Economia

Galípolo diz que não vê "ataque especulativo" na disparada do dólar

Futuro presidente do Banco Central indicado por Lula falou sobre a alta da moeda norte-americana, que chegou a R$ 6,30 nesta quinta (19)

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Yumi Kuwano
19/12/2024, 19:57 • Atualizado em 19/12/2024, 19:57
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Foto: José Cruz/Agência Brasil

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Nesta quinta-feira (19) foi realizada uma entrevista coletiva, em Brasília, com o atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e Gabriel Galípolo, que assumirá a chefia do BC em janeiro. O encontro teve como objetivo a apresentação do relatório de inflação do quarto trimestre, e foram respondidas perguntas sobre o cenário econômico, além de ter sido uma passagem simbólica de bastão entre os presidentes.

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Questionados sobre um possível ataque especulativo por parte do mercado financeiro, Galípolo diz compartilhar o mesmo pensamento de Campos Neto e que o movimento recente não é fruto de um ataque.

"Não é correto tentar tratar o mercado como um bloco monolítico, uma coisa só, coordenada. Mercado funciona geralmente com posições contrárias, tem alguém comprando e alguém vendendo. Quando o preço de ativo se mobiliza em uma direção, têm vencedores e perdedores. Ataque especulativo não representa bem como o movimento está acontecendo no mercado hoje", analisou.

O futuro do presidente do Banco Central também afirmou que não existe bala de prata para resolver questão fiscal do país no curto prazo.

“Mercado e academia sabem que é difícil apresentar qualquer tipo de plano fiscal que seja bala de prata, que vai dar conta de endereçar todos os problemas no curto prazo. Sinto isso na conversa que tenho com o presidente Lula e com o ministro Fernando Haddad o reconhecimento do diagnóstico de que existem problemas fiscais a serem endereçados no país”, comentou.

Sobre as intervenções feitas pelo Banco Central para conter o dólar, que chegou a R$ 6,30 esta manhã, Campos Neto disse estar monitorando a situação.

"A gente vai continuar monitorando o fluxo e a gente entende que neste momento com as outras fragilidades que existem e com um fluxo que é muito acima da média. O BC precisa atuar da forma que estamos atuando então não tem com dizer o que vai ser feito no futuro”, disse.

O atual presidente ainda disse que a instituição registrou a saída atípica de dólares no fim do ano, que incluiu o pagamento de taxas de dividendos, remessas de pessoas físicas e operações em plataformas, por isso a instituição decidiu agir.

Nos últimos dias, o BC realizou intervenções no câmbio, por meio da venda do dólar no mercado à vista e leilões de linha.

Selic

O futuro presidente do Banco Central sinalizou que vai manter o ritmo de aumento da taxa básica de juros, a Selic nas duas próximas reuniões.

"Não sobra nenhuma dúvida de que o Banco Central tem um pacto claro na direção de colocar a taxa de juros em um patamar restritivo com alguma segurança. Estamos caminhando nessa direção”, disse Galípolo.

Segundo ele, além do aumento recente na taxa de câmbio e da inflação corrente, também foi determinante para decisão a percepção negativa do mercado sobre o pacote de corte de gastos do governo e o cumprimento da meta fiscal.

Esse foi o último pronunciamento de Campos Neto antes da troca de comando do BC. Galípolo, indicado por por Lula, e Campos Neto, nomeado pelo então presidente Jair Bolsonaro, trocaram elogios durante a entrevista. Campos Neto anunciou que entra em recesso nesta sexta-feira e Galípolo assumirá a cadeira como interino. A partir de janeiro de 2025, ele será efetivado como presidente.

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