Nepal: Sistemas de alerta não conseguiram prever destruição
SBT News conversa com exclusividade com a coordenadora da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho na região
Isabela Rocha, com informações da Reuters
Enchente repentina em Galchhi, no Nepal. | REUTERS/Stringer
Sistemas de alerta precoce no Nepal e na região chinesa do Tibete não conseguiram prever os riscos da inundação repentina que atingiu a região de fronteira entre os dois países na última quarta-feira (26), disse Shrinkhala Thapa, Coordenadora de Programas e Operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Nepal.
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A avalanche de lama matou centenas de pessoas, incluindo turistas, funcionários de hidrelétricas, policiais e militares, além dos moradores da região remota, contou Thapa. Nem o governo, nem a Cruz Vermelha esperavam um desastre de tamanha dimensão.
“Se houvesse um pouco mais de conhecimento ou informação sobre a situação, muitas vidas poderiam ter sido salvas”, disse Thapa. “Foi muito, muito repentino”.
Uma inundação semelhante em julho de 2025 matou ao menos nove pessoas e deixou dezenas de desaparecidos. As autoridades locais não esperavam que o incidente se repetisse em tão pouco tempo, conta Thapa, especialmente em proporções tão maiores.
A região que abriga os distritos de Rasuwa, Chitwan e Nawalparasi Leste, no Nepal, e o condado de Gyirong, no Tibet, é um local de peregrinação para muitos Hindus. Também é uma área popular entre turistas estrangeiros, que fazem trilhas nas montanhas. Os rios que correm pela cadeia de montanhas abastecem dezenas de usinas hidrelétricas na região, disse Thapa.
Muitos dos funcionários das instalações estão desaparecidos, além de policiais e militares que circulavam entre as diversas atividades externas. Pelo menos 27 pontes foram destruídas pelo lamaçal, de acordo com autoridades locais. Thapa relata que a inundação também atingiu mais de 11 projetos hidrelétricos, e encobriu mais de 40 km de estrada.
O distrito de Rasuwa, por exemplo, está completamente isolado, forçando resgates aéreos. “Um distrito inteiro desapareceu, as casas desapareceram, as pessoas desapareceram, os meios de subsistência desapareceram”, disse Thapa.
“O apoio, seja ele pequeno ou grande, é crucial neste momento”. A falta de energia elétrica deixou a região sem internet, dificultando a comunicação com a população e a busca por desaparecidos.
Os governos do Nepal e da China trabalham em coordenação nas operações de socorro, mas a troca de informações entre os dois países precisa ser aprimorada, principalmente os sistemas de alerta precoce, disse Thapa.
Os governos também precisam de mais eficiência na comunicação com a comunidade local. As necessidades mais críticas nesse momento são higiene, abrigo e fornecimento imediato de alimentos e água potável, mas devem aumentar ao passar dos dias. Thapa disse que, dada a dimensão da destruição, é difícil dizer quanto tempo os países vão levar para reconstruir a região.
“O impacto econômico será muito grande”, disse ela. “É difícil precisar a dimensão da devastação, mas, baseado nas imagens e informações vindas do terreno, as necessidades são imensas.”
Nepal: Sistemas de alerta não conseguiram prever destruição SBT News conversa com exclusividade com a coordenadora da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho na regiãoMundo2026-08-30T09:00:00.000ZSistemas de alerta precoce no Nepal e na região chinesa do Tibete não conseguiram prever os riscos da inundação repentina que atingiu a região de fronteira entre os dois países na última quarta-feira (26), disse Shrinkhala Thapa, Coordenadora de Programas e Operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Nepal. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. A avalanche de lama matou centenas de pessoas, incluindo turistas, funcionários de hidrelétricas, policiais e militares, além dos moradores da região remota, contou Thapa. Nem o governo, nem a Cruz Vermelha esperavam um desastre de tamanha dimensão. + “Se houvesse um pouco mais de conhecimento ou informação sobre a situação, muitas vidas poderiam ter sido salvas”, disse Thapa. “Foi muito, muito repentino”. Uma inundação semelhante em julho de 2025 matou ao menos nove pessoas e deixou dezenas de desaparecidos. As autoridades locais não esperavam que o incidente se repetisse em tão pouco tempo, conta Thapa, especialmente em proporções tão maiores. A região que abriga os distritos de Rasuwa, Chitwan e Nawalparasi Leste, no Nepal, e o condado de Gyirong, no Tibet, é um local de peregrinação para muitos Hindus. Também é uma área popular entre turistas estrangeiros, que fazem trilhas nas montanhas. Os rios que correm pela cadeia de montanhas abastecem dezenas de usinas hidrelétricas na região, disse Thapa. Muitos dos funcionários das instalações estão desaparecidos, além de policiais e militares que circulavam entre as diversas atividades externas. Pelo menos 27 pontes foram destruídas pelo lamaçal, de acordo com autoridades locais. Thapa relata que a inundação também atingiu mais de 11 projetos hidrelétricos, e encobriu mais de 40 km de estrada. O distrito de Rasuwa, por exemplo, está completamente isolado, forçando resgates aéreos. “Um distrito inteiro desapareceu, as casas desapareceram, as pessoas desapareceram, os meios de subsistência desapareceram”, disse Thapa. “O apoio, seja ele pequeno ou grande, é crucial neste momento”. A falta de energia elétrica deixou a região sem internet, dificultando a comunicação com a população e a busca por desaparecidos. Os governos do Nepal e da China trabalham em coordenação nas operações de socorro, mas a troca de informações entre os dois países precisa ser aprimorada, principalmente os sistemas de alerta precoce, disse Thapa. + Os governos também precisam de mais eficiência na comunicação com a comunidade local. As necessidades mais críticas nesse momento são higiene, abrigo e fornecimento imediato de alimentos e água potável, mas devem aumentar ao passar dos dias. Thapa disse que, dada a dimensão da destruição, é difícil dizer quanto tempo os países vão levar para reconstruir a região. “O impacto econômico será muito grande”, disse ela. “É difícil precisar a dimensão da devastação, mas, baseado nas imagens e informações vindas do terreno, as necessidades são imensas.” São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/nepal-sistemas-de-alerta-nao-conseguiram-prever-destruicao