Imprensa internacional repercute debate entre Lula e Flávio
Veículos destacaram ataques pessoais, acusações de corrupção e perguntas sem resposta no confronto entre os candidatos na Band
Sofia Pilagallo
O primeiro debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizado neste domingo (18), na Band, repercutiu na imprensa internacional. As publicações destacaram os ataques pessoais, as acusações de corrupção, as provocações no palco, as perguntas sem resposta e as dificuldades dos candidatos para apresentar seus planos de governo.
O jornal espanhol El País afirmou que Flávio partiu para o ataque desde o início, enquanto Lula, inicialmente mais desconfortável, ganhou força ao longo do encontro e levou a discussão para a economia e as relações da família Bolsonaro com Donald Trump. Segundo a publicação, os candidatos concentraram o confronto em escândalos envolvendo seus familiares, suspeitas de corrupção e alianças internacionais.
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A movimentação do senador atrás do presidente enquanto ele discursava foi outro ponto destacado pelo jornal, que avaliou que a atitude elevou a tensão. Nas considerações finais, segundo o relato, o moderador precisou pedir repetidamente que Flávio se afastasse, mas o candidato resistiu, provocando irritação na mediação e uma reação negativa da plateia.
O El País observou que Flávio buscou mobilizar sua base com o discurso de combate ao "narcoterrorismo", em alta na América Latina. Também destacou a ironia de Lula sobre querer o voto de todos os presos, inclusive Jair Bolsonaro, e a cobrança por Flávio ter defendido um policial acusado de matar uma menina de cinco anos em 2021.
O jornal ressaltou ainda que perguntas importantes ficaram sem respostas claras. Entre elas, citou os questionamentos sobre os R$ 134 milhões negociados para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, o compromisso de manter a redução da jornada de trabalho e uma eventual entrega de reservas de terras raras aos Estados Unidos.
A análise também apontou oportunidades perdidas por Lula, sobretudo nas considerações finais. Para o El País, o presidente se alongou em temas como fertilizantes, indústria naval e privatização da Petrobras, sem apresentar uma mensagem suficientemente clara e direta para conquistar a confiança do eleitor.
Reuters
A Reuters destacou que o formato do embate, com circulação pelo palco e pouca intervenção dos moderadores, favoreceu discussões e manifestações de frustração da plateia. Segundo a agência, confiante, Flávio gesticulou e caminhou diversas vezes atrás de Lula enquanto o presidente falava, comportamento que os moderadores consideraram dentro das regras, mas que provocou reclamações da equipe petista.
Reportagem da Reuters sobre o primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno | Foto: Reprodução/Reuters - 18.10.2026
A Reuters ressaltou ainda que ambos repetiram promessas. Flávio defendeu classificar facções e milícias como organizações narcoterroristas e criar mais de meio milhão de vagas prisionais, enquanto Lula apresentou seu histórico econômico. Os dois também trocaram acusações sobre soberania nacional.
Associated Press (AP)
A Associated Press (AP) afirmou que analistas à espera de uma tentativa de conquistar indecisos ficaram decepcionados. Segundo a agência americana, os embates, frequentemente centrados nos familiares dos candidatos, chegaram a ficar inaudíveis e deixaram pouco espaço para planos de futuro.
Reportagem da Associated Press (AP) sobre o primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno | Foto: Reprodução/Reuters - 19.10.2026
A AP apontou como momento de maior tensão o desafio de Lula para que ambos expusessem suas finanças à fiscalização antes do segundo turno. Durante o confronto, o presidente disse que colocaria seus sigilos bancário e telefônico à disposição e cobrou a mesma atitude de seu adversário.
Conforme mostrou o SBT News, o desafio foi um improviso de Lula e será explorado pela campanha para ampliar a rejeição a Flávio. Nesta segunda-feira (19), o presidente apresentou no Instagram uma autorização para abrir os sigilos dele e de seus cinco filhos, que será entregue ao TSE na terça-feira (20), e cobrou o mesmo do adversário.
Clarín
O argentino Clarín acompanhou o debate em tempo real. Segundo o jornal, o encontro foi marcado por alfinetadas políticas, promessas e uma menção a Javier Milei, cujo modelo econômico foi questionado por Lula ao perguntar se Flávio pretendia recorrer à "motosserra" do presidente argentino para cortar gastos no Brasil.
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O Clarín destacou ainda que, na ocasião, Flávio reconheceu que a saúde não esteve entre as áreas de melhor desempenho da gestão Bolsonaro e alegou que a pandemia era uma situação nova, que ninguém sabia enfrentar direito. Lula, por sua vez. respondeu com críticas à demora na compra de vacinas e à postura do ex-presidente em relação à ciência.
O jornal também repercutiu a afirmação de Lula de que mentir seria uma característica da família Bolsonaro e a acusação de que Flávio teria contado 43 mentiras. O número corresponde a um levantamento do Aos Fatos publicado em 24 de setembro, que identificou 43 declarações enganosas sobre a relação do senador com Vorcaro e o escândalo do Banco Master — e não a uma contagem de falas no debate.
ANSA
A agência italiana ANSA destacou o contraste no palco: Flávio caminhava e gesticulava atrás de Lula, enquanto o presidente ouvia o rival de trás do púlpito. Na avaliação da agência, o senador foi direto e assertivo, beirando a arrogância, enquanto Lula "se mostrou mais apaixonado, por vezes menos preciso, mas talvez mais empático".
Reportagem da ANSA sobre o primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno | Foto: Reprodução/ANSA - 19.10.2026
A ANSA destacou que o primeiro embate girou em torno dos escândalos envolvendo as famílias, com acusações sobre Lulinha e as ligações de Flávio com o Banco Master. A agência também repercutiu os ataques de Lula à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e a ironia do presidente sobre querer o voto de Jair Bolsonaro.
EFE
Assim como os demais veículos, a agência espanhola EFE destacou a tensa troca de acusações de corrupção entre os candidatos. Segundo a publicação, os dois se atacaram e se interromperam mutuamente durante o primeiro debate, em meio a suspeitas envolvendo alguns de seus assessores.
Reportagem da EFE sobre o primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno | Foto: Reprodução/Reuters - 19.10.2026
Na segurança pública, a EFE ressaltou a cobrança de Lula a Flávio por não ter votado a favor da PEC que amplia a atuação federal na área. O presidente afirmou que os estados falharam no combate ao crime, defendeu a lei antifacções e prometeu criar um Ministério da Segurança Pública, caso o Senado aprove a proposta, para coordenar as ações da União, dos estados e dos municípios.
Imprensa internacional repercute debate entre Lula e FlávioVeículos destacaram ataques pessoais, acusações de corrupção e perguntas sem resposta no confronto entre os candidatos na Band
Mundo2026-10-19T23:36:10.376ZO primeiro debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizado neste domingo (18), na Band, repercutiu na imprensa internacional. As publicações destacaram os ataques pessoais, as acusações de corrupção, as provocações no palco, as perguntas sem resposta e as dificuldades dos candidatos para apresentar seus planos de governo. O jornal espanhol El País afirmou que Flávio partiu para o ataque desde o início, enquanto Lula, inicialmente mais desconfortável, ganhou força ao longo do encontro e levou a discussão para a economia e as relações da família Bolsonaro com Donald Trump. Segundo a publicação, os candidatos concentraram o confronto em escândalos envolvendo seus familiares, suspeitas de corrupção e alianças internacionais. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique A movimentação do senador atrás do presidente enquanto ele discursava foi outro ponto destacado pelo jornal, que avaliou que a atitude elevou a tensão. Nas considerações finais, segundo o relato, o moderador precisou pedir repetidamente que Flávio se afastasse, mas o candidato resistiu, provocando irritação na mediação e uma reação negativa da plateia. O El País observou que Flávio buscou mobilizar sua base com o discurso de combate ao "narcoterrorismo", em alta na América Latina. Também destacou a ironia de Lula sobre querer o voto de todos os presos, inclusive Jair Bolsonaro, e a cobrança por Flávio ter defendido um policial acusado de matar uma menina de cinco anos em 2021. O jornal ressaltou ainda que perguntas importantes ficaram sem respostas claras. Entre elas, citou os questionamentos sobre os R$ 134 milhões negociados para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, o compromisso de manter a redução da jornada de trabalho e uma eventual entrega de reservas de terras raras aos Estados Unidos. A análise também apontou oportunidades perdidas por Lula, sobretudo nas considerações finais. Para o El País, o presidente se alongou em temas como fertilizantes, indústria naval e privatização da Petrobras, sem apresentar uma mensagem suficientemente clara e direta para conquistar a confiança do eleitor. Reuters A Reuters destacou que o formato do embate, com circulação pelo palco e pouca intervenção dos moderadores, favoreceu discussões e manifestações de frustração da plateia. Segundo a agência, confiante, Flávio gesticulou e caminhou diversas vezes atrás de Lula enquanto o presidente falava, comportamento que os moderadores consideraram dentro das regras, mas que provocou reclamações da equipe petista. A Reuters ressaltou ainda que ambos repetiram promessas. Flávio defendeu classificar facções e milícias como organizações narcoterroristas e criar mais de meio milhão de vagas prisionais, enquanto Lula apresentou seu histórico econômico. Os dois também trocaram acusações sobre soberania nacional. Associated Press (AP) A Associated Press (AP) afirmou que analistas à espera de uma tentativa de conquistar indecisos ficaram decepcionados. Segundo a agência americana, os embates, frequentemente centrados nos familiares dos candidatos, chegaram a ficar inaudíveis e deixaram pouco espaço para planos de futuro. A AP apontou como momento de maior tensão o desafio de Lula para que ambos expusessem suas finanças à fiscalização antes do segundo turno. Durante o confronto, o presidente disse que colocaria seus sigilos bancário e telefônico à disposição e cobrou a mesma atitude de seu adversário. Conforme mostrou o SBT News, o desafio foi um improviso de Lula e será explorado pela campanha para ampliar a rejeição a Flávio. Nesta segunda-feira (19), o presidente apresentou no Instagram uma autorização para abrir os sigilos dele e de seus cinco filhos, que será entregue ao TSE na terça-feira (20), e cobrou o mesmo do adversário. Clarín O argentino Clarín acompanhou o debate em tempo real. Segundo o jornal, o encontro foi marcado por alfinetadas políticas, promessas e uma menção a Javier Milei, cujo modelo econômico foi questionado por Lula ao perguntar se Flávio pretendia recorrer à "motosserra" do presidente argentino para cortar gastos no Brasil. O Clarín destacou ainda que, na ocasião, Flávio reconheceu que a saúde não esteve entre as áreas de melhor desempenho da gestão Bolsonaro e alegou que a pandemia era uma situação nova, que ninguém sabia enfrentar direito. Lula, por sua vez. respondeu com críticas à demora na compra de vacinas e à postura do ex-presidente em relação à ciência. O jornal também repercutiu a afirmação de Lula de que mentir seria uma característica da família Bolsonaro e a acusação de que Flávio teria contado 43 mentiras. O número corresponde a um levantamento do Aos Fatos publicado em 24 de setembro, que identificou 43 declarações enganosas sobre a relação do senador com Vorcaro e o escândalo do Banco Master — e não a uma contagem de falas no debate. ANSA A agência italiana ANSA destacou o contraste no palco: Flávio caminhava e gesticulava atrás de Lula, enquanto o presidente ouvia o rival de trás do púlpito. Na avaliação da agência, o senador foi direto e assertivo, beirando a arrogância, enquanto Lula "se mostrou mais apaixonado, por vezes menos preciso, mas talvez mais empático". A ANSA destacou que o primeiro embate girou em torno dos escândalos envolvendo as famílias, com acusações sobre Lulinha e as ligações de Flávio com o Banco Master. A agência também repercutiu os ataques de Lula à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e a ironia do presidente sobre querer o voto de Jair Bolsonaro. EFE Assim como os demais veículos, a agência espanhola EFE destacou a tensa troca de acusações de corrupção entre os candidatos. Segundo a publicação, os dois se atacaram e se interromperam mutuamente durante o primeiro debate, em meio a suspeitas envolvendo alguns de seus assessores. Na segurança pública, a EFE ressaltou a cobrança de Lula a Flávio por não ter votado a favor da PEC que amplia a atuação federal na área. O presidente afirmou que os estados falharam no combate ao crime, defendeu a lei antifacções e prometeu criar um Ministério da Segurança Pública, caso o Senado aprove a proposta, para coordenar as ações da União, dos estados e dos municípios.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/imprensa-internacional-repercute-debate-entre-lula-e-flavio
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