Galípolo admite que Brasil pode descumprir meta de inflação para os próximos três anos
Presidente do Banco Central afirma que não há "bala de prata" para reduzir juros e controlar preços ao mesmo tempo
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Gabriela Tunes
09/07/2025, 15:04 • Atualizado em 10/07/2025, 00:11
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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, admitiu nesta quarta-feira (9) que o Brasil pode descumprir meta de inflação para os próximos três anos.
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Desde maio, a taxa básica de juros no Brasil, a Selic, está em 15%, o maior patamar desde 2006. O aumento encarece financiamentos, empréstimos e o crédito rotativo, o que desestimula o consumo e ajuda a conter a inflação. Para justificar esse cenário, Galípolo prestou esclarecimentos hoje na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.
A audiência foi solicitada pelos deputados Florentino Neto (PT-PI), Laura Carneiro (PSD-RJ) e Pauderney Avelino (União Brasil-AM).
Galípolo afirmou que não existe uma "bala de prata" para reduzir juros sem comprometer a estabilidade dos preços. "Ninguém quer baixar os juros e deixar a inflação subir. O objetivo é buscar uma taxa que mantenha o efeito de controle inflacionário, mas num patamar mais próximo ao de outros países emergentes", afirmou.
Segundo ele, diferentemente do Plano Real, que promoveu uma estabilização rápida, a "normalização da transmissão da política monetária" exigirá uma série de medidas graduais. "Não haverá vitória por ippon. Será um processo de construção", disse, usando como exemplo a pontuação máxima do judô.
A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ciclo iniciado em janeiro de 2025 é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos – ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Inflação persistente
Galípolo reconheceu que o Brasil pode descumprir essa meta pelos próximos três anos. Entre os itens que compõem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), 72,5% estão acima da meta de 3%, 58,8% superam o teto da meta (4,5%) e 45,1% estão acima do dobro da meta (6%).
"O Copom [Comitê de Política Monetária, órgão do BC responsável pela Selic] está incomodado com as expectativas. Me incomoda, como gestor, ter que escrever duas cartas de descumprimento da meta em apenas seis meses. A reação do BC é importante para garantir a convergência da inflação", concluiu.
Galípolo admite que Brasil pode descumprir meta de inflação para os próximos três anosPresidente do Banco Central afirma que não há "bala de prata" para reduzir juros e controlar preços ao mesmo tempoEconomia2025-07-09T15:04:34.072ZO presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, admitiu nesta quarta-feira (9) que o Brasil pode descumprir meta de inflação para os próximos três anos. Desde maio, a taxa básica de juros no Brasil, a Selic, está em 15%, o maior patamar desde 2006. O aumento encarece financiamentos, empréstimos e o crédito rotativo, o que desestimula o consumo e ajuda a conter a inflação. Para justificar esse cenário, Galípolo prestou esclarecimentos hoje na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. A audiência foi solicitada pelos deputados Florentino Neto (PT-PI), Laura Carneiro (PSD-RJ) e Pauderney Avelino (União Brasil-AM). Galípolo afirmou que não existe uma "bala de prata" para reduzir juros sem comprometer a estabilidade dos preços. "Ninguém quer baixar os juros e deixar a inflação subir. O objetivo é buscar uma taxa que mantenha o efeito de controle inflacionário, mas num patamar mais próximo ao de outros países emergentes", afirmou. Segundo ele, diferentemente do Plano Real, que promoveu uma estabilização rápida, a "normalização da transmissão da política monetária" exigirá uma série de medidas graduais. "Não haverá vitória por ippon. Será um processo de construção", disse, usando como exemplo a pontuação máxima do judô. A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ciclo iniciado em janeiro de 2025 é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos – ou seja, entre 1,5% e 4,5%. Inflação persistente Galípolo reconheceu que o Brasil pode descumprir essa meta pelos próximos três anos. Entre os itens que compõem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), 72,5% estão acima da meta de 3%, 58,8% superam o teto da meta (4,5%) e 45,1% estão acima do dobro da meta (6%). "O Copom [Comitê de Política Monetária, órgão do BC responsável pela Selic] está incomodado com as expectativas. Me incomoda, como gestor, ter que escrever duas cartas de descumprimento da meta em apenas seis meses. A reação do BC é importante para garantir a convergência da inflação", concluiu.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/galipolo-admite-que-brasil-pode-descumprir-meta-de-inflacao-para-os-proximos-tres-anos
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