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Pentágono exige aprovação prévia de informações publicadas por jornalistas

Dados só podem ser liberados para divulgação pública depois de passar por uma autoridade competente, mesmo que não sejam confidenciais

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Sofia Pilagallo
20/09/2025, 20:16 • Atualizado em 21/09/2025, 00:21
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O Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, anunciou, na sexta-feira (19), que passou a exigir de jornalistas credenciados que aprovem previamente informações que digam respeito ao órgão antes de divulgá-las, sob o risco de perderem acesso ao Pentágono. A ordem foi descrita em um memorando distribuído à imprensa na sexta-feira (19). As informações são do jornal The New York Times.

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No texto, de 17 páginas, o Departamento de Defesa afirma que "continua comprometido com a transparência para promover a responsabilização e a confiança pública", mas ressalta que "as informações devem ser [previamente] aprovadas para divulgação pública por uma autoridade competente [...], mesmo que não sejam confidenciais." A medida poderia restringir drasticamente o fluxo de informações sobre as Forças Armadas dos EUA à sociedade.

O novo compromisso exige que jornalistas reconheçam por escrito que a aquisição ou o uso de informações não autorizadas seria motivo para "suspensão imediata" do acesso ao Pentágono. Também restringe ainda a circulação da mídia dentro do próprio Pentágono, designando grandes áreas do prédio como proibidas para a circulação sem escolta dos cerca de 90 repórteres credenciados para cobrir a agência.

A organização de jornalismo National Press Club chamou a política de um "ataque direto ao jornalismo independente" e pediu sua revogação imediata. Seth Stern, diretor de advocacia da Freedom of the Press Foundation, afirmou que o governo está legalmente proibido de exigir que jornalistas abram mão de seu direito de investigar o governo em troca de acesso ou credenciais, o que representaria "a mais grave das violações da Primeira Emenda".

"Esta política funciona como uma restrição prévia à publicação, considerada a mais grave das violações da Primeira Emenda", disse Stern. "O governo não pode proibir jornalistas de divulgar informações públicas simplesmente alegando que se trata de um segredo ou mesmo de uma ameaça à segurança nacional."

Imprensa sob ataque

A imprensa norte-americana tem estado sob ataque desde o início do mandato do presidente Donald Trump. De lá para cá, a Casa Branca limitou repetidamente o acesso a veículos de comunicação devido a coberturas que não lhe agradam, e Trump processou diversos veículos jornalísticos, incluindo o The Wall Street Journal e o The New York Times, em razão de suas coberturas.

Após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, no último dia 10 de setembro, o programa noturno de Jimmy Kimmel, na ABC, também foi suspenso por tempo indeterminado depois que o comediante fez comentários que alguns interpretaram como críticas ao movimento "Make America Great Again" ("Torne a América Grande de Novo") e a Kirk. O chefe da Comissão Federal de Comunicações, Brendan Carr, ameaçou as emissoras de televisão com "multas ou revogação de licença" caso elas continuassem transmitindo o talk show.

Na sexta-feira (19), em mais um ato de desrespeito com a imprensa, Trump mandou uma repórter ficar "quieta" e a chamou de "desagradável" durante uma entrevista no Salão Oval da Casa Branca. A repórter, correspondente da Casa Branca para o American Urban Radio Networks (Redes de Rádio Urbanas Americanas, em tradução livre), tentava fazer uma pergunta quando foi chamada de "obnoxious", que pode ser traduzida como "desagradável", "insuportável" ou "irritante".

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