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Colômbia: comissão recomenda afastar Petro por interferência

Professora da ESPM avalia que medida reforça discurso de vitimização do presidente colombiano

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André Barbeiro , Lívia Zanolini

Uma comissão da Câmara dos Deputados da Colômbia emitiu, nesta quarta-feira (10), uma ordem determinando a suspensão do mandato do presidente Gustavo Petro sob a alegação de que ele cometeu uma "falta grave" por "intervenção na política". A decisão ocorre em meio ao segundo turno das eleições no país e amplia a tensão no cenário político colombiano.

O documento foi assinado pela presidente da Comissão Legislativa de Investigação e Acusação, Gloria Arizabaleta, adversária política de Petro. Na ordem, ela determina que o presidente seja afastado de suas funções até 21 de junho, data prevista para a realização do segundo turno das eleições.

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A medida está relacionada ao posicionamento de Petro no processo eleitoral. O presidente apoia o candidato Iván Cepeda, um dos finalistas da disputa, que enfrentará Aberlardo de la Espriella, da direita. Após a divulgação do resultado do primeiro turno, Petro afirmou que Cepeda deveria ter terminado na primeira colocação e se recusou a reconhecer o resultado da votação.

Em entrevista ao News Manhã, a cientista política da ESPM Denilde Holzhacker diz que a decisão faz parte do embate político, mas foge do padrão institucional e pode fortalecer o discurso do presidente. "A medida cria para Petro a possibilidade de aumentar seu discurso de vitimização e de que a oposição está utilizando estratégias não democráticas para alterar o resultado eleitoral. Devemos ver mais desse discurso no segundo turno", afirma.

A especialista ressalta que, embora a iniciativa seja parte do jogo político, trata-se de uma medida considerada atípica. Segundo ela, a decisão tende a ser questionada judicialmente e pode funcionar como uma estratégia de contestação do processo eleitoral. "Ela aumenta a tensão nas eleições, eleva o grau de instabilidade política e cria um ambiente ainda maior de polarização", avalia.

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