Esportes

24% dos atletas já sentiram algum sintoma de depressão e lidam com ansiedade, diz pesquisa

O desempenho no esporte não depende apenas da preparação física; a pressão por resultados pode estar ligada com o esgotamento emocional

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Rebeca receberá mais que Simone Biles em premiações por medalha | Alexandre Loureiro/COB

O desempenho no esporte não depende apenas da preparação física. A pressão por resultados pode estar ligada com o esgotamento emocional que muitos atletas apresentam.

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Minutos antes de ser reverenciada pelas americanas no lugar mais alto do pódio do solo, Rebeca Andrade havia perdido em quarto lugar na trave. A brasileira mostrou que, além de talento e preparo físico, a força da mente é fundamental para vencer.

Os grandes nomes do esporte como ela dão a volta por cima, porque as derrotas são inevitáveis. Michael Jordan, o maior do basquete, diz que para ganhar seis campeonatos da NBA teve que perder outros oito. Antes de levar o ouro em Paris, aos 37 anos, o sérvio Novak Djokovic perdeu outras quatro edições.

A judoca Mayra Aguiar, que já ganhou três medalhas olímpicas, disse, ao ser desclassificada em Paris, que o mais difícil é lidar com a pressão interna: a chamada autocobrança. Até o preparado Hugo Calderano chorou ao ficar sem medalha, em Paris.

Até Simone Biles deu a volta depois de cuidar da saúde mental. A maior ginasta da história não participou da Olimpíada de Tóquio, adotou a meditação para voltar e vencer de novo.

Uma pesquisa mostra que 24% dos atletas já sentiram algum sintoma de depressão e lidam com ansiedade. Menos de 1% das crianças e dos jovens que começam a praticar algum esporte no Brasil chegam a ser um atleta de alto rendimento. O funil é ainda mais estreito quando se fala em alcançar um pódio olímpico e a independência financeira.

"Às vezes um atleta tem altos indices de sintomas se voce for sentir os sintomas de depressao dele por exemplo mas ele nao sucumbe a aquilo porque ele tem um alto indice de resiliencia uma elevada estrategia de enfrentamento, e as vezes o atleta que tem menos sintomas ele sucumbe mais a uma depressão porque ele nao tem os outros fatores", explica Alexandre Conttato Colagrai, doutor em psicologia do esporte.

Thiago treina a equipe de wrestling no Centro Olímpico, em São Paulo. Consegue bolsa de estudos para os atletas e ensina até educação financeira para que eles saibam lidar melhor com a pressão.

"A derrota não é um ponto do que você perdeu tudo, mas sim um passinho que você dá no autoconhecimento, na promoção de que o aprimoramento é o caminho para o crescimento", afirma.

A lutadora Beatriz Reis já foi como sparring na última Olimpíada. Este ano, perdeu a chance da vaga porque estava machucada. Já começou a treinar para 2028, em Los Angeles. Ganha bolsa atleta e completa a renda como nutricionista. O esporte é a vida dela, mas também preparou o plano B. "Você tem que achar outros meios de tentar se manter, mas se você souber viver o esporte, você consegue aproveitar tudo o que ele te proporciona", afirma.

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