Lula cita distância e defende extração de petróleo no Amapá
Presidente afirma que poço fica a mais de 500 km da Foz do Amazonas; Petrobras ainda avalia volume e viabilidade da atividade no local

O presidente Lula (PT) disputará sua sétima eleição a presidente | Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender nesta segunda-feira (17) a exploração de petróleo na costa do Amapá e destacou a distância entre o poço perfurado pela Petrobras e a foz do rio Amazonas.
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Durante visita à sonda responsável pela descoberta de petróleo no poço Morpho, Lula afirmou que a atividade ocorre a mais de 500 quilômetros da desembocadura do rio e rejeitou a ideia de que a pesquisa esteja sendo feita no ambiente amazônico em terra.
“Eu pensei que a gente tinha que derrubar uma árvore para a gente poder tirar petróleo lá. Mas a gente sabe que a distância é mais de 500 quilômetros da Foz do Amazonas. Eu venho pra cá e ando 175 quilômetros de helicóptero mar a dentro”, afirmou o presidente.
O argumento já vinha sendo usado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), um dos principais defensores da exploração dentro do governo.
Em 2025, Silveira chegou a criticar o nome “Foz do Amazonas” dado à bacia sedimentar pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e afirmou que a perfuração estava distante da desembocadura do rio.
O poço Morpho está localizado no bloco FZA-M-59, a cerca de 500 quilômetros da foz do rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma lâmina d'água de 2.886 metros.
Na sexta-feira (14), a Petrobras havia informado a identificação de hidrocarbonetos, o que poderia indicar petróleo ou gás natural. Nesta segunda, a estatal confirmou que a descoberta é de petróleo.
Contudo, isso ainda não significa que o óleo poderá ser produzido comercialmente, já que a Petrobras precisa concluir a perfuração, prevista para os próximos 15 a 20 dias, e depois delimitar a área para estimar o volume existente no reservatório e avaliar sua viabilidade econômica.
Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, a companhia também aguarda licença ambiental para perfurar outros três poços no mesmo bloco e prevê novas perfurações em áreas próximas, que ajudarão a dimensionar o potencial petrolífero da região.
“Tudo indica que vai ser bom [no poço de Morpho], nós estamos extremamente otimistas. Tem petróleo, tem descoberta. Ainda não sabemos quanto. Vamos continuar investindo, explorando e o futuro vai dizer quanto o Amapá pode nos oferecer”, afirmou.
A visita de Lula ocorre depois de anos de divergências dentro do governo sobre a exploração da região. Em maio de 2023, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negou a licença para a perfuração do FZA-M-59 por questões ambientais. A Petrobras recorreu e apresentou novos estudos e medidas de resposta a emergências.
O impasse colocou Lula e integrantes da área energética de um lado e o setor ambiental do governo de outro. Em fevereiro de 2025, o presidente chegou a afirmar que o Ibama parecia ser “contra o governo” diante da demora na análise do pedido.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), por sua vez, sustentou que não cabia à pasta interferir no licenciamento, e que a decisão deveria obedecer a critérios técnicos e à legislação ambiental.
O Ibama autorizou a perfuração em outubro de 2025, depois de a Petrobras passar por uma Avaliação Pré-Operacional destinada a testar sua capacidade de resposta a um eventual acidente. A licença concedida permite a pesquisa exploratória no poço e não autoriza, por si só, a futura produção comercial de petróleo.
Nesta segunda-feira, Lula tratou a descoberta como uma confirmação de sua defesa da pesquisa na região. O presidente afirmou que decidiu apoiar a prospecção mesmo diante das críticas de quem defendia que, às vésperas da COP30, o Brasil deveria concentrar seu discurso no abandono dos combustíveis fósseis.














