Economia

Ibovespa tem maior alta semanal em 6 anos e bate recorde

O dólar fechou em queda de 0,79% nesta sexta-feira, cotado a R$ 4,985, acumulando queda de 4,43% frente ao real

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Foto: Cris Faga/NurPhoto/Getty Images

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O Ibovespa fechou em alta de 1,38% nesta sexta-feira, 9, aos 209.066,90 pontos, renovando os recordes de máxima intradiária e de fechamento. O principal índice da B3 oscilou entre 206.237,55 e 209.713,45 pontos, a maior máxima da história, e movimentou R$ 39,4 bilhões.

Na semana, acumulou valorização de 8,82%, impulsionado pelo otimismo com o cenário eleitoral e pela expectativa de mudanças na condução da política econômica a partir do próximo ano.

O avanço semanal foi o terceiro maior desde janeiro de 2020, segundo levantamento da Elos Ayta, atrás apenas das altas registradas nas semanas encerradas em 27 de março e 10 de abril daquele ano, durante a turbulência provocada pela pandemia de Covid-19.

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O índice também superou seu recorde histórico em termos reais, corrigido pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O patamar anterior havia sido registrado em 20 de maio de 2008, equivalente a 202.913 pontos em valores atualizados. O Ibovespa ultrapassou essa marca em 5 de outubro e encerrou esta sexta-feira cerca de 3,03% acima do antigo recorde real, que resistiu por mais de 18 anos.

Na sessão, Petrobras, bancos e Vale fecharam no campo positivo. Das 76 ações que compõem o Ibovespa, 50 terminaram o dia em alta.

A MRV (MRVE3) liderou os ganhos, com valorização de 21,62%. Magazine Luiza (MGLU3) subiu mais de 19%, enquanto Lojas Renner (LREN3) avançou 11,56%. Cury (CURY3) ganhou 9,66% e Cogna (COGN3), 8,53%.

Na ponta negativa, Telefônica Brasil (VIVT3) registrou a maior queda do índice, de 5,25%, seguida por TIM (TIMS3), que recuou 4,18%. As ações das duas operadoras foram pressionadas pela notícia de que a SpaceX, empresa de Elon Musk, anunciou um acordo para adquirir um portfólio de frequências de 800 megahertz (MHz) nos Estados Unidos. A operação, sujeita à aprovação regulatória, reforçou as preocupações sobre a possível expansão da companhia para o mercado de telecomunicações.

Dólar fecha abaixo de R$ 5 e cai 4,43% na semana

O dólar à vista fechou em queda de 0,79% nesta sexta-feira, cotado a R$ 4,985, após oscilar entre R$ 4,976 e R$ 5,009. Na semana, a moeda americana acumulou desvalorização de 4,43%, em meio ao aumento do apetite por ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições presidenciais.

O movimento cambial acompanhou o otimismo dos investidores com a possibilidade de uma mudança de governo e de alterações na condução da política fiscal. A desvalorização do dólar, porém, também representa um fator de pressão para empresas exportadoras, como a Vale, cuja receita é majoritariamente vinculada à moeda americana.

Otimismo eleitoral sustenta a bolsa, apesar da inflação acima do esperado

O mercado continuou a repercutir as pesquisas eleitorais para o segundo turno da disputa presidencial, marcado para 25 de outubro. O levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nesta sexta-feira mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 51,1% das intenções de voto, ante 45,7% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Considerando apenas os votos válidos, Flávio aparece com 52,8%, contra 47,2% de Lula.

Na quinta-feira, 8, o Datafolha também apontou vantagem de Flávio, com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula. Já a pesquisa Vox divulgada nesta sexta-feira apresentou um cenário diferente: Lula aparece com 44,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,7% de Flávio.

A divergência entre os levantamentos, porém, não impediu o avanço da bolsa. Para Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, as pesquisas têm perdido influência sobre os preços dos ativos diante dos erros registrados por parte dos institutos no primeiro turno.

“Essas pesquisas estão caindo em um pouco de certo descrédito. A bolsa segue com o otimismo eleitoral do Flávio ser eleito”, afirma.

Na avaliação do economista, o mercado está olhando mais para a composição política que pode se formar em torno de Flávio do que para os levantamentos isoladamente. O apoio de candidatos de outras correntes políticas e os resultados das eleições para o Congresso também entram nas expectativas dos investidores.

Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, avaliou que a pesquisa Vox praticamente não teve efeito sobre os ativos, por destoar do cenário que vinha sendo incorporado aos preços. Segundo ele, a bolsa e os contratos futuros de juros já apresentavam desempenho positivo antes da abertura do mercado à vista, em meio à repercussão dos levantamentos AtlasIntel e Datafolha.

"Essa pesquisa da Vox veio totalmente ao contrário do que todo mundo está acreditando e precificando no mercado", afirmou.

Para o analista, o IPCA acima do esperado teve impacto mais perceptível sobre o mercado durante a manhã, ao reduzir parte do impulso inicial. No decorrer da sessão, porém, os ativos voltaram a ganhar força.

IPCA acima do esperado não impede alta da bolsa

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira, subiu 0,82% em setembro, após recuo de 0,32% em agosto. O resultado ficou acima da expectativa de 0,73% do mercado.

Com isso, a inflação acumulada chegou a 3,95% no ano e a 4,58% em 12 meses, ante 4,22% no período anterior. Os nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram aumento de preços, com destaque para Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas.

Apesar da surpresa inflacionária, o indicador não impediu o avanço dos ativos brasileiros. Segundo Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, a expectativa de mudanças na condução da economia após as eleições ajudou a sustentar o movimento.

“Mesmo com o IPCA saindo hoje acima do esperado, os juros futuros e o dólar recuam pelo otimismo com o Brasil e medidas que podem ser realizadas em uma possível troca de governo”, afirma.

Bento também destaca o comportamento dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries. A queda dos rendimentos desses papéis favorece a redução dos juros futuros no Brasil e contribui para o apetite por ativos de mercados emergentes.

“O dólar cai acompanhando os juros futuros e é um sinal claro de que o mundo está de olho e querendo comprar o risco dos emergentes, principalmente do Brasil”, diz.

Small caps lideram ganhos com expectativa de juros menores

As ações mais sensíveis à atividade doméstica e ao custo do crédito estiveram entre os destaques da semana. Empresas de construção civil e varejo, em particular, se beneficiaram da expectativa de um ambiente de juros mais baixos à frente.

Para Bento, o movimento reflete a procura por empresas que podem se beneficiar de uma eventual redução dos juros no Brasil. O especialista também destacou a MRV, após informações sobre forte geração de caixa no terceiro trimestre de 2026.

“De todas as altas da semana, as empresas mais sensíveis à queda de juros, as small caps, ganharam destaque”, afirma.

Na direção oposta, além das operadoras de telecomunicações, empresas que não acompanharam o rali eleitoral tiveram desempenho mais fraco. Bento observa que a Vale não se beneficiou na mesma intensidade da valorização dos ativos domésticos, em parte pela queda do dólar e pelo cenário desfavorável para o minério de ferro.

Segundo ele, a commodity enfrenta pressão da demanda mais fraca por aço na China e da expectativa de aumento da oferta global.

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