Pobreza na Argentina sobe a 32,3% no primeiro semestre
Indicador oficial avançou em relação aos 28,2% registrados no semestre anterior; índice testa apoio a Milei antes das eleições de 2027, dizem especialistas
Reuters
Milei durante sua posse
A pobreza na Argentina atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC). No
O resultado interrompe parte da queda registrada durante 2025 e representa um novo desafio para o presidente Javier Milei, cuja política econômica prioriza o equilíbrio das contas públicas e o controle da inflação.
A Universidade Católica da Argentina (UCA), que acompanha indicadores sociais e produz estimativas próprias, avalia que a pobreza pode chegar a 35% até o fim do ano. Essa projeção não substitui a medição oficial do INDEC.
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Agustín Salvia, diretor do Observatório da Dívida Social da UCA, estimou que atualmente a taxa está entre 31% e 32%.
“Em cada trimestre, nos últimos quatro trimestres, entre 400 mil e 450 mil pessoas caíram na pobreza”, afirmou Salvia, segundo a Reuters.
Se a projeção da UCA se confirmar, a taxa ainda ficará abaixo dos níveis registrados no primeiro ano de governo de Milei, mas indicará uma reversão parcial da melhora observada em 2025.
Queda da inflação não se traduziu em melhora contínua
O governo de Milei reduziu a inflação e adotou medidas para estabilizar as contas públicas. Analistas, porém, afirmam que a desaceleração dos preços pode não ser suficiente para sustentar novos avanços sociais caso salários e empregos não acompanhem o custo de vida.
“Um aumento modesto da pobreza não anularia a grande redução observada sob o governo de Milei, mas sugeriria que a parte mais fácil da melhora já chegou ao fim”, disse Nicholas Watson, diretor-gerente para a América Latina da consultoria Teneo.
O desemprego subiu para 7,9% no segundo trimestre de 2026, ante 7,6% no mesmo período do ano anterior. Watson também apontou queda do emprego privado por 13 meses consecutivos e uma recuperação limitada da renda familiar.
Em bairros da região metropolitana de Buenos Aires, moradores têm recorrido a clubes de troca para obter alimentos e outros produtos sem usar dinheiro.
Ana Barreto, professora que organizou um clube em Villa Astolfi, disse que itens como óleo, açúcar, farinha e macarrão estão entre os mais procurados. Os produtos são trocados por roupas usadas e utensílios domésticos.
Gustavo Raúl Pérez, proprietário de uma loja de ferragens em San Fernando, relatou queda nas vendas. Segundo ele, clientes têm dificuldade para comprar itens que antes eram mais acessíveis.
Os relatos ilustram dificuldades enfrentadas por algumas famílias e comerciantes, mas não substituem os indicadores estatísticos nacionais.
Milei perde apoio entre eleitores de baixa renda
Pesquisas citadas pela Reuters indicam desgaste na aprovação do presidente entre entrevistados de baixa renda. Uma pesquisa da AtlasIntel realizada em setembro apontou que a desaprovação nesse grupo se aproximava de 70%, enquanto a aprovação ficava abaixo de 30%.
No levantamento, pessoas de baixa renda foram definidas como aquelas com renda mensal de até cerca de US$ 650. Em uma pesquisa realizada um ano antes, a desaprovação era de 57% e a aprovação, de 37%.
No resultado nacional citado, 58% desaprovavam Milei e 38,1% o aprovavam. Os números refletem as respostas dos entrevistados no período da pesquisa e não determinam, por si só, o resultado da eleição presidencial de 2027.
A gestão Milei afirma que a austeridade é necessária para eliminar déficits fiscais persistentes, estabilizar as contas públicas e criar condições para um crescimento econômico sustentável.
O governo também rejeita aumentar gastos ou renovar subsídios com o objetivo de responder à pressão eleitoral. Um porta-voz disse à Reuters que Milei não pretende alterar o programa econômico para ganhar votos.
A política inclui cortes nos salários do setor público, redução de subsídios ao transporte e aos serviços públicos e flexibilização das regras de importação. Essas medidas têm pressionado famílias e setores voltados ao mercado interno.
Disputa econômica deve pesar na eleição
Milei chegou à Presidência no fim de 2023 com apoio de eleitores de baixa e média renda, insatisfeitos com a inflação elevada. A alta recente da pobreza e as dificuldades relatadas por trabalhadores e comerciantes podem testar essa base de apoio antes da eleição prevista para 2027.
O alcance desse desgaste, contudo, dependerá da evolução dos salários, do emprego, dos preços e da atividade econômica nos próximos meses.
Fontes: Reuters e Associated Press.
Palavras-chave: Argentina, pobreza, INDEC, Javier Milei, UCA, inflação, desemprego, emprego, salários, austeridade, renda familiar, eleição de 2027, economia argentina.
Pobreza na Argentina sobe a 32,3% no primeiro semestreIndicador oficial avançou em relação aos 28,2% registrados no semestre anterior; índice testa apoio a Milei antes das eleições de 2027, dizem especialistasEconomia2026-09-25T02:01:58.768ZA pobreza na Argentina atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC). No O resultado interrompe parte da queda registrada durante 2025 e representa um novo desafio para o presidente Javier Milei, cuja política econômica prioriza o equilíbrio das contas públicas e o controle da inflação. A Universidade Católica da Argentina (UCA), que acompanha indicadores sociais e produz estimativas próprias, avalia que a pobreza pode chegar a 35% até o fim do ano. Essa projeção não substitui a medição oficial do INDEC. Agustín Salvia, diretor do Observatório da Dívida Social da UCA, estimou que atualmente a taxa está entre 31% e 32%. “Em cada trimestre, nos últimos quatro trimestres, entre 400 mil e 450 mil pessoas caíram na pobreza”, afirmou Salvia, segundo a Reuters. Se a projeção da UCA se confirmar, a taxa ainda ficará abaixo dos níveis registrados no primeiro ano de governo de Milei, mas indicará uma reversão parcial da melhora observada em 2025. Queda da inflação não se traduziu em melhora contínua O governo de Milei reduziu a inflação e adotou medidas para estabilizar as contas públicas. Analistas, porém, afirmam que a desaceleração dos preços pode não ser suficiente para sustentar novos avanços sociais caso salários e empregos não acompanhem o custo de vida. “Um aumento modesto da pobreza não anularia a grande redução observada sob o governo de Milei, mas sugeriria que a parte mais fácil da melhora já chegou ao fim”, disse Nicholas Watson, diretor-gerente para a América Latina da consultoria Teneo. O desemprego subiu para 7,9% no segundo trimestre de 2026, ante 7,6% no mesmo período do ano anterior. Watson também apontou queda do emprego privado por 13 meses consecutivos e uma recuperação limitada da renda familiar. Em bairros da região metropolitana de Buenos Aires, moradores têm recorrido a clubes de troca para obter alimentos e outros produtos sem usar dinheiro. Ana Barreto, professora que organizou um clube em Villa Astolfi, disse que itens como óleo, açúcar, farinha e macarrão estão entre os mais procurados. Os produtos são trocados por roupas usadas e utensílios domésticos. Gustavo Raúl Pérez, proprietário de uma loja de ferragens em San Fernando, relatou queda nas vendas. Segundo ele, clientes têm dificuldade para comprar itens que antes eram mais acessíveis. Os relatos ilustram dificuldades enfrentadas por algumas famílias e comerciantes, mas não substituem os indicadores estatísticos nacionais. Milei perde apoio entre eleitores de baixa renda Pesquisas citadas pela Reuters indicam desgaste na aprovação do presidente entre entrevistados de baixa renda. Uma pesquisa da AtlasIntel realizada em setembro apontou que a desaprovação nesse grupo se aproximava de 70%, enquanto a aprovação ficava abaixo de 30%. No levantamento, pessoas de baixa renda foram definidas como aquelas com renda mensal de até cerca de US$ 650. Em uma pesquisa realizada um ano antes, a desaprovação era de 57% e a aprovação, de 37%. No resultado nacional citado, 58% desaprovavam Milei e 38,1% o aprovavam. Os números refletem as respostas dos entrevistados no período da pesquisa e não determinam, por si só, o resultado da eleição presidencial de 2027. A gestão Milei afirma que a austeridade é necessária para eliminar déficits fiscais persistentes, estabilizar as contas públicas e criar condições para um crescimento econômico sustentável. O governo também rejeita aumentar gastos ou renovar subsídios com o objetivo de responder à pressão eleitoral. Um porta-voz disse à Reuters que Milei não pretende alterar o programa econômico para ganhar votos. A política inclui cortes nos salários do setor público, redução de subsídios ao transporte e aos serviços públicos e flexibilização das regras de importação. Essas medidas têm pressionado famílias e setores voltados ao mercado interno. Disputa econômica deve pesar na eleição Milei chegou à Presidência no fim de 2023 com apoio de eleitores de baixa e média renda, insatisfeitos com a inflação elevada. A alta recente da pobreza e as dificuldades relatadas por trabalhadores e comerciantes podem testar essa base de apoio antes da eleição prevista para 2027. O alcance desse desgaste, contudo, dependerá da evolução dos salários, do emprego, dos preços e da atividade econômica nos próximos meses. Fontes: Reuters e Associated Press. Palavras-chave: Argentina, pobreza, INDEC, Javier Milei, UCA, inflação, desemprego, emprego, salários, austeridade, renda familiar, eleição de 2027, economia argentina.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/pobreza-na-argentina-sobe-a-32-3-no-primeiro-semestre