Procuradores federais renunciam nos EUA após morte de americana pelo ICE
Procuradores teriam renunciado após alegarem pressão da Justiça americana para conduzir a investigação de forma que eles discordam


Patrícia Vasconcellos
Seis procuradores federais dos Estados Unidos renunciaram nesta terça-feira (13) aos seus cargos em Minnesota, como forma de protesto contra a atuação do Departamento de Justiça dos EUA (sigla em inglês, DOJ) no caso da morte da americana Renee Nicole Good por um agente do ICE.
As informações foram divulgadas por jornais americanos, incluindo o The New York Times.
Os procuradores teriam renunciado após alegarem pressão da Justiça americana para conduzir a investigação de forma que eles discordam, incluindo investigações envolvendo possíveis ligações da família da vítima com grupos de ativismo e a recusa em delegar a autoridades estaduais a investigação do agente que disparou contra Good.
Entre os que pediram demissão está Joseph H. Thompson, ex-principal promotor da Justiça dos EUA em Minnesota, conhecido por liderar grandes investigações contra fraudes.
Alegação de acidente sem uso de força
O governo americano, incluindo a Casa Branca, defendeu que o disparo ocorreu em legítima defesa, alegando que Good teria tentado atropelar o agente, uma versão contestada por manifestações de moradores, imagens e políticos locais.
Fontes indicam que a direção do DOJ decidiu não abrir uma investigação civil de direitos sobre o uso de força letal no caso, gerando insatisfação entre procuradores experientes que tradicionalmente conduzem esse tipo de apuração.
Esse movimento gerou uma onda de renúncias não só no escritório federal de Minnesota, mas também em altos cargos da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça.
Autoridades locais e políticos democratas criticaram as saídas dos procuradores, ressaltando que elas refletem tensão entre o governo federal e autoridades estaduais e questionam a independência das apurações criminais.
O caso
No dia 7 de janeiro de 2026, a americana Renee Nicole Good, de 37 anos, foi baleada fatalmente por um agente do ICE em Minneapolis, no contexto de uma operação de fiscalização federal.
Vídeos e relatos mostram que o carro de Good estava atravessado na rua quando o agente disparou, atingindo-a na cabeça.
A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, afirmou que o disparo ocorreu em legítima defesa, uma vez que a mulher teria tentado atropelar um dos agentes com o próprio veículo.
A versão, contudo, é contestada pelo prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, que acusa os agentes de imigração de “usar o poder de forma imprudente”. Ele afirmou que irá instaurar uma investigação para apurar o caso, gravado por testemunhas, e que irá levar os responsáveis à Justiça.
À imprensa norte-americana, a mãe de Renee, Donna Ganger, a descreveu como gentil e amorosa. Segundo ela, a filha morava em Minnesota com o parceiro e o filho de seis anos. "Renee foi uma das pessoas mais gentis que já conheci.
Ela era extremamente compassiva. Ela cuidou das pessoas a vida toda. Ela era amorosa, perdoadora e carinhosa. Ela era uma pessoa incrível”, disse.









