Economia

Exportadores brasileiros de aço sentem impacto do tarifaço dos EUA

Empresas buscam novos mercados e alternativas para reduzir prejuízos após aumento de 50% nas tarifas de exportação para os Estados Unidos

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Flavia Travassos
04/10/2025, 00:57 • Atualizado em 04/10/2025, 01:59
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O encontro entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o tarifaço aplicado contra o Brasil, ainda não tem data para acontecer. Enquanto isso, produtores taxados sentem os impactos. As tarifas atingem, direta ou indiretamente, quase 60% das indústrias brasileiras que transformam matéria prima em produtos.

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“Deixamos de fornecer para clientes norte-americanos, sendo que o nosso maior concorrente está lá. Com isso, a qualquer momento a gente pode ter novidades. Eles acabam sendo mais competitivos do que nós em alguns momentos”, explica Eduardo Montalvão, sócio e responsável industrial por uma fábrica de aço, na Grande São Paulo. Por mês, cerca de 20% da produção tinha como destino os Estados Unidos.

De acordo com um levantamento da FGV Ibre, mais de 70% (73,3%) das grandes exportadoras do Brasil relatam que já foram afetadas pela cobrança da tarifa. Entre as médias e pequenas empresas que exportam produtos para os Estados Unidos, os percentuais são parecidos, ultrapassando os 55% (58,4% e 57,4%).

Mesmo após 45% das exportações brasileiras terem ficado de fora da cobrança extra, o cenário de incerteza ainda influencia os negócios.

“A taxação vai afetar o dia a dia da empresa. Se afeta o dia a dia da empresa, vai afetar na ponta o nosso mercado consumidor. Vai impactar, muitas vezes, na capacidade da empresa ofertar emprego e atender à demanda que a gente tem no nosso dia a dia”, explica Stéfano Pacini, pesquisador da FGV Ibre.

A pesquisa mostra ainda que empresários que dependem da exportação estão em estado de alerta. Para enfrentar esse período de turbulência e diminuir o impacto da tarifa de 50%, a saída tem sido procurar alternativas. Foi o que o dono desta fábrica fez após perder clientes norte-americanos.

“Buscamos novos mercados para o mesmo produto, outros países para onde possamos exportar, como a América Latina, por exemplo. Mas a China está aí, com um custo muito baixo. Outro ponto importante é tentar diversificar em produtos e buscar investimento para melhorar a eficiência e reduzir custos”, detalha Eduardo Montalvão.

Quase 40% (39,3%) das empresas brasileiras já buscaram novos parceiros comerciais. Outras 15% (15,1%) optaram por desacelerar ou paralisar o processo produtivo.

“Essa preocupação de paralisar a produção diminui a oferta de produtos. Ela pode impactar no fechamento de empresas e em demissões. As empresas vão tomar medidas que muitas vezes podem afetar o dia a dia do consumidor também”, reforça Stéfano Pacini, da FGV Ibre.

Por outro lado, 12,5% das companhias ainda não tomaram nenhuma providência, mesmo acreditando que serão atingidas em breve pelo tarifaço. Muitos exportadores, no entanto, acreditam que o governo brasileiro pode reverter a situação junto aos Estados Unidos.

“A expectativa é grande. O que a gente quer é que o mercado brasileiro volte a ser competitivo frente ao mercado norte-americano”, conclui Eduardo Montalvão.

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