Acordo EUA-Irã era necessidade estratégica, diz especialista
Pesquisador de Harvard afirma que entendimento entre Washington e Teerã reduz riscos no Oriente Médio e avalia que principal ameaça a Israel hoje é interna
SBT News
15/06/2026, 18:42 • Atualizado em 15/06/2026, 19:01
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O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, formalizado no domingo (14) com a assinatura do memorando de entendimento pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, representa uma necessidade estratégica para a segurança regional e internacional, segundo o pesquisador da Universidade de Harvard e doutor em Política Internacional, Hussein Kalout.
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Em entrevista ao programa Central de Notícias, do SBT News, Kalout afirmou que o entendimento entre Washington e Teerã é fundamental para evitar uma escalada de tensões no Oriente Médio e retomar negociações sobre o programa nuclear iraniano.
"O acordo é uma necessidade estratégica para os EUA e também para Israel. O não acordo é uma ameaça para todos, para o próprio equilíbrio regional", afirmou.
Segundo o especialista, o entendimento deve contribuir para a reabertura do Estreito de Ormuz e para a retomada das negociações em torno do programa nuclear iraniano, tema que preocupa não apenas os Estados Unidos e Israel, mas também países europeus.
"Isso é uma necessidade securitária para os EUA e para os israelenses, e também para os europeus, que estão preocupados com o arcabouço do programa nuclear iraniano. Portanto, é de interesse coletivo geral de todos", disse.
Questionado sobre os impactos do acordo para Israel, Kalout avaliou que a principal ameaça ao país não vem de seus vizinhos, mas de questões internas relacionadas à condução política e militar do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
"A maior ameaça a Israel não é regional, vem de dentro, do próprio radicalismo interno dentro do governo de Israel", afirmou. Para ele, a política de expansão na Cisjordânia e a estratégia de manter o país envolvido em conflitos regionais não aumentaram a segurança israelense, ao contrário.
"A ameaça a Israel está em sua própria conduta militar, não está em seus vizinhos. E quem conduziu o governo dos EUA a uma guerra com o Irã, foi o próprio governo Netanyahu, que convenceu o governo Trump que era fácil derrubar o regime, que a cada decapitação das lideranças do regime, levaria a uma derrocada e, portanto, por conseguinte se destruiria o programa nuclear. Isso não aconteceu. Hoje o Irã é mais forte", explicou.
Na avaliação do pesquisador, o conflito também expôs limites do poder de dissuasão norte-americano na região. "Hoje os EUA sabem que não têm capacidade de vencer militarmente o Irã", concluiu.
Acordo EUA-Irã era necessidade estratégica, diz especialistaPesquisador de Harvard afirma que entendimento entre Washington e Teerã reduz riscos no Oriente Médio e avalia que principal ameaça a Israel hoje é internaMundo2026-06-15T18:42:36.225ZO acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, formalizado no domingo (14) com apelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, representa uma necessidade estratégica para a segurança regional e internacional, segundo o pesquisador da Universidade de Harvard e doutor em Política Internacional, Hussein Kalout. Em entrevista ao programa Central de Notícias, do SBT News, Kalout afirmou que o entendimento entre Washington e Teerã é fundamental para evitar uma escalada de tensões no Oriente Médio e retomar negociações sobre o programa nuclear iraniano. "O acordo é uma necessidade estratégica para os EUA e também para Israel. O não acordo é uma ameaça para todos, para o próprio equilíbrio regional", afirmou. Segundo o especialista, o entendimento deve contribuir para a reabertura do Estreito de Ormuz e para a retomada das negociações em torno do programa nuclear iraniano, tema que preocupa não apenas os Estados Unidos e Israel, mas também países europeus. "Isso é uma necessidade securitária para os EUA e para os israelenses, e também para os europeus, que estão preocupados com o arcabouço do programa nuclear iraniano. Portanto, é de interesse coletivo geral de todos", disse. Questionado sobre os impactos do acordo para Israel, Kalout avaliou que a principal ameaça ao país não vem de seus vizinhos, mas de questões internas relacionadas à condução política e militar do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. "A maior ameaça a Israel não é regional, vem de dentro, do próprio radicalismo interno dentro do governo de Israel", afirmou. Para ele, a política de expansão na Cisjordânia e a estratégia de manter o país envolvido em conflitos regionais não aumentaram a segurança israelense, ao contrário. "A ameaça a Israel está em sua própria conduta militar, não está em seus vizinhos. E quem conduziu o governo dos EUA a uma guerra com o Irã, foi o próprio governo Netanyahu, que convenceu o governo Trump que era fácil derrubar o regime, que a cada decapitação das lideranças do regime, levaria a uma derrocada e, portanto, por conseguinte se destruiria o programa nuclear. Isso não aconteceu. Hoje o Irã é mais forte", explicou. Na avaliação do pesquisador, o conflito também expôs limites do poder de dissuasão norte-americano na região. "Hoje os EUA sabem que não têm capacidade de vencer militarmente o Irã", concluiu.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/acordo-entre-eua-e-ira-era-necessidade-estrategica
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