Coreanos saboreiam carne de cachorro antes de proibição
Lei que proíbe criação, abate e venda de cães para consumo de carne entra em vigor em 2027
SBT News, Reuters
Durante décadas, os dias de verão estiveram entre os mais movimentados nos restaurantes de carne de cachorro da Coreia do Sul. Uma iguaria para os nativos, que buscavam alimentos tradicionais para aumentar a energia e suportar o calor.
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O terceiro "boknal", ou dia quente, deste ano de 2026, nesta semana, trouxe um sentimento a mais. Foi o último antes que a proibição nacional da criação, abate e venda de cães para consumo de carne entra em vigor integralmente em 2027.
No Mercado Moran, em Seongnam, um dos centros mais conhecidos do país para a venda de carne de cachorro, multidões lotaram as ruas na hora do almoço.
Os clientes que ainda pediam "bosintang", ou ensopado de carne de cachorro, eram, na maioria, idosos. "Está realmente desolado agora", disse Kim Yong-book, chefe da Associação de Comerciantes do Mercado Moran, que trabalha na área há mais de 40 anos.
A proibição encerra um longo período de declínio no consumo de carne de cachorro, à medida que o aumento da posse de animais de estimação e a mudança de atitudes em relação ao bem-estar animal transformam a opinião pública.
Coreanos aprovam medida
Em uma pesquisa divulgada pouco antes da aprovação da lei em 2024, mais de 90% dos 2.000 entrevistados disseram não ter intenção de consumir carne de cachorro no futuro, enquanto mais de 80% apoiaram a proibição. Quase 95% afirmaram não ter consumido carne de cachorro no ano anterior.
Dados do governo mostraram que mais de 5.600 empresas foram afetadas pela legislação, enquanto autoridades afirmaram que a maioria dos canis já havia fechado antes do prazo.
A campanha para acabar com o comércio de carne de cachorro ganhou força sob o governo do ex-presidente deposto Yoon Suk Yeol e de sua esposa, a ex-primeira-dama Kim Keon Hee, uma defensora ferrenha do bem-estar animal que apoiou publicamente a proibição.
A lei concedeu um período de carência de três anos e entrará em vigor integralmente a partir de fevereiro de 2027, com os infratores sujeitos a penas de prisão e multas. As autoridades também prometeram apoio aos agricultores, distribuidores e proprietários de restaurantes afetados.
Futuro incerto
Para Lee Kang-chun, dono de restaurante e ex-presidente de uma associação de comerciantes com 37 anos de experiência no ramo, a mudança evoca sentimentos contraditórios.
Lee disse acreditar que era correto acabar com o consumo de carne de cachorro, considerando a imagem global da Coreia do Sul e a mudança nas atitudes sociais. No entanto, ele teve dificuldade em esconder a tristeza ao falar dos clientes, muitos com 70, 80 e 90 anos, que viajam longas distâncias para uma refeição.
"Quando vejo idosos vindo de tão longe e indo embora porque não há mais carne de cachorro, quase me dá vontade de chorar", disse. O mercado é um dos últimos lugares perto de Seul que ainda vendem carne de cachorro.
Apesar dos custos crescentes dos ingredientes e dos lucros mínimos, ele continua servindo o prato principalmente para clientes fiéis.
Lee disse que as autoridades deveriam fazer mais para ajudar os vendedores idosos a fazer a transição para novos negócios. Muitos restaurantes no Mercado Moran passaram a servir ensopado de cabra preta, comercializado como outro alimento tradicional saudável. O donos, no entanto, dizem que a mudança tem sido difícil, e que ainda já perdas no lucro sem a carne de cachorro.
Clientela antiga
Entre os fãs do ensopado de carne de cachorro está Yoo Jin-sam, de 69 anos, adepta do prato há mais de 40 anos. "Estou muito decepcionada", disse. "As pessoas continuam procurando porque acreditam que é bom para a saúde, e agora estão se desfazendo disso."
"Eu amo muito cachorros", disse Yoo. "Mas ainda assim é uma pena. Se houvesse um jeito, eu gostaria de poder comê-lo de novo."
Outro cliente, Kim Jin-suk, de 71 anos, disse que não lamentava muito a saída da carne de cachorro do cardápio. "Posso simplesmente comer outra coisa."
Coreanos saboreiam carne de cachorro antes de proibiçãoLei que proíbe criação, abate e venda de cães para consumo de carne entra em vigor em 2027Mundo2026-08-15T13:00:09.644ZDurante décadas, os dias de verão estiveram entre os mais movimentados nos restaurantes de carne de cachorro da Coreia do Sul. Uma iguaria para os nativos, que buscavam alimentos tradicionais para aumentar a energia e suportar o calor. O terceiro "boknal", ou dia quente, deste ano de 2026, nesta semana, trouxe um sentimento a mais. Foi o último antes que a proibição nacional da criação, abate e venda de cães para consumo de carne entra em vigor integralmente em 2027. No Mercado Moran, em Seongnam, um dos centros mais conhecidos do país para a venda de carne de cachorro, multidões lotaram as ruas na hora do almoço. Os clientes que ainda pediam "bosintang", ou ensopado de carne de cachorro, eram, na maioria, idosos. "Está realmente desolado agora", disse Kim Yong-book, chefe da Associação de Comerciantes do Mercado Moran, que trabalha na área há mais de 40 anos. A proibição encerra um longo período de declínio no consumo de carne de cachorro, à medida que o aumento da posse de animais de estimação e a mudança de atitudes em relação ao bem-estar animal transformam a opinião pública. Coreanos aprovam medida Em uma pesquisa divulgada pouco antes da aprovação da lei em 2024, mais de 90% dos 2.000 entrevistados disseram não ter intenção de consumir carne de cachorro no futuro, enquanto mais de 80% apoiaram a proibição. Quase 95% afirmaram não ter consumido carne de cachorro no ano anterior. Dados do governo mostraram que mais de 5.600 empresas foram afetadas pela legislação, enquanto autoridades afirmaram que a maioria dos canis já havia fechado antes do prazo. A campanha para acabar com o comércio de carne de cachorro ganhou força sob o governo do ex-presidente deposto Yoon Suk Yeol e de sua esposa, a ex-primeira-dama Kim Keon Hee, uma defensora ferrenha do bem-estar animal que apoiou publicamente a proibição. A lei concedeu um período de carência de três anos e entrará em vigor integralmente a partir de fevereiro de 2027, com os infratores sujeitos a penas de prisão e multas. As autoridades também prometeram apoio aos agricultores, distribuidores e proprietários de restaurantes afetados. Futuro incerto Para Lee Kang-chun, dono de restaurante e ex-presidente de uma associação de comerciantes com 37 anos de experiência no ramo, a mudança evoca sentimentos contraditórios. Lee disse acreditar que era correto acabar com o consumo de carne de cachorro, considerando a imagem global da Coreia do Sul e a mudança nas atitudes sociais. No entanto, ele teve dificuldade em esconder a tristeza ao falar dos clientes, muitos com 70, 80 e 90 anos, que viajam longas distâncias para uma refeição. "Quando vejo idosos vindo de tão longe e indo embora porque não há mais carne de cachorro, quase me dá vontade de chorar", disse. O mercado é um dos últimos lugares perto de Seul que ainda vendem carne de cachorro. Apesar dos custos crescentes dos ingredientes e dos lucros mínimos, ele continua servindo o prato principalmente para clientes fiéis. Lee disse que as autoridades deveriam fazer mais para ajudar os vendedores idosos a fazer a transição para novos negócios. Muitos restaurantes no Mercado Moran passaram a servir ensopado de cabra preta, comercializado como outro alimento tradicional saudável. O donos, no entanto, dizem que a mudança tem sido difícil, e que ainda já perdas no lucro sem a carne de cachorro. Clientela antiga Entre os fãs do ensopado de carne de cachorro está Yoo Jin-sam, de 69 anos, adepta do prato há mais de 40 anos. "Estou muito decepcionada", disse. "As pessoas continuam procurando porque acreditam que é bom para a saúde, e agora estão se desfazendo disso." "Eu amo muito cachorros", disse Yoo. "Mas ainda assim é uma pena. Se houvesse um jeito, eu gostaria de poder comê-lo de novo." Outro cliente, Kim Jin-suk, de 71 anos, disse que não lamentava muito a saída da carne de cachorro do cardápio. "Posso simplesmente comer outra coisa."São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/coreia-saboreia-carne-de-cachorro-antes-de-proibicao