Economia

Presidente dos Correios vai à Itália buscar saída para crise bilionária

Modelo de reestruturação da Poste Italiane agradou a Lula, que resiste a privatizações

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Eduardo Gayer
03/03/2026, 14:25 • Atualizado em 03/03/2026, 14:25
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Correios | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Correios | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em busca de soluções para a crise bilionária dos Correios, o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, estará na Itália entre 5 e 7 de março para uma série de reuniões com a Poste Italiane, operadora postal do país europeu. Foi o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quem determinou a troca de experiências com a companhia, que conseguiu reverter prejuízos ao abrir capital na bolsa, em 2015.

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Os Correios têm um déficit projetado de R$ 9,1 bilhões neste ano e já contrataram R$ 12 bilhões em empréstimos com bancos do País. De acordo com comunicado a funcionários da estatal obtido pela coluna, a viagem “busca identificar práticas e possibilidades de negócios que possam fortalecer a competitividade e ampliar fontes de receita”. O ministro das Comunicações, Frederico Filho, integra a comitiva.

Lula abriu as portas para Rondon na Itália durante visita a Roma, em outubro do ano passado. Na ocasião, reuniu-se com o CEO da Poste Italiane, Matteo del Fante, e conheceu um formato de reestruturação que o agradou. Para sair do vermelho, a companhia realizou uma oferta pública de ações (IPO) e hoje é superavitária. Ainda assim, o governo italiano mantém a maior parte das ações e segue como acionista controlador.

O modelo evita a privatização completa, rechaçada por Lula, que logo no primeiro mês de mandato retirou os Correios do programa de desestatização promovido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O petista, porém, não se opõe a empresas de economia mista, como a Petrobras, desde que o governo mantenha o controle acionário.

Ainda tratado como uma hipótese nos bastidores do Palácio do Planalto, um eventual IPO dos Correios, no entanto, seria medida de médio prazo. De imediato, a estatal trabalha para reforçar o caixa e buscar novas fontes de receita antes de uma oferta estruturada, evitando a venda de papéis a preços depreciados.

O interesse de Lula pela solução italiana foi manifestado ainda em outubro, após a reunião com del Fante. “Disse a ele que gostaria imensamente de conhecer a experiência bem-sucedida deles na recuperação do Correio na Itália. Então, possivelmente, haverá um encontro no Brasil ou alguém do Brasil virá à Itália”, afirmou o presidente na ocasião.

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