Setor público tem déficit primário de R$ 56,1 bi em maio
Resultado piora ante maio de 2025; dívida bruta sobe para 81,1% do PIB e acende alerta para alta de até 115% em 10 anos
Caio Barcellos
30/06/2026, 14:13 • Atualizado em 30/06/2026, 14:13
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Sede do Banco Central (BC), em Brasília | Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio, informou o Banco Central nesta terça-feira (30). O resultado representa uma deterioração das contas públicas em relação ao mesmo mês de 2025, quando houve saldo negativo de R$ 33,7 bilhões.
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O resultado primário considera a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida pública. O dado reúne as contas do Governo Central, estados, municípios e estatais.
A maior parte do rombo veio do Governo Central, que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. O grupo teve déficit de R$ 55,2 bilhões em maio.
Os governos regionais, que incluem estados e municípios, registraram saldo negativo de R$ 1,2 bilhão.
Estatais estaduais puxam saldo
Já as empresas estatais tiveram superávit de R$ 300 milhões. Segundo a planilha do BC, elas registraram superávit primário de R$ 305,1 milhões em maio, compensando déficits de R$ 26,6 milhões nas estatais federais -recorte que exclui Petrobras e Eletrobras- e de R$ 5,2 milhões nas municipais.
O BC não detalha quais empresas foram responsáveis pelo desempenho nem os fatores operacionais que explicam o saldo.
Juros elevam rombo nominal
No acumulado de 12 meses, o setor público consolidado teve déficit primário de R$ 149 bilhões, equivalente a 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado ficou 0,16 ponto percentual acima do saldo acumulado até abril.
O BC informou ainda que os juros nominais do setor público somaram R$ 107,5 bilhões em maio, ante R$ 92,1 bilhões no mesmo mês de 2025. Segundo a autoridade monetária, a alta foi influenciada pelo aumento do estoque da dívida líquida no período.
Em 12 meses, os juros nominais chegaram a R$ 1,111 trilhão, ou 8,48% do PIB. No mesmo período encerrado em maio de 2025, somavam R$ 946,1 bilhões, ou 7,74% do PIB.
Com o resultado primário e os juros, o déficit nominal do setor público foi de R$ 163,7 bilhões em maio. Em 12 meses, o rombo nominal chegou a R$ 1,260 trilhão, equivalente a 9,62% do PIB.
Dívida encosta em R$ 10,6 tri e acende alerta
A dívida bruta do governo geral subiu para 81,1% do PIB em maio, o equivalente a R$ 10,6 trilhões. Houve alta de 0,9 ponto percentual em relação a abril.
Segundo o BC, o avanço mensal da dívida bruta foi puxado principalmente pela incorporação dos juros nominais e pelas emissões líquidas de dívida.
A dívida líquida do setor público também subiu. O indicador atingiu 67,9% do PIB, ou R$ 8,9 trilhões, alta de 0,7 ponto percentual no mês.
O avanço da dívida em relação ao PIB ocorre em meio a projeções de alta persistente do endividamento nos próximos anos. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado, estima que a dívida bruta deve encerrar 2026 em 82,5% do PIB e continuar subindo ao longo da próxima década.
No cenário base da instituição, a dívida chegaria a 102% do PIB em 2032, avançaria para 111,6% em 2035 e alcançaria 115% em 2036. O relatório de junho foi o 1º em que a IFI apresentou projeções para o indicador até 2036.
A instituição afirma que a trajetória reflete a expectativa de déficits primários recorrentes, mesmo diante das previsões do governo de melhora das contas públicas. Pelos cálculos da IFI, seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB ao ano para estabilizar a dívida.
A IFI projeta déficit de 0,38% do PIB para o governo central em 2026 e de 0,59% em 2027. O resultado negativo aumentaria nos anos seguintes até chegar a 1,41% do PIB em 2032.
O órgão avalia que o quadro fiscal será desafiador para o próximo mandato presidencial, com dificuldade para cumprir metas e pressão crescente sobre o limite de despesas previsto no arcabouço fiscal.
“A IFI aponta, considerada a permanência das atuais diretrizes e regras orçamentárias e fiscais, um cenário preocupante e desafiador para o próximo mandato presidencial, caracterizado por déficits primários anuais permanentes e crescentes, dificuldade de cumprimento das metas fiscais e insuficiência do limite de despesas do arcabouço fiscal”, diz o relatório.
Setor público tem déficit primário de R$ 56,1 bi em maioResultado piora ante maio de 2025; dívida bruta sobe para 81,1% do PIB e acende alerta para alta de até 115% em 10 anosEconomia2026-06-30T14:13:16.007ZO setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio, informou o Banco Central nesta terça-feira (30). O resultado representa uma deterioração das contas públicas em relação ao mesmo mês de 2025, quando houve saldo negativo de R$ 33,7 bilhões. O resultado primário considera a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida pública. O dado reúne as contas do Governo Central, estados, municípios e estatais. A maior parte do rombo veio do Governo Central, que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. O grupo teve déficit de R$ 55,2 bilhões em maio. Os governos regionais, que incluem estados e municípios, registraram saldo negativo de R$ 1,2 bilhão. Estatais estaduais puxam saldo Já as empresas estatais tiveram superávit de R$ 300 milhões. Segundo a planilha do BC, elas registraram superávit primário de R$ 305,1 milhões em maio, compensando déficits de R$ 26,6 milhões nas estatais federais -recorte que exclui Petrobras e Eletrobras- e de R$ 5,2 milhões nas municipais. O BC não detalha quais empresas foram responsáveis pelo desempenho nem os fatores operacionais que explicam o saldo. Juros elevam rombo nominal No acumulado de 12 meses, o setor público consolidado teve déficit primário de R$ 149 bilhões, equivalente a 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado ficou 0,16 ponto percentual acima do saldo acumulado até abril. O BC informou ainda que os juros nominais do setor público somaram R$ 107,5 bilhões em maio, ante R$ 92,1 bilhões no mesmo mês de 2025. Segundo a autoridade monetária, a alta foi influenciada pelo aumento do estoque da dívida líquida no período. Em 12 meses, os juros nominais chegaram a R$ 1,111 trilhão, ou 8,48% do PIB. No mesmo período encerrado em maio de 2025, somavam R$ 946,1 bilhões, ou 7,74% do PIB. Com o resultado primário e os juros, o déficit nominal do setor público foi de R$ 163,7 bilhões em maio. Em 12 meses, o rombo nominal chegou a R$ 1,260 trilhão, equivalente a 9,62% do PIB. Dívida encosta em R$ 10,6 tri e acende alerta A dívida bruta do governo geral subiu para 81,1% do PIB em maio, o equivalente a R$ 10,6 trilhões. Houve alta de 0,9 ponto percentual em relação a abril. Segundo o BC, o avanço mensal da dívida bruta foi puxado principalmente pela incorporação dos juros nominais e pelas emissões líquidas de dívida. A dívida líquida do setor público também subiu. O indicador atingiu 67,9% do PIB, ou R$ 8,9 trilhões, alta de 0,7 ponto percentual no mês. O avanço da dívida em relação ao PIB ocorre em meio a projeções de alta persistente do endividamento nos próximos anos. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado, estima que a dívida bruta deve encerrar 2026 em 82,5% do PIB e continuar subindo ao longo da próxima década. No cenário base da instituição, a dívida chegaria a 102% do PIB em 2032, avançaria para 111,6% em 2035 e alcançaria 115% em 2036. O relatório de junho foi o 1º em que a IFI apresentou projeções para o indicador até 2036. A instituição afirma que a trajetória reflete a expectativa de déficits primários recorrentes, mesmo diante das previsões do governo de melhora das contas públicas. Pelos cálculos da IFI, seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB ao ano para estabilizar a dívida. A IFI projeta déficit de 0,38% do PIB para o governo central em 2026 e de 0,59% em 2027. O resultado negativo aumentaria nos anos seguintes até chegar a 1,41% do PIB em 2032. O órgão avalia que o quadro fiscal será desafiador para o próximo mandato presidencial, com dificuldade para cumprir metas e pressão crescente sobre o limite de despesas previsto no arcabouço fiscal. “A IFI aponta, considerada a permanência das atuais diretrizes e regras orçamentárias e fiscais, um cenário preocupante e desafiador para o próximo mandato presidencial, caracterizado por déficits primários anuais permanentes e crescentes, dificuldade de cumprimento das metas fiscais e insuficiência do limite de despesas do arcabouço fiscal”, diz o relatório.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/setor-publico-tem-deficit-primario-de-r-56-1-bi-em-maio
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