Economia

Ibovespa sobe forte e volta aos 198 mil após Irã anunciar abertura de Ormuz

Em publicação na rede X, nesta sexta-feira, 17, o ministro do Irã afirmou que a passagem para todos os navios comerciais está completamente liberada

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Ibovespa fecha em queda e dólar se mantém estável pelo 3º dia | Reprodução

O Ibovespa abriu as negociações desta sexta-feira (17), em forte alta, sustentado por um ambiente externo mais favorável e pela redução das tensões no Oriente Médio. Às 10h14, o principal índice da bolsa brasileira avançava 0,83%, aos 198.449 pontos, após duas sessões consecutivas de queda, em um movimento que reacende a expectativa de retomada da trajetória rumo ao patamar inédito dos 200 mil pontos.

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O clima positivo já predominava nos mercados desde as primeiras horas do dia, com investidores reagindo às negociações entre Estados Unidos e Irã.

O impulso, no entanto, ganhou força pouco antes da abertura da bolsa, quando o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, anunciou a reabertura do Estreito de Hormuz durante o período de cessar-fogo envolvendo o Líbano.

Em publicação na rede X (antigo Twitter), Araghchi afirmou que a passagem para todos os navios comerciais está completamente liberada.

"Em conformidade com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Hormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã", escreveu.

Alívio geopolítico impulsiona apetite por risco

A medida representa um alívio relevante para o mercado global de energia. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, centenas de petroleiros e outras embarcações estavam retidos na região, deixando cerca de 20 mil marinheiros presos no Golfo Pérsico, segundo informações de agências internacionais.

O bloqueio havia impulsionado os preços do petróleo e ampliado preocupações com a inflação global. Com a reabertura de Ormuz, o preço do petróleo passou a recuar de forma expressiva. O Brent, referência internacional, caía 8,61%, com o barril cotado a US$ 90,63, enquanto o WTI para maio e junho recuava mais de 9%, sendo negociado na faixa dos US$ 80.

O alívio no cenário externo também se refletia no câmbio. No mesmo horário, o dólar ampliava as perdas frente ao real, com queda de 0,83%, a R$ 4,951.

Mais cedo, o pano de fundo já era construtivo para os ativos de risco, embora ainda marcado por cautela.

Na Ásia, prevaleceu a realização de lucros após o rali recente. O Nikkei 225 devolveu parte dos ganhos depois de atingir máxima histórica, enquanto Shanghai Composite, Hang Seng, Kospi e S&P/ASX 200 fecharam no campo negativo, com maior fraqueza no setor de tecnologia e postura mais defensiva diante das incertezas geopolíticas.

Na Europa, o tom era mais resiliente, com bolsas entre estabilidade e leve alta, apoiadas na perspectiva de descompressão do risco energético. Já nos Estados Unidos, os futuros de S&P 500, Nasdaq e Dow Jones avançavam moderadamente, refletindo a combinação de petróleo em queda, temporada de balanços robusta e a percepção de que o estresse geopolítico pode não escalar no curto prazo.

Nesse contexto, o mercado segue calibrando dois vetores principais: de um lado, a trégua de 10 dias entre Israel e Líbano, as sinalizações de concessões do Irã e as tentativas de mediação internacional ajudam a reduzir o prêmio de risco; de outro, a incerteza sobre a durabilidade desse cessar-fogo ainda limita movimentos mais contundentes dos ativos.

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