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Canadá acena à União Europeia mesmo sob ameaça de Trump

Bloco busca fortalecer relação com país da América do Norte em meio a rusgas com os Estados Unidos; Trump classifica medida como "ato hostil"

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André de Sena, com informações da Reuters
Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca | Jonathan Ernst/Reuters

Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca | Jonathan Ernst/Reuters

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, recebeu positivamente o convite para estreitar as relações com a União Europeia. A declaração foi dada nesta quinta-feira (17) durante seu discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França.

"A Europa e o Canadá são fortes individualmente. Juntos, a Europa e o Canadá são ainda mais fortes", afirmou o líder canadense. "Não buscamos poder para dominar os outros. Pelo contrário, buscamos a resiliência para que ninguém possa controlar nossos mercados abertos, prejudicar nossa soberania, ameaçar nossa integridade territorial ou minar nossas liberdades, nossas democracias e nosso Estado de Direito."

Carney mencionou a possibilidade de cooperar em áreas como minerais críticos, capacidade industrial de defesa, inteligência artificial e computação, segurança energética e pagamentos. "Nosso compromisso com o Estado de Direito e nossa defesa inabalável da dignidade humana, da liberdade individual e da democracia compartilham as mesmas raízes profundas, a mesma dedicação inabalável”, disse.

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Tanto Canadá quanto a União Europeia tiveram suas relações com os Estados Unidos deterioradas desde que Trump deu início a seu segundo mandato na Casa Branca, em 2025. Além da imposição de tarifas comerciais, Washington enfraqueceu o apoio militar concedido a esses aliados, mesmo sendo membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a aliança militar ocidental

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o movimento da União Europeia de convidar o Canadá para ingressar como membro associado do bloco como um "ato hostil" e ameaçou reagir com a imposição de mais tarifas. A declaração foi dada a jornalistas nesta quarta-feira (16), quando o republicano se dirigia a um evento na Carolina do Norte.

"Se eles fizerem isso, se eu achar que é um ato hostil, vou impor tarifas muito altas ou suspender o comércio com a Europa em muitos produtos", disse Trump, que descreveu a proposta como "risível".

O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, respondeu ao líder americano nesta quinta-feira (17). "Como a nossa Presidente [Ursula von der Leyen] deixou claro ontem, o reforço proposto da nossa parceria com o Canadá não é contra ninguém, mas sim para a nossa força comum", argumentou.

Cooperação militar com o Reino Unido

Também nessa quinta-feira (17), o Canadá solicitou formalmente sua adesão à coalizão militar Força Expedicionária Conjunta, liderada pelo Reino Unido. A informação foi divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro canadense, que agradeceu ao governo britânico o apoio à participação de Ottawa "nesta importante iniciativa".

O grupo, criado em 2014, atualmente é composto por Dinamarca, Estônia, Finlândia, Islândia, Letônia, Lituânia, Países Baixos, Noruega, Suécia e Reino Unido.

Mais cedo, o líder canadense já havia participado de uma reunião bilateral com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, em Liverpool, no norte da Inglaterra. A dupla discutiu oportunidades de cooperação na indústria de defesa por meio do Programa Global de Aviação de Combate (GCAP), que busca desenvolver um caça furtivo tripulado de última geração. O Canadá participa da iniciativa como observador desde julho de 2026.

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