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Brasil sobe 47 posições em ranking mundial de liberdade de imprensa

Brasil foi um dos poucos países que apresentou melhoras; seis a cada dez países caíram no ranking

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Ellen Travassos
02/05/2025, 18:00 • Atualizado em 02/05/2025, 18:03
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No ranking mundial de liberdade de imprensa, o Brasil encontra-se no 110º lugar, quando comparado com outros 179 países | Unsplash

No ranking mundial de liberdade de imprensa, o Brasil encontra-se no 110º lugar, quando comparado com outros 179 países | Unsplash

O Brasil deu um salto de 47 posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização não governamental e sem fins lucrativos, entre 2022 e este ano. Em 2024, o Brasil ocupava a 82ª posição entre os 180 países avaliados. Agora, está na 63ª posição, melhor patamar alcançado pelo país nos últimos 11 anos.

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A melhora reflete um ambiente político menos conflituoso, com redução de ataques físicos e processos judiciais abusivos contra a imprensa. No entanto, a RSF alerta que essa evolução está sob ameaça devido à crise financeira que atinge veículos de comunicação em todo o país.

Há mais de dez anos, os resultados do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa alertam para a deterioração geral da liberdade de imprensa no mundo. Em 2025, uma nova linha vermelha foi cruzada: a pontuação média de todos os países avaliados caiu abaixo da marca de 55 pontos — patamar que caracteriza uma "situação difícil". Os números brasileiros estão entre poucas melhoras no ranking deste ano.

O ranking mundial de liberdade de imprensa | Reprodução: Repórteres sem Fronteira
O ranking mundial de liberdade de imprensa | Reprodução: Repórteres sem Fronteira

Segundo o relatório da organização, o jornalismo nas Américas enfrenta a fragilidade dos serviços de informação pública, a concentração da mídia e condições precárias de trabalho, com a crise tendo se intensificado após o colapso dos modelos tradicionais de negócios.

No caso brasileiro, a crise se manifesta na queda brusca de receitas publicitárias tradicionais - cada vez mais concentradas em plataformas como Google e Meta -, nos cortes de verbas públicas para comunicação e no crescimento de "mídias fantoches" financiadas por políticos e empresários para promover narrativas de interesse próprio.

"Quando um meio está economicamente frágil, ele se torna alvo fácil de grupos que querem controlar a informação", explica Anne Bocandé, diretora editorial da RSF.

Enquanto o Brasil tenta consolidar seus avanços, o cenário global mostra contrastes marcantes. A Noruega mantém o primeiro lugar pelo nono ano consecutivo, sendo o único país com situação "boa" em todos os indicadores. No extremo oposto, Coreia do Norte, China e Eritreia formam o trio das piores ditaduras para o exercício do jornalismo.

Para especialistas, o caso brasileiro mostra que melhorar a liberdade de imprensa exige não apenas reduzir a violência contra jornalistas, mas criar condições econômicas para a imprensa independente sobreviver e cumprir seu papel essencial na democracia.

Entenda como funciona

Cada país é avaliado com base em cinco indicadores que ajudam a entender a liberdade de imprensa: contexto político, leis, economia, cultura e segurança. Uma sub-pontuação é calculada para cada indicador, entre 0 e 100. Todos têm o mesmo peso na pontuação geral.

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