MP pede que TCU investigue participação de autoridades em festas de Vorcaro
Representação cita possível conexão com desdobramentos do caso Banco Master e fala em “risco sistêmico” à confiança nas instituições

Caio Barcellos
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) apresentou, em 29 de janeiro, representação com pedido de medida cautelar para que a Corte apure a eventual participação de autoridades públicas federais em eventos realizados na casa de veraneio de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em Trancoso (BA).
A iniciativa é do subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado. No documento, ele solicita a abertura de processo para identificar "autoridades públicas federais [...], incluindo procuradores, magistrados e outros agentes públicos" que teriam participado das festas conhecidas como "Cine Trancoso".
A representação afirma que o suposto envolvimento de integrantes da alta cúpula dos Três Poderes pode representar "risco sistêmico para a confiança nas instituições públicas". O texto sustenta que a gravidade dos fatos exige apuração rigorosa por parte do tribunal, responsável pelo controle externo da administração pública federal.
O pedido se baseia em reportagens publicadas por veículos como Valor Econômico, O Globo e pela revista digital Liberta. As matérias relatam a realização de encontros privados na residência de Vorcaro, com a presença de nomes do mercado financeiro, da política e do meio jurídico.
Conforme o material reproduzido na peça encaminhada ao TCU, os eventos teriam ocorrido sob rígido controle de acesso, com restrição ao uso de celulares e adoção de medidas de segurança. As reportagens também mencionam a existência de gravações feitas por circuito interno de câmeras na residência.
"Reforço que a gravidade dos fatos narrados não pode ser subestimada. A possibilidade de envolvimento de autoridades de alta cúpula em eventos que podem estar relacionados a um escândalo financeiro de grandes proporções representa um risco sistêmico para a confiança nas instituições públicas", justifica o documento.
O MP requer que o TCU identifique os agentes públicos que participaram dos eventos, verifique se houve envolvimento de órgãos ou entidades federais na promoção ou no financiamento das festas e avalie possíveis consequências financeiras ou administrativas para instituições como Banco do Brasil, Banco de Brasília (BRB) e BNDES. Também pede a adoção de medida cautelar para preservar provas e, ao final da apuração, o envio dos resultados ao presidente do Congresso Nacional.
O TCU ainda não deliberou sobre a abertura formal do processo.
A reportagem procurou a defesa de Daniel Vorcaro para comentar o teor da representação apresentada ao TCU, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para eventual manifestação.








