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Justiça decreta prisão preventiva de Santiago Peña

Ex-presidente ficará detido em unidade militar; Ministério Público estima prejuízo de US$ 809,5 milhões em operações envolvendo o Banco Ueno

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Por Hariane Bittencourt - enviada especial a Assunção
Santiago Peña renunciou ao cargo de presidente do Paraguai na quinta-feira (5) | Flickr/Gobierno del Paraguay

Santiago Peña renunciou ao cargo de presidente do Paraguai na quinta-feira (5) | Flickr/Gobierno del Paraguay

A Justiça do Paraguai decretou a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña, no âmbito da investigação sobre o colapso do Banco Ueno.

A decisão foi tomada neste sábado (7) pelo juiz Humberto Otazú, que acolheu o pedido do Ministério Público. Peña vai cumprir a medida no Regimento de Escolta Presidencial, unidade militar em Assunção onde já estava sob custódia.

O magistrado justificou a prisão pela necessidade de garantir a permanência do ex-presidente no país e evitar uma possível fuga. Também levou em consideração os riscos à segurança do investigado e a possibilidade de interferência nas investigações.

Segundo Otazú, Peña teve acesso, durante o período em que ocupou a Presidência, a informações sensíveis sobre o sistema financeiro e o crime organizado.

Por essa razão, a Justiça considerou mais prudente mantê-lo em uma instalação militar, em vez de encaminhá-lo a um presídio comum como pedem os manifestantes paraguaios.

A decisão foi anunciada depois de uma sequência de compromissos judiciais. Na manhã de sábado, Peña compareceu à sede do Ministério Público para prestar esclarecimentos aos investigadores. Em seguida, foi levado ao Palácio da Justiça, onde participou da audiência para definição das medidas cautelares. Ao final, o juiz determinou a prisão preventiva.

A investigação apura a suposta participação de Peña em operações financeiras envolvendo recursos públicos e previdenciários depositados no Banco Ueno, instituição que acabou sofrendo intervenção do Banco Central paraguaio.

Segundo reportagem publicada neste domingo (8) pelo jornal paraguaio ABC Color, a imputação do Ministério Público estima em cerca de US$ 809,5 milhões o possível prejuízo patrimonial relacionado às operações investigadas.

De acordo com os dados apresentados pela acusação, até setembro de 2026, o banco concentrava cerca de US$ 233,4 milhões em depósitos de órgãos públicos e outros US$ 576,1 milhões em recursos públicos convertidos de guaranis.

A investigação também aponta que Peña teria mantido vínculos societários com empresas do grupo econômico ligado ao banco enquanto exercia a Presidência da República. O ex-presidente nega irregularidades, e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça.

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