Eleições

Empreender ou CLT? Pesquisa opõe eleitores de Lula e Flávio

62,3% dos que associam melhora de vida ao negócio próprio preferem o senador; 65,4% dos que querem carteira assinada declaram voto em Lula

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Caio Barcellos
App da Carteira de Trabalho | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

App da Carteira de Trabalho | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O desejo de ter o próprio negócio ou trabalhar com carteira assinada revela mais um contraste entre os eleitorados de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (21).

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O levantamento perguntou aos entrevistados o que significa "melhorar de vida" e apresentou quatro alternativas de resposta. Entre aqueles que escolheram:

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  • "Trabalhar com carteira assinada, com direitos garantidos, como férias, 13º e FGTS": 65,4% declaram voto em Lula e 30,2% em Flávio Bolsonaro;
  • "Ter o próprio negócio ou trabalhar por conta própria, com mais autonomia sobre horários e ganhos": 62,3% preferem Flávio Bolsonaro e 33,5% apoiam Lula.

As outras duas opções apresentadas foram "nenhuma das duas" (12%) e "não sabe" (12,7%). Cada entrevistado podia escolher apenas uma resposta.

A diferença entre os dois grupos é destacada pelo diretor de Jornalismo do Meio, Pedro Doria, como uma das principais divisões do eleitorado, ao lado da religião.

"De todas as características, de todos os sonhos que os brasileiros cultivam, são dois que separam com nitidez quem prefere Lula ou Flávio. Querer carteira ou o negócio próprio, ser evangélico ou católico", afirma.

No recorte religioso, Flávio Bolsonaro lidera entre os evangélicos, com 69,6% das intenções de voto, contra 25,9% de Lula. Entre os católicos, o cenário se inverte, com o atual presidente com 55%, enquanto o senador registra 39,6%.

Governo amplia benefícios a MEIs

O levantamento aparece em um momento em que o governo federal busca ampliar o apoio aos pequenos empreendedores na reta final da eleição presidencial. O segundo turno será realizado no próximo domingo (25), após Lula terminar a primeira votação atrás de Flávio Bolsonaro, que recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.

O projeto que Lula deve sancionar nesta quarta-feira (21) eleva o teto anual de faturamento dos MEIs dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A mudança permitirá que empreendedores com receitas superiores ao limite atual continuem enquadrados na categoria, desde que atendam aos demais requisitos legais.

A proposta também prevê:

  • Perdão de dívidas: cerca de R$ 12,6 bilhões em débitos de aproximadamente 3,6 milhões de MEIs inscritos na dívida ativa da União até 13 de outubro de 2026. Para manter o benefício, os empreendedores deverão pagar regularmente suas contribuições nos seis meses seguintes a 1º de janeiro de 2027;
  • PixMEI: subsídio de até R$ 5 mil por empreendedor, sem necessidade de devolução. A iniciativa prevê R$ 5 bilhões entre 2027 e 2030, mas ainda está em fase de elaboração;
  • Desenrola MEI: nova etapa do programa voltada à renegociação de dívidas bancárias dos microempreendedores, com descontos mínimos de 90% na compra dos débitos.

O levantamento, porém, não permite concluir que as iniciativas terão impacto nas intenções de voto, uma vez que não perguntou aos entrevistados sobre os benefícios anunciados.

Disputa presidencial

Na pesquisa geral de intenção de voto, Flávio Bolsonaro aparece com 51,1% dos votos válidos, contra 48,9% de Lula. Os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

O levantamento Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores por telefone entre 15 e 19 de outubro. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08251/2026.

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