Ortega suspende eleições na Nicarágua para frear oposição
Presidente acusou oposição de estar sendo patrocinada pelos EUA e disse que acabará com transição de poder, o que na prática já não acontece desde 2007
SBT News
Daniel Ortega é presidente da Nicarágua há quase vinte anos | Reprodução
No comando da Nicarágua de forma ininterrupta desde 2007, o presidente Daniel Ortega anunciou no domingo (20) que vai acabar formalmente com as eleições presidenciais e a alternância de poder no país, em um novo capítulo do endurecimento autocrático do governo nicaraguense.
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Em evento que comemorou os 47 anos da Revolução Sandinista, que alçou Ortega pela primeira vez ao poder de 1979 a 1990, o presidente disse que vai cancelar a eleição marcada para novembro do ano que vem porque a oposição articula com os Estados Unidos para chegar ao poder e derrubar as conquistas da revolução. As informações são da AFP.
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"Aqui acabou a história de que os partidos colocados pelos ianques voltarão a chegar ao governo. Jamais, jamais, jamais", disse ao público que acompanhava a cerimônia na capital Manágua.
O anúncio se soma a uma série de reformas autoritárias recentes conduzidas por Ortega. Em fevereiro de 2025, por exemplo, passou a vigorar no país a Constituição que aumentou de cinco para seis anos o mandato presidencial e acabou com a separação dos poderes, concentrando as funções na mão do Executivo. Também criou a função de copresidente para a então vice Rosario Murillo, o que na prática faz com que o país tenha dois chefes de Estado concomitantemente.
Nos últimos anos, Ortega tem intensificado também a repressão a líderes da oposição, a jornalistas e a integrantes da Igreja Católica. Parte foi presa e a outra foi deportada do país. Incluem Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro (1990-1997), e Dora María Téllez, que fez parte do movimento sandinista até romper com Ortega.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já teve em Ortega um aliado no passado, chegou a ser procurado pelo Vaticano para buscar uma intermediação para a soltura de um bispo católico preso no país, sem sucesso. A distância entre os países escalou com a expulsão mútua dos embaixadores após o brasileiro Breno de Souza faltar ao aniversário da revolução e desagradar Ortega.
No pleito de 2021, a Frente Sandinista de Libertação Nacional foi reeleita com 75% dos votos. Ao menos sete adversários em potencial foram presos. O pleito foi contestado por organismos internacionais e não contou com observadores nem da Organização dos Estados Americanos (OEA) e nem da União Europeia (UE) por resistência de Ortega.
O presidente nicaraguense está com 80 anos e sofre de lúpus, uma doença inflamatória autoimune, e insuficiência renal.
Ortega suspende eleições na Nicarágua para frear oposição Presidente acusou oposição de estar sendo patrocinada pelos EUA e disse que acabará com transição de poder, o que na prática já não acontece desde 2007Mundo2026-07-20T19:53:05.907ZNo comando da Nicarágua de forma ininterrupta desde 2007, o presidente Daniel Ortega anunciou no domingo (20) que vai acabar formalmente com as eleições presidenciais e a alternância de poder no país, em um novo capítulo do endurecimento autocrático do governo nicaraguense. Em evento que comemorou os 47 anos da Revolução Sandinista, que alçou Ortega pela primeira vez ao poder de 1979 a 1990, o presidente disse que vai cancelar a eleição marcada para novembro do ano que vem porque a oposição articula com os Estados Unidos para chegar ao poder e derrubar as conquistas da revolução. As informações são da AFP. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. "Aqui acabou a história de que os partidos colocados pelos ianques voltarão a chegar ao governo. Jamais, jamais, jamais", disse ao público que acompanhava a cerimônia na capital Manágua. O anúncio se soma a uma série de reformas autoritárias recentes conduzidas por Ortega. Em fevereiro de 2025, por exemplo, passou a vigorar no país a Constituição que aumentou de cinco para seis anos o mandato presidencial e acabou com a separação dos poderes, concentrando as funções na mão do Executivo. Também criou a função de copresidente para a então vice Rosario Murillo, o que na prática faz com que o país tenha dois chefes de Estado concomitantemente. Nos últimos anos, Ortega tem intensificado também a repressão a líderes da oposição, a jornalistas e a integrantes da Igreja Católica. Parte foi presa e a outra foi deportada do país. Incluem Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro (1990-1997), e Dora María Téllez, que fez parte do movimento sandinista até romper com Ortega. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já teve em Ortega um aliado no passado, chegou a ser procurado pelo Vaticano para buscar uma intermediação para a soltura de um bispo católico preso no país, sem sucesso. A distância entre os países escalou com a expulsão mútua dos embaixadores após o brasileiro Breno de Souza faltar ao aniversário da revolução e desagradar Ortega. No pleito de 2021, a Frente Sandinista de Libertação Nacional foi reeleita com 75% dos votos. Ao menos sete adversários em potencial foram presos. O pleito foi contestado por organismos internacionais e não contou com observadores nem da Organização dos Estados Americanos (OEA) e nem da União Europeia (UE) por resistência de Ortega. O presidente nicaraguense está com 80 anos e sofre de lúpus, uma doença inflamatória autoimune, e insuficiência renal. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/ortega-suspende-eleicoes-na-nicaragua-para-frear-oposicao