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Crianças e adolescentes são as maiores vítimas em seis meses de conflito em Gaza

Os jovens representam quase 44% dos mais de 33 mil mortos

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Samir Mello
06/04/2024, 18:19 • Atualizado em 06/04/2024, 18:19
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Crianças e adolescentes são as maiores vítimas em seis meses de conflito em Gaza

Neste domingo (7) fará seis meses que o Hamas atacou o sul de Israel, resultando em 1,2 mil mortos e mais de 240 reféns. Com a continuação e escalada dos conflitos, as maiores vítimas da guerra na Faixa de Gaza são as crianças e adolescentes palestinos.

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Os jovens representam quase 44% dos mais de 33 mil mortos. De acordo com dados do The World Factbook, da Agência Central de Inteligência, as crianças e adolescentes são quase metade (47%) do total de 2,2 milhões de habitantes do local, e a taxa de fecundidade é de 3,38 filhos por mulher. Além disso, o Fundo das Nações para a Infância (Unicef) estima que, até fevereiro, foram registrados mais de 26 mil nascimentos desde o início do conflito.

Durante esses seis meses, o Gabinete de Comunicação Social de Gaza contabilizou cerca de 14.500 menores até o fim de março - 1,3% de toda a população desse grupo.

Terreno hostil

A Unicef identificou pelo menos 800 mil crianças com necessidade urgente de ajuda com a saúde mental antes mesmo do início do conflito. O alto número de jovens em condições de perigo é explicado também pelo bloqueio imposto por Israel a Gaza em 2007, que fechou o trânsito marítimo, aéreo e terrestre do enclave.

Com as fronteiras e rotas de fuga e busca por abrigos fechadas, eles também são vítimas do "cerco total" imposto por Israel em outubro, dois dias após o ataque, agravando a crise humanitária. Sem suprimentos hospitalares ou os chamados alimentos terapêuticos, casos de desnutrição aguda severa estão entre as causas das mortes.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 28 crianças morreram de desnutrição e desidratação até 1º de abril. O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) informa que os palestinos representam atualmente 80% de todas as pessoas que enfrentam a fome grave no mundo, e pelo menos 50,4 mil crianças com menos de 5 anos sofrem de desnutrição aguda no norte do enclave. A Ocha afirma também que dos 36 hospitais de Gaza, apenas 10 estão operando parcialmente.

Um relatório da Unicef e das ONGs Education Cluster e Save the Children afirma também que o conflito retirou qualquer possibilidade de estudo: pelo menos 53 escolas foram totalmente destruídas desde o início da guerra e, desde meados de fevereiro, houve um aumento de 9% nos ataques contra essas estruturas.

Apelos por maior assistência humanitária e um cessar-fogo imediato já foram aprovadas, mas ainda não tiveram impacto significativo no dia a dia da população local. Nesta semana, um ataque israelense contra um comboio da ONG World Central Kitchen (WCK), que distribui cerca de 350 mil refeições diariamente, deixou sete trabalhadores humanitários mortos.

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