Economia

Ibovespa cai pelo 2º dia após rali eleitoral

As bolsas de Wall Street também terminaram a quarta-feira em baixa; dólar volta a R$ 5,00

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Ibovespa: o principal índice acionário da B3 | Germano Lüders/Exame

Ibovespa: o principal índice acionário da B3 | Germano Lüders/Exame

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (7), devolvendo parte dos ganhos acumulados no início da semana, em um movimento de realização e maior cautela dos investidores. O principal índice da B3 recuou 0,74%, aos 204.302,33 pontos, após oscilar entre 204.176,12 e 206.877,47 pontos. O volume financeiro somou R$ 40,3 bilhões.

A queda foi pressionada principalmente por Vale (VALE3), que recuou 2,30%, e pelo setor financeiro, com todos os bancos encerrando o pregão no campo negativo. Na outra ponta, Petrobras ajudou a limitar a baixa do índice. As ações ordinárias (PETR3) subiram 1,25%, enquanto as preferenciais (PETR4) avançaram 0,95%.

Entre as ações mais ligadas à economia doméstica, Magazine Luiza (MGLU3), Tenda (TEND3), Cury (CURY3) e Marfrig (MBRF3) ficaram entre os destaques positivos da sessão.

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Apesar da baixa desta quarta-feira, o Ibovespa segue em patamar elevado após a forte valorização registrada no início da semana, quando os ativos brasileiros reagiram ao resultado do primeiro turno das eleições e à percepção de um cenário potencialmente mais favorável para a agenda econômica.

Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o movimento desta quarta-feira representa uma acomodação após o forte rali dos primeiros dias de outubro. "O Ibovespa encerrou o dia em tom de consolidação e cautela, sustentando os patamares elevados conquistados no início da semana", afirma.

Segundo Nossig, os investidores passaram a adotar uma postura mais seletiva, com atenção voltada aos balanços corporativos e à pauta fiscal, enquanto o fluxo estrangeiro continua dando suporte aos ativos brasileiros.

Dólar sobe com exterior e cenário político doméstico

O dólar à vista fechou em alta de 0,70% diante do real, a R$ 5,011, após oscilar entre R$ 4,982 e R$ 5,016. A moeda acompanhou a valorização do dólar no exterior, enquanto investidores também monitoraram o cenário político e econômico doméstico.

No ambiente externo, a ata da reunião de setembro do Federal Reserve trouxe uma sinalização mais dura do que a esperada por parte dos dirigentes. Embora o mercado já considere provável a manutenção dos juros americanos neste mês, o documento mostrou que os membros do banco central seguem divididos sobre os próximos passos e que parte deles ainda vê espaço para uma nova alta dos juros neste ano.

No Brasil, declarações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também contribuíram para a alta do dólar no fim do pregão. Ele indicou que a tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6x1 pode ser acelerada caso um senador apresente requerimento nesse sentido e o pedido seja aprovado pelo plenário.

Rebecca Nossig avalia que o câmbio também passou por um movimento de acomodação. "Essa acomodação demonstra a menor volatilidade no ambiente doméstico e a manutenção do apetite de estrangeiros por ativos locais", afirma.

Wall Street fecha em queda

As bolsas americanas terminaram o dia em baixa, pressionadas pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pela expectativa em torno da ata do Federal Reserve.

O Dow Jones recuou 0,66%, aos 51.179,87 pontos. O S&P 500 caiu 0,22%, aos 7.801,77 pontos, enquanto o Nasdaq perdeu 0,22%, aos 27.538,69 pontos.

Os juros dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos permaneceram no radar dos investidores, que avaliaram as indicações do Fed sobre a trajetória da política monetária.

Para Nossig, o desempenho mais contido de Wall Street refletiu justamente esse ambiente de espera. "Os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones oscilaram próximos da estabilidade, refletindo uma postura de espera dos investidores globais em relação à trajetória dos juros nos Estados Unidos", diz.

Petróleo recua apesar de novas tensões no Oriente Médio

Os contratos futuros de petróleo terminaram a sessão em queda, com o mercado avaliando a recuperação da oferta na região do Oriente Médio. Dados recentes indicam que a produção e as exportações locais voltaram a níveis próximos dos observados antes da guerra, reduzindo parte do prêmio de risco sobre a commodity.

O petróleo Brent para dezembro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 0,38%, a US$ 100,20 por barril. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para novembro caiu 1,30%, a US$ 88,28.

A queda ocorreu mesmo com novos episódios de tensão na região, incluindo relatos de ataques envolvendo o Irã, os houthis e embarcações próximas ao Estreito de Ormuz. O mercado também monitorou interrupções na produção do Golfo do México provocadas por tempestades.

Apesar desses fatores, a percepção de melhora no fornecimento prevaleceu sobre os riscos de novas interrupções, levando os preços da commodity a encerrarem o dia no campo negativo.

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