Justiça

Advogado de Vorcaro critica prisão do banqueiro e diz que penitenciária federal é “máquina de destruir pessoas”

Roberto Podval afirma que banqueiro fica recluso por 22 horas, com apenas duas horas de banho de sol; por enquanto, defensor descarta delação premiada

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O advogado Roberto Podval, integrante da defesa de Daniel Vorcaro, criticou nesta quarta-feira (11) em entrevista ao programa Poder Expresso, do SBT News, a prisão do banqueiro que está em uma penitenciária federal que faz parte do Complexo da Papuda. O advogado afirma que não há nenhuma razão para a detenção de seu cliente e que o presídio federal não foi preparado para presos comuns.

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Podval descreveu a situação de Vorcaro na cadeia como “inapropriada” e defendeu que o banqueiro volte para casa, onde cumpria as medidas cautelares antes da prisão.

“Aquilo (penitenciária fedeal) é uma máquina de destruir pessoas”, declarou. O advogado relatou que Vorcaro está sem comunicação, fica recluso por 22 horas e tem direito a duas horas de banho de sol sozinho. E que a luz da sua cela permanece ligada durante a noite.

“O complexo não é feito para Daniel Vorcaro. É um presídio de segurança máxima para determinadas pessoas com regras muito específicas que não servem para pessoas comuns. [...] É inapropriado ele estar naquele presídio”, afirmou o advogado.

Roberto Podval disse ainda que as alegações da Polícia Federal para basear a prisão preventiva tratam apenas de “fatos pretéritos” e que não havia “indício de movimento contrário às medidas cautelares”.

Segundo o advogado de Daniel Vorcaro, ainda está sendo decidido como basear a defesa.

“Dado a grande repercussão e o dia-a-dia que foi se atropelando, nós não tivemos muito tempo para tratar o mérito da questão. Nós ainda estamos tentando tratar como a gente vai começar esse processo. Não tem acusação, não tem denúncia, não tem nada ainda. O banco [Master] até então não tinha nenhum processo aberto contra ele. De um dia pro outro, o mocinho vira vilão. É um movimento muito político”, afirmou.

Podval descartou, entretanto, um acordo de delação premiada. De acordo com ele, a pauta não foi tratada e sequer está em cogitação.

“Não há porque falar sobre isso, a ideia é se defender. Muito que está ali é totalmente defensável e tem explicação para tudo que foi feito", explicou.

Em sua primeira entrevista sobre o caso a um veículo de comunicação, Roberto Podval disse que a mudança de relatoria do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), do ministro Dias Toffoli para o ministro André Mendonça, não faz diferença para a defesa. De acordo com o advogado, Toffoli jamais favoreceu Vorcaro durante a análise. Podval disse também que a defesa nunca teve problema com o ministro e o mesmo ocorre com seu sucessor na relatoria.

Sobre a saída de Toffoli da relatoria do pedido de abertura da CPI do Master na Câmara – o ministro declarou suspeição por razões de foro íntimo –, Podval também minimizou: “São ambos ministros coerentes. Para nós, tanto faz”. Na opinião dele, a decisão visa a poupar o próprio magistrado e o Supremo como instituição.

“Não acho contraditória a suspeição, contraditório seria ele ter aceito. Depois da decisão que ele deixaria a relatoria, não me parece coerente que ele ficasse com a relatoria da discussão sobre a formação da CPI. As críticas seriam enormes”, disse o advogado.

Podval evitou comentar sobre as supostas mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes por não haver garantias da veracidade e legalidade do conteúdo já que os autos estão sob sigilo.

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