Ibovespa fecha em leve queda e dólar vai a R$ 5,18
As bolsas de Nova York recuperaram parte das perdas registradas na sessão anterior e encerraram o pregão desta segunda-feira em direções opostas


B3 | Germano Lüders/Exame
Após um dia de forte volatilidade para os ativos brasileiros, Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira, 8, em leve queda de 0,21%, aos 168.668,72 pontos. O principal índice acionário da B3 oscilou entre a mínima de 168.129,61 pontos e a máxima de 169.645,78 pontos, enquanto o volume financeiro negociado somou R$ 20,7 bilhões.
Já o dólar à vista avançou pela terceira sessão consecutiva e fechou em alta de 0,45%, cotado a R$ 5,1803. Trata-se do patamar mais alto desde o dia 30 de março, quando a moeda americana encerrou cotada a R$ 5,252.
Ao longo do pregão desta segunda, a moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,1335 e R$ 5,1951, em um ambiente marcado pela busca por proteção diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela expectativa de juros elevados nos Estados Unidos por mais tempo.
O pregão foi marcado por cautela dos investidores, que seguiram ajustando posições após a forte volatilidade observada nos mercados globais nos últimos dias. No Brasil, o mercado também repercutiu a nova edição do Boletim Focus, que elevou as projeções para a Selic, inflação e crescimento econômico em 2026.
A maior parte das blue chips, ações de grande peso no índice, fecharam em queda, principalmente os bancos. As preferenciais do Bradesco (BBDC4) recuaram 1,55%, assim como as preferenciais do Itaú (ITUB4), que caíram 0,80%.
O Banco do Brasil (BBAS3) também recuou 0,37%, acompanhando ainda das units do BTG (BPAC11), que cederam 0,30%. Já as units do Santander (SANB11) foram uma exceção, com alta de 0,19%.
Os papéis da Vale (VALE3) também caíram 0,80%, em linha com o minério de ferro, que cedeu 0,78%. Por outro lado, os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) avançaram 0,72% e 0,81%, respectivamente. acompanhando a alta do petróleo.
Para Fabio Louzada, economista, planejador financeiro e fundador da B7 Business School, "o movimento mostra que o investidor está sem apetite ao risco".
Segundo o especialista, o mercado ainda não demonstra convicção suficiente para ampliar posições em ativos brasileiros.
"Mesmo quando surgem momentos de recuperação ao longo do dia, o fluxo comprador ainda é insuficiente para sustentar uma retomada consistente da Bolsa", diz.
Louzada destaca que os investidores seguem atentos aos desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos e à trajetória dos juros norte-americanos. A perspectiva de taxas elevadas por mais tempo fortalece o dólar globalmente e reduz o interesse por mercados emergentes, ajudando a explicar a valorização da moeda americana frente ao real ao longo da sessão.
"O mercado continua operando muito mais pela aversão ao risco do que por uma deterioração concreta dos fundamentos econômicos. O investidor ainda procura gatilhos para voltar a assumir posições mais relevantes em Bolsa", afirma.
Dólar avança com fortalecimento global da moeda americana
Na avaliação de Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, o desempenho recente do câmbio está ligado principalmente à mudança de percepção sobre a política monetária dos Estados Unidos.
Segundo Quartaroli, até abril o real vinha se destacando entre as moedas emergentes, beneficiado pelo elevado diferencial de juros do Brasil. No entanto, dados mais fortes de inflação, atividade econômica e mercado de trabalho nos Estados Unidos levaram os investidores a reduzirem as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve, fortalecendo o dólar globalmente.
“A moeda americana voltou a ganhar força de forma global e parte da valorização que o real vinha acumulando desde o início do ano foi revertida”, afirma.
Apesar disso, Quartaroli pondera que o real não está entre as moedas mais penalizadas. De acordo com a economista, a depreciação recente da moeda brasileira está em linha com a observada em outros mercados emergentes mais sensíveis ao apetite global por risco e ao comportamento das commodities.
Bolsas de Nova York encerram sem sinal único
As bolsas de Nova York recuperaram parte das perdas registradas na sessão anterior e encerraram o pregão desta segunda-feira em direções opostas. O movimento foi sustentado principalmente pela forte recuperação das empresas de tecnologia, enquanto as incertezas geopolíticas limitaram um avanço mais amplo dos índices.
O Dow Jones fechou em queda de 0,16%, aos 50.786,01 pontos. Já o S&P 500 avançou 0,30%, aos 7.405,68 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 0,86%, encerrando aos 25.929,66 pontos.
O setor de tecnologia liderou os ganhos, com alta de 1,47%. Entre os destaques estiveram Micron Technology (+9,87%), Intel (+11,11%), Marvell (+9,63%) e Nvidia (+1,73%), em um movimento de recuperação após as fortes perdas observadas na semana passada.
Apesar da melhora dos índices, os investidores continuaram monitorando os desdobramentos no Oriente Médio. Embora Irã e Israel tenham reduzido a intensidade dos confrontos, a percepção de risco na região segue elevada e continua influenciando os preços de ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro americano.















