"Elvis": um deleite à altura do Rei do Rock
Novo filme lembra a trajetória de Elvis Presley que marcou para sempre o universo da música

Cleide Klock
O Dia Mundial do Rock é comemorado nesta 4ª feira (13.Jul), e nada melhor do que festejá-lo assistindo ao rei do gênero musical. O filme "ELVIS" entra em cartaz nesta semana no Brasil, com pré-estreia hoje em alguns cinemas do país. Celebração e espetáculo à altura de um dos maiores astros de todos os tempos.
Do deslumbre de um menino pelos ritmos que tocavam na vizinhança aos últimos momentos da vida, passando por todo o fanatismo que arrastou e enlouqueceu multidões. A cinebiografia - com liberdade poética - de Elvis Presley traz um recorte de momentos importantes da trajetória do Rei do Rock, com foco no relacionamento do cantor com o empresário que o descobriu, controlou, manipulou pelos 20 anos mais importantes da carreira, o misterioso e controverso coronel Tom Parker, vivido por Tom Hanks.
"Eu não estaria interessado em fazer apenas um vilão. Eu no começo, estava esperando ouvir histórias de horror sobre o coronel, até mesmo de Priscilla Presley. Eu achava que ele era um trapaceiro barato, diabólico, manipulador, que nunca tinha deixado Elvis fazer o que ele queria fazer. E, eu senti que ele era exatamente o oposto. Ele teria sido um homem encantador. Toda vez que entrava na sala, as pessoas o adoravam, ele cuidava de todo mundo e ele nunca dizia não para o cliente, para seu menino, o Sr. Presley. Ele lutou por seu negócio com unhas e dentes, não era fácil negociar com ele, era difícil. E isso era o que o diretor Baz Luhrmann queria mostrar", contou Hanks.
Elvis está entre nós
A narrativa - contada ao longo do filme por Parker, em primeira pessoa - coloca Presley em uma posição vulnerável e dependente, muito diferente da figura forte e explosiva, geralmente, passada pela história da 'lenda além do homem'. Mas, Elvis jamais foi coadjuvante da própria história e nem Hanks, como ator, consegue dar sombra à explosão vibrante Austin Butler, que não só interpreta como encarna Elvis Presley.
"Nós conhecemos o ícone Elvis Presley, mas o que sempre me fascinou e intrigou foi o ser humano. Ele era o sonho americano", conta o ator.
Butler entrega tudo: o requebrar, o olhar, o furacão no palco que levou tanto à loucura dos fãs quanto ao repúdio de conservadores, que não aceitavam nem os movimentos, nem um branco, em época de segregação racial, ousar ser tomado pela inspiração da música gospel, do blues, do jazz dos negros. Poderíamos repetir aqui aquela velha frase batida, 'Elvis não morreu' tamanho é o magnetismo de Butler e a essência com a qual ele assume o papel de Presley.
O ator fez uma imersão na vida do astro, encontrou a viúva, Priscilla Presley, treinou o sotaque, a expressão corporal e vocal, já que a maioria das músicas são cantadas por Butler. Entrega toda a vibração necessária para já estar no topo das indicações a melhor ator, para a próxima premiação do Oscar.
"Eu comecei sendo uma esponja, lendo e vendo tudo que aparecia na minha frente, cada imagem que eu poderia encontrar, como um detetive. E trabalhei com muitos treinadores vocais, cantando, trabalhando nisso, porque a voz pra ele era muito importante", diz Butler.

Love me tender
É claro que 42 anos de vida não caberiam em duas horas e meia de filme.
Mas, ao se entregar a essa trama, tanto quem acha que sabe tudo, quanto quem tem certeza que não sabe nada sobre o astro, pode se surpreender. A vida pessoal, a relação com a mãe Gladys (Helen Thomson), o drama de ter o pai preso, o encontro com a esposa Priscilla Presley e o acordo assinado em uma roda gigante nos levam a uma viagem em tons reluzentes e cintilantes como Las Vegas, onde se passa boa parte da trama.
Não poderia ser diferente já que quem assina o roteiro e também dirige o longa é o diretor das plumas e paetês, das extravagâncias e dos excessos de Romeu + Julieta, Moulin Rouge e O Grande Gatsby, o australiano Baz Luhrmann.
Cineasta conhecido por adequar qualquer história ao seu próprio estilo, Baz traz sua releitura sobre a vida do fenômeno sensual e irresistível, Elvis Presley.
"Você quer apenas fazer justiça e honrar a vida deles. Ele era extraordinário, maior que a própria vida dele. E, tem sido o tipo de coisa: como escalar o Everest? Um passo de cada vez", conclui Austin Butler.
O filme arrastou multidões aos cinemas do mundo e já arrecadou o equivalente a R$ 830 milhões em bilheteria.
Elvis Presley morreu em 16 de agosto de 1977.