Eleições: Ibovespa bate recorde e dólar fica abaixo de R$ 5
Investidores avaliam que com Flávio na Presidência cresceriam as chances de o governo promover um ajuste das contas públicas, abrindo espaço para queda de juros
Reuters
Presidente Lula (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Ricardo Stuckert e Divulgação/Vittor Sales
A reação dos investidores brasileiros ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial, em que Flávio Bolsonaro (PL) ficou cerca de 2 pontos percentuais à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi de euforia nesta segunda-feira (5).
O Ibovespa superou os 200 mil pontos pela primeira vez na história, o dólar despencou para abaixo dos R$5 pela primeira vez desde maio e as taxas dos DIs cederam mais de 100 pontos-base em alguns contratos de longo prazo.
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Durante a madrugada, parte desta reação já se desenhava no exterior, com alguns fundos de índices (ETFs) ligados a ações brasileiras registrando ganhos superiores a 12%, como informou a Reuters.
A euforia dos investidores é resultado direto da votação, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro com 47,03% dos votos, contra 45,16% do presidente Lula. A percepção dos profissionais do mercado é de que uma virada no segundo turno, marcado para 25 de outubro, é improvável.
Os investidores avaliam, em geral, que com Flávio na Presidência cresceriam as chances de o governo promover um ajuste das contas públicas, sendo que a política fiscal de Lula é vista com desconfiança. A redução de gastos tende a esfriar a inflação, abrindo espaço para queda de juros.
"Mas há uma diferença importante entre expectativa e entrega. É justamente essa distância que deverá determinar quanto do movimento de hoje será sustentável", alertou Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
Ele lembrou que, além do bom desempenho de Flávio, o PL conquistou a maior bancada tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.
"Uma eventual vitória de Flávio acompanhada por um Congresso mais conservador poderia, em tese, facilitar a aprovação de reformas e medidas de contenção fiscal. Mas este é também o primeiro grande ponto de atenção", disse Saravalle. "Congresso de direita não significa automaticamente Congresso fiscalista."
Após a abertura, o Ibovespa superou os 200 mil pontos e continuou acelerando, com o avanço quase generalizado das ações. Às 11h21, o índice subia 7,55%, aos 206.610 pontos. A peso-pesado Petrobras avançava 5,45%, enquanto o Bradesco tinha alta de 12,95%.
Favorecido pela perspectiva de juros mais baixos no Brasil em um eventual governo Flávio Bolsonaro, o Magazine Luiza disparava mais de 26%.
"Nas estatais, o preço passa a embutir a expectativa de mudança de gestão, caso o resultado se confirme, o que traz potencial de ganho, mas também mais volatilidade", disse Ronaldo Guimarães, sócio e conselheiro da KAT Investimentos, ainda na noite de domingo.
A renda fixa brasileira também refletia nesta segunda-feira a empolgação dos agentes com a maior possibilidade de vitória de Flávio no segundo turno.
Entre os contratos de DIs (Depósitos Interfinanceiros) havia uma forte redução de prêmios, principalmente no trecho longo da curva a termo -- mais suscetível à política fiscal.
Às 11h24, a taxa do DI para janeiro de 2035 despencava 126 pontos-base, para 12,875%.
Já o impacto da liderança de Flávio na parte curta da curva -- vinculada principalmente à política monetária de curto prazo -- era um pouco menor, mas ainda assim considerável. A taxa do DI para janeiro de 2028 cedia 83 pontos-base, para 12,68%, refletindo chances maiores de corte da taxa básica Selic no início de novembro, após o segundo turno. A Selic está atualmente em 13,75% ao ano.
O movimento nos DIs ocorria a despeito das preocupações dos analistas com os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis e com os efeitos inflacionários do fenômeno climático El Niño.
O dólar também desabou nesta manhã de segunda-feira, para abaixo dos R$5 pela primeira vez desde 18 de maio deste ano, ainda na fase de pré-campanha eleitoral.
Na última sexta-feira, o dólar à vista havia fechado em R$5,2173, em meio ao temor, naquele momento, de que Lula tivesse se fortalecido na disputa com Flávio -- o que não se confirmou.
"Caso Flávio confirme a vitória, o dólar/real deverá seguir em tendência de baixa de longo prazo e, por isso, não é recomendável exagerar na compra", alertou em relatório nesta segunda-feira o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, ao tratar de estratégias para importadores brasileiros, que atuam na ponta de compra da moeda.
"Dada a estimativa de grande movimento, não seria surpresa cair em direção a R$4,90-R$4,80", acrescentou.
(Edição de Isabel Versiani e Michael Susin)
Eleições: Ibovespa bate recorde e dólar fica abaixo de R$ 5Investidores avaliam que com Flávio na Presidência cresceriam as chances de o governo promover um ajuste das contas públicas, abrindo espaço para queda de jurosEconomia2026-10-05T16:18:22.737ZA reação dos investidores brasileiros ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial, em que Flávio Bolsonaro (PL) ficou cerca de 2 pontos percentuais à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi de euforia nesta segunda-feira (5). + O Ibovespa superou os 200 mil pontos pela primeira vez na história, o dólar despencou para abaixo dos R$5 pela primeira vez desde maio e as taxas dos DIs cederam mais de 100 pontos-base em alguns contratos de longo prazo. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Durante a madrugada, parte desta reação já se desenhava no exterior, com alguns fundos de índices (ETFs) ligados a ações brasileiras registrando ganhos superiores a 12%, como informou a Reuters. A euforia dos investidores é resultado direto da votação, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro com 47,03% dos votos, contra 45,16% do presidente Lula. A percepção dos profissionais do mercado é de que uma virada no segundo turno, marcado para 25 de outubro, é improvável. Os investidores avaliam, em geral, que com Flávio na Presidência cresceriam as chances de o governo promover um ajuste das contas públicas, sendo que a política fiscal de Lula é vista com desconfiança. A redução de gastos tende a esfriar a inflação, abrindo espaço para queda de juros. + "Mas há uma diferença importante entre expectativa e entrega. É justamente essa distância que deverá determinar quanto do movimento de hoje será sustentável", alertou Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital. Ele lembrou que, além do bom desempenho de Flávio, o PL conquistou a maior bancada tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados. "Uma eventual vitória de Flávio acompanhada por um Congresso mais conservador poderia, em tese, facilitar a aprovação de reformas e medidas de contenção fiscal. Mas este é também o primeiro grande ponto de atenção", disse Saravalle. "Congresso de direita não significa automaticamente Congresso fiscalista." Após a abertura, o Ibovespa superou os 200 mil pontos e continuou acelerando, com o avanço quase generalizado das ações. Às 11h21, o índice subia 7,55%, aos 206.610 pontos. A peso-pesado Petrobras avançava 5,45%, enquanto o Bradesco tinha alta de 12,95%. Favorecido pela perspectiva de juros mais baixos no Brasil em um eventual governo Flávio Bolsonaro, o Magazine Luiza disparava mais de 26%. "Nas estatais, o preço passa a embutir a expectativa de mudança de gestão, caso o resultado se confirme, o que traz potencial de ganho, mas também mais volatilidade", disse Ronaldo Guimarães, sócio e conselheiro da KAT Investimentos, ainda na noite de domingo. + Impacto forte na Renda Fixa A renda fixa brasileira também refletia nesta segunda-feira a empolgação dos agentes com a maior possibilidade de vitória de Flávio no segundo turno. Entre os contratos de DIs (Depósitos Interfinanceiros) havia uma forte redução de prêmios, principalmente no trecho longo da curva a termo -- mais suscetível à política fiscal. Às 11h24, a taxa do DI para janeiro de 2035 despencava 126 pontos-base, para 12,875%. Já o impacto da liderança de Flávio na parte curta da curva -- vinculada principalmente à política monetária de curto prazo -- era um pouco menor, mas ainda assim considerável. A taxa do DI para janeiro de 2028 cedia 83 pontos-base, para 12,68%, refletindo chances maiores de corte da taxa básica Selic no início de novembro, após o segundo turno. A Selic está atualmente em 13,75% ao ano. O movimento nos DIs ocorria a despeito das preocupações dos analistas com os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis e com os efeitos inflacionários do fenômeno climático El Niño. + Dólar desaba O dólar também desabou nesta manhã de segunda-feira, para abaixo dos R$5 pela primeira vez desde 18 de maio deste ano, ainda na fase de pré-campanha eleitoral. Na última sexta-feira, o dólar à vista havia fechado em R$5,2173, em meio ao temor, naquele momento, de que Lula tivesse se fortalecido na disputa com Flávio -- o que não se confirmou. "Caso Flávio confirme a vitória, o dólar/real deverá seguir em tendência de baixa de longo prazo e, por isso, não é recomendável exagerar na compra", alertou em relatório nesta segunda-feira o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, ao tratar de estratégias para importadores brasileiros, que atuam na ponta de compra da moeda. "Dada a estimativa de grande movimento, não seria surpresa cair em direção a R$4,90-R$4,80", acrescentou. (Edição de Isabel Versiani e Michael Susin)São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/eleicoes-ibovespa-aos-200-mil-pontos-e-dolar-abaixo-de-r-5
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