Candidato à Presidência pelo Avante propôs multas bilionárias por danos à saúde mental de crianças e adolescentes
Jessica Cardoso
Augusto Cury durante sabatina promovida por O Globo, Valor e CBN | Reprodução/YouTube @cbnrede
O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, defendeu nesta sexta-feira (28) uma tributação “pesada” sobre as big techs, em nível semelhante ao aplicado aos cigarros. A proposta foi mencionada durante sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN, em resposta a uma pergunta sobre a regulação das redes sociais.
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Segundo Cury, plataformas digitais que contribuírem para casos de automutilação ou tentativas de suicídio entre crianças e adolescentes deveriam ser responsabilizadas financeiramente.
“Temos que taxar em níveis como se fosse cigarro. Se é uma droga e se gera dependência, vamos colocar uma taxação altíssima. Se ficar provado [que] elas estão levando a automutilação, vão pagar milhões de dólares para cada família e para o governo federal. Será multa de bilhões de dólares”, declarou.
Durante a entrevista, Cury defendeu a liberdade de expressão e a atuação de influenciadores, mas afirmou que crianças e adolescentes precisam ser protegidos dos algoritmos “cruéis” das plataformas.
O candidato disse ainda que, idealmente, menores de 14 anos não deveriam ter contato com redes sociais. Também prometeu responsabilizar o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e outros líderes de big techs por eventuais danos à saúde mental de jovens.
“Mark Zuckerberg, eu vou levar você para um tribunal internacional. Você e todos os líderes porque afetou a saúde mental das crianças e adolescentes no mundo todo”, afirmou.
Cury também declarou que apenas aumentar a tributação das empresas não seria suficiente. Para ele, é necessário educar crianças e adolescentes sobre o funcionamento dos algoritmos.
Segurança pública
Na área, Cury defendeu a integração das forças policiais e a criação de uma estrutura específica para combater o crime organizado.
“Pior do que o crime organizado, é o Estado desorganizado. Se você tem um corpo saudável, ele tem muito menos possibilidade de se infectar com vírus e bactéria. Se você tem um ecossistema adequado na segurança, onde você integra todas as equipes, equipa — inclusive com inteligência artificial, com câmeras inteligentes, com drones, uma série de equipamentos — então você tem, consequentemente, as polícias integradas”, declarou.
Cury também declarou apoio à PEC da Segurança e disse que o governo federal deve ter participação na área.
“O governo federal tem que ter uma grande influência, mas não pode ser de cima para baixo. Tem que ser de maneira inteligente e democrática”, afirmou.
O candidato defendeu ainda câmeras corporais para policiais e afirmou que segurança não deve ser tratada apenas como uma questão de armas e efetivo policial. Segundo ele, a integração das polícias é necessária também para aumentar a sensação de segurança da população.
Sobre a posse de armas, Cury disse ser contrário à necessidade de ampliar o acesso da população ao armamento em um cenário de maior eficiência do Estado. Abriu, porém, uma exceção para áreas rurais. “Em situações de vulnerabilidade, como na área agrícola, das fazendas, tem que liberar muito mais fácil”, disse.
Direita ou esquerda?
Questionado sobre como se posiciona no espectro político, Cury afirmou que não se identifica nem com a direita nem com a esquerda e voltou a criticar a polarização no país.
“A minha mente é capitalista, com todos os pressupostos do capitalismo: meritocracia, o estado enxuto, responsável fiscalmente, empreendedorismo, liberdade de expressão, preservação da família. Mas o meu coração é social”, disse.
Segundo o candidato, sua visão é resultado da experiência com pessoas em situação de dificuldade.
Cury também classificou a polarização política como “esquizofrênica” e disse que o conflito entre os dois campos impede o debate de ideias.
“Essa contradição que colocaram o Brasil dividido, doente, polarizado, onde não se pode falar eu voto na esquerda ou eu voto na direita. Virou uma guerra interminável. As pessoas não debatem mais ideias”, disse.
Cury defendeu o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em caso de erros que justificassem a medida e afirmou que pretende promover uma reforma mais ampla na Corte.
“Se cometeu erros tem de sofrer impeachment, mas o problema é mais grave. Eu sou o único que está propondo uma reforma séria no STF. Fim da vitaliciedade, 8 anos e ir embora”, declarou.
O candidato também propôs reduzir de 11 para nove o número de ministros e afirmou que os próximos dois indicados deveriam ser mulheres.
Governo e ministérios
Cury se apresentou como um candidato “novato nessa política velha” e “pacificador”. Disse que pretende montar um governo com base na escolha de especialistas, sem priorizar interesses partidários. O candidato também rejeitou a avaliação de que seria “engolido” pela política.
“Olha, eu lidei com os maiores sociopatas, lidei com as maiores dificuldades. Eu sou um conciliador. Nós não vamos nos curvar a ninguém. Vamos escolher os melhores especialistas para o país. Não é um governo de amigos como o Lula faz e como o Bolsonaro fez”, declarou.
Durante a sabatina, o presidenciável afirmou que pretende reduzir em pelo menos oito o número de ministérios, mas não detalhou quais pastas seriam extintas ou incorporadas. A ideia, segundo ele, é dar mais autonomia às secretarias-executivas, que prestariam contas mensal ou bimestralmente.
Ao falar sobre possíveis integrantes de sua equipe, Cury citou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), o ministro da Defesa, José Múcio, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que, segundo ele, poderiam ser chamados para conversar.
Cury defende taxar big techs no nível de cigarrosCandidato à Presidência pelo Avante propôs multas bilionárias por danos à saúde mental de crianças e adolescentesEleições2026-08-28T16:23:26.968ZO candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, defendeu nesta sexta-feira (28) uma tributação “pesada” sobre as big techs, em nível semelhante ao aplicado aos cigarros. A proposta foi mencionada durante sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN, em resposta a uma pergunta sobre a regulação das redes sociais. Segundo Cury, plataformas digitais que contribuírem para casos de automutilação ou tentativas de suicídio entre crianças e adolescentes deveriam ser responsabilizadas financeiramente. “Temos que taxar em níveis como se fosse cigarro. Se é uma droga e se gera dependência, vamos colocar uma taxação altíssima. Se ficar provado [que] elas estão levando a automutilação, vão pagar milhões de dólares para cada família e para o governo federal. Será multa de bilhões de dólares”, declarou. Durante a entrevista, Cury defendeu a liberdade de expressão e a atuação de influenciadores, mas afirmou que crianças e adolescentes precisam ser protegidos dos algoritmos “cruéis” das plataformas. O candidato disse ainda que, idealmente, menores de 14 anos não deveriam ter contato com redes sociais. Também prometeu responsabilizar o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e outros líderes de big techs por eventuais danos à saúde mental de jovens. “Mark Zuckerberg, eu vou levar você para um tribunal internacional. Você e todos os líderes porque afetou a saúde mental das crianças e adolescentes no mundo todo”, afirmou. Cury também declarou que apenas aumentar a tributação das empresas não seria suficiente. Para ele, é necessário educar crianças e adolescentes sobre o funcionamento dos algoritmos. Segurança pública Na área, Cury defendeu a integração das forças policiais e a criação de uma estrutura específica para combater o crime organizado. “Pior do que o crime organizado, é o Estado desorganizado. Se você tem um corpo saudável, ele tem muito menos possibilidade de se infectar com vírus e bactéria. Se você tem um ecossistema adequado na segurança, onde você integra todas as equipes, equipa — inclusive com inteligência artificial, com câmeras inteligentes, com drones, uma série de equipamentos — então você tem, consequentemente, as polícias integradas”, declarou. Cury também declarou apoio à PEC da Segurança e disse que o governo federal deve ter participação na área. “O governo federal tem que ter uma grande influência, mas não pode ser de cima para baixo. Tem que ser de maneira inteligente e democrática”, afirmou. O candidato defendeu ainda câmeras corporais para policiais e afirmou que segurança não deve ser tratada apenas como uma questão de armas e efetivo policial. Segundo ele, a integração das polícias é necessária também para aumentar a sensação de segurança da população. Sobre a posse de armas, Cury disse ser contrário à necessidade de ampliar o acesso da população ao armamento em um cenário de maior eficiência do Estado. Abriu, porém, uma exceção para áreas rurais. “Em situações de vulnerabilidade, como na área agrícola, das fazendas, tem que liberar muito mais fácil”, disse. Direita ou esquerda? Questionado sobre como se posiciona no espectro político, Cury afirmou que não se identifica nem com a direita nem com a esquerda e voltou a criticar a polarização no país. “A minha mente é capitalista, com todos os pressupostos do capitalismo: meritocracia, o estado enxuto, responsável fiscalmente, empreendedorismo, liberdade de expressão, preservação da família. Mas o meu coração é social”, disse. Segundo o candidato, sua visão é resultado da experiência com pessoas em situação de dificuldade. Cury também classificou a polarização política como “esquizofrênica” e disse que o conflito entre os dois campos impede o debate de ideias. “Essa contradição que colocaram o Brasil dividido, doente, polarizado, onde não se pode falar eu voto na esquerda ou eu voto na direita. Virou uma guerra interminável. As pessoas não debatem mais ideias”, disse. STF Cury defendeu o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em caso de erros que justificassem a medida e afirmou que pretende promover uma reforma mais ampla na Corte. “Se cometeu erros tem de sofrer impeachment, mas o problema é mais grave. Eu sou o único que está propondo uma reforma séria no STF. Fim da vitaliciedade, 8 anos e ir embora”, declarou. O candidato também propôs reduzir de 11 para nove o número de ministros e afirmou que os próximos dois indicados deveriam ser mulheres. Governo e ministérios Cury se apresentou como um candidato “novato nessa política velha” e “pacificador”. Disse que pretende montar um governo com base na escolha de especialistas, sem priorizar interesses partidários. O candidato também rejeitou a avaliação de que seria “engolido” pela política. “Olha, eu lidei com os maiores sociopatas, lidei com as maiores dificuldades. Eu sou um conciliador. Nós não vamos nos curvar a ninguém. Vamos escolher os melhores especialistas para o país. Não é um governo de amigos como o Lula faz e como o Bolsonaro fez”, declarou. Durante a sabatina, o presidenciável afirmou que pretende reduzir em pelo menos oito o número de ministérios, mas não detalhou quais pastas seriam extintas ou incorporadas. A ideia, segundo ele, é dar mais autonomia às secretarias-executivas, que prestariam contas mensal ou bimestralmente. Ao falar sobre possíveis integrantes de sua equipe, Cury citou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), o ministro da Defesa, José Múcio, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que, segundo ele, poderiam ser chamados para conversar.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/cury-defende-taxar-big-techs-no-nivel-de-cigarros