descemos até 40 metros. Andamos e corremos por cerca de quatro horas no escuro, pela rede de túneis, até que nos levaram para uma casa e, depois, para outra, onde subimos ao segundo andar e ficamos até o final.”

Ele relembra que cozinhava durante o cativeiro e que não faltou comida para o grupo. Os banhos eram raros, muitas vezes dividindo, entre todos, a água de um único balde.

As mulheres e a cachorrinha foram libertadas após 53 dias, no fim de novembro, como parte do acordo de cessar-fogo que previu a troca de reféns israelenses por presos palestinos. Har ficou com o cunhado no cativeiro até o dia 12 de fevereiro, quando foram resgatados em uma operação do exército de Israel.

Ao ser perguntado se atualmente consegue dormir bem e se está com alguma cicatriz psicológica, o israelense diz: “por fora, estou bem. Por dentro, ainda vai demorar para passar.” Em seguida, começa a chorar. “Conto as histórias e revivo alguns daqueles momentos”, diz, emocionado.

Luis Har não quis falar sobre política. Para ele, nada tem mais importância do que trazer os reféns de volta. “É pelas famílias. Para acabar com este sofrimento. Qualquer plano de cessar-fogo é bem-vindo”, conclui.

Mas a política é decisiva neste assunto. Parlamentares de extrema-direita, que fazem parte da coalizão do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, ameaçam derrubar o governo se o premiê aceitar o plano de cessar-fogo anunciado pelo presidente norte-americano Joe Biden, na última sexta-feira (31).

A decisão muda o destino dos cerca de 120 reféns ainda mantidos em Gaza. Um deles é o pai de Yulie Ben Ami. A israelense, de 27 anos, contou o drama da família dela ao SBT News e a outros veículos de imprensa brasileiros.

“Fiquei em um quarto protegido, uma espécie de bunker, por 16 horas, esperando para ser resgatada.” Enquanto estava escondida dos terroristas, a jovem recebeu, pelo celular, uma foto do pai já em Gaza. Depois que saiu do esconderijo, não conseguia contato com a mãe, desaparecida. Somente duas semanas depois ela teve a comprovação, também por foto, de que a mãe tinha, de fato, sido levada pelos terroristas.

Pai de Yulie Ben Ami é um dos 120 reféns ainda mantidos em Gaza
Pai de Yulie Ben Ami é um dos 120 reféns ainda mantidos em Gaza

“Após 54 dias recebemos a notícia de que minha mãe foi libertada. Ela estava muito doente. Não recebia os medicamentos de que precisa e a doença se agravou ainda mais por causa da situação do meu pai”, ela afirma.

Sobre o sentimento de frustração que sempre existe quando um possível acordo de cessar-fogo não é fechado, Yulie diz ao SBT News: “estes são os piores dias. Nestes quase oito meses, acabamos aprendendo a ter uma ‘pele de elefante’. Uma casca dura. Assim, continuamos vivendo.”

*O editor de Internacional do SBT viajou a Israel com um grupo de jornalistas brasileiros a convite da organização não-governamental StandWithUs Brasil.

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