Ministra diz que exploração de petróleo no Amazonas preocupa
Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, manifestou preocupação com impacto ambiental na região
Raphael Felice
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, expressou preocupação com a exploração de petróleo e gás na Bacia do Amazonas. A ministra se posicionou nesta 4ª feira (13.dez). A declaração de Guajajara foi feita minutos antes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) leiloar 38 blocos exploratórios de 11 bacias sedimentares: Espírito Santo, Paraná, Pelotas, Potiguar, Recôncavo, Santos, Sergipe-Alagoas, Tucano. Santos e Campos, além do Amazonas.
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Ao ser perguntada sobre o potencial impacto ambiental da exploração de petróleo na bacia amazônica especificamente, a ministra respondeu: "Lógico que preocupa". Ela ainda afirmou que os indígenas são povos resistentes e que vão continuar lutando para evitar a exploração dentro dos territórios. Sônia Guajajara participou a COP 28 e lamentou o fato do leilão ter ocorrido no último dia da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28), realizado nos Emirados Árabes. No documento final, os participantes mencionam a importância do mundo alcançar a "neutralidade carbônica" até 2050, por meio de uma transição da era dos combustíveis fósseis, principais causadores das mudanças climáticas.
"Na Conferência do Clima (COP28), que termina hoje, acabaram de apresentar um documento em que a maioria dos países entende que é preciso fazer uma transição energética urgente ou não vamos conseguir evitar chegar ao ponto de não retorno [ponto a partir do qual os danos causados ao planeta serão irreversíveis, passando a ameaçar a vida humana e de outras espécies]", afirmou a ministra, classificando como "lamentável que muitos países necessitem fazer esta transição energética a longo prazo".
Discursos conflitantes:
Em discurso na abertura da reunião de uma reunião do G20 (presidido pelo Brasil), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as pautas ambientais e a transição energética devem ser uma das prioridades do mandato do Brasil na presidência do grupo. Em outros discursos internacionais, Lula faz uma forte defesa do meio ambiente, mas em solo nacional, o governo e o Congresso avançam com pautas que conflitam com o discurso.
Além do avanço para explorar petróleo na Amazônia - mesmo com veto do Ibama -, o Brasil entrou no grupo de produtores de petróleo internacionais, a Opep+. No Congresso, um projeto sobre eólicas offshore teve uma série de "jabutis" anexados, como a prorrogação de contratação de usinas térmicas a carvão, ao custo de R$ 5 bilhões e contratação de pequenas centrais hidrelétricas, com o preço de R$ 8,6 bilhões.
O principal jabuti no texto custará R$ 16 bilhões e trata do fim do preço teto para térmicas a gás nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Todas essas medidas possuem impacto ambiental e vão na contramão do discurso do brasileiro no exterior.
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