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Embaixador da Argentina deixa Brasil após rebaixamento

Movimento ocorre após Itamaraty reduzir o nível das relações diplomáticas com o governo Milei

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Valentina Moreira
O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi | Reprodução

O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi | Reprodução

O embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, deixa o país neste domingo (9) após o governo brasileiro rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina. A representação argentina em Brasília ficará sob responsabilidade da ministra María Emilia Cortés, atual chefe de chancelaria.

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A decisão ocorre após uma sequência de ataques do presidente argentino, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em entrevista ao jornal argentino Clarín que Milei precisa interromper imediatamente os ataques a Lula para que os dois países possam retomar a normalidade na relação bilateral.

Segundo Vieira, as declarações recentes do presidente argentino contra Lula e instituições brasileiras foram graves. O chanceler também pediu um gesto do governo argentino para ajudar na recomposição do vínculo entre os países.

Na terça-feira (4), o Brasil comunicou à Argentina que não enviará de volta a Buenos Aires o embaixador brasileiro Julio Bitelli. Ele havia sido convocado ao Brasil para prestar esclarecimentos após declarações de Milei contra Lula e Moraes.

Com a decisão, Brasil e Argentina passam a manter suas representações diplomáticas sob o comando de encarregados de negócios. Na prática, o nível das relações entre os dois países é reduzido, apesar da longa parceria diplomática e econômica.

Vieira também rebateu acusações de Milei de que o governo brasileiro teria financiado uma "suposta campanha contra a Argentina" e participado da campanha presidencial de Sergio Massa em 2023. O chanceler classificou as afirmações como invenções e disse que as visitas de Massa ao Brasil ocorreram no contexto de suas funções como ministro da Economia.

A tensão preocupa empresários e diplomatas devido à forte integração econômica entre os dois países. Brasil e Argentina são importantes parceiros comerciais, com relações que envolvem o Mercosul, exportações e importações de alimentos e cadeias industriais complementares.

A senadora argentina Patricia Bullrich, aliada de Milei, também criticou o tom dos ataques do presidente argentino e afirmou que ele poderia evitar declarações tão duras contra Lula. A preocupação é que o desgaste político acabe afetando a relação econômica entre os países.

A expectativa de diplomatas brasileiros é de que as relações possam melhorar após as eleições de 2026. Mesmo com a permanência de Milei na Presidência argentina e uma eventual reeleição de Lula, os dois governos terão de administrar a relação bilateral durante os próximos anos.

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