Economia

Dólar chega ao final do ano pressionado por saída de recursos: o que esperar

Até onde o dólar pode ir? Para o mercado, moeda americana deve encerrar o ano entre R$ 5,40 e R$5,50

Avatar de Exame.com
Exame.com
Mesmo com a volatilidade, as projeções de fechamento são menos dramáticas do que há um ano. A leitura majoritária dos analistas é de que o dólar deve encerrar 2025 entre R$ 5,40 e R$ 5,50 | Ricardo Morraes/Reuters

Mesmo com a volatilidade, as projeções de fechamento são menos dramáticas do que há um ano. A leitura majoritária dos analistas é de que o dólar deve encerrar 2025 entre R$ 5,40 e R$ 5,50 | Ricardo Morraes/Reuters

O dólar entra nas últimas semanas de 2025 sob influência de um conjunto de fatores bem diferente daquele que empurrou a moeda para acima de R$ 6 no ano passado. Em 2024, a combinação de aversão global ao risco, aperto monetário nos Estados Unidos e forte saída de capitais do Brasil provocou uma verdadeira "tempestade perfeita no câmbio". Agora, na virada para 2026, a fotografia é outra, ainda que o fluxo de dólares siga impondo pressão adicional sobre o real neste fim de ano.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O principal vetor de saída de dólares neste fim de ano é o movimento extraordinário de antecipação de lucros e dividendos por parte das empresas.

Segundo um levantamento da XP Investimentos, há hoje um incentivo claro para que companhias antecipem a aprovação desses proventos antes do encerramento de 2025 em função da possibilidade de tributação de 10% a partir de 2026.

De acordo com o monitor de fluxo da casa, foram pagos R$ 1,5 bilhão em dividendos até o dia 12 de dezembro. E a previsão é que outros R$ 56,4 bilhões seja desembolsados ao longo deste mês e mais R$ 31,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

Para Diego Costa, head de câmbio da B&T XP para Norte e Nordeste, ainda que a antecipação de dividendos seja o principal risco de saída de dólares nesta reta final do ano, é pouco esperado que a moeda avance da mesma forma que um ano atrás, quando chegou R$ 6,20.

Na última negociação, na sexta-feira, 12, o dólar acumulava uma depreciação de 12,45% frente ao real em 2025.

O contexto atual, marcado pela taxa básica de juros, a Selic, a 15% ao ano funciona como um forte escudo técnico, segundo Costa, e atrai as operações de carry trade, em que o investidores tomam empréstismos em uma moeda com taxa de juros baixa e investe em outra moeda com taxa de juros mais alta, obtendo lucro nesse diferencial.

"Além disso, temos o Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA] em um ciclo de fim de aperto monetário [cortando juros], aliviando a pressão sobre moedas emergentes", diz o especialista. Costa adverte, porém, que o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antecipou o debate eleitoral, o que aumentou o prêmio exigido pelos investidores para carregar risco Brasil.

Até onde o dólar pode ir em 2025?

Mesmo com a volatilidade, as projeções de fechamento são muito menos dramáticas do que há um ano. A leitura majoritária dos analistas é de que o dólar deve encerrar 2025 entre R$ 5,40 e R$ 5,50.

"Embora alto, este patamar é consideravelmente melhor do que o projetado no final de 2024, quando o Boletim Focus, do Banco Central, apontava para R$ 5,96 no final deste ano", diz Costa

Até a semana passada o Focus confirmava essa tendência de estabilização, com o mercado projetando mediana para o fim de 2025 em R$ 5,40, e para 2026, em R$ 5,50.

A comparação com dezembro de 2024 ajuda a dimensionar a mudança de cenário. Naquele mês, em meio ao temor sobre a política fiscal e a incerteza global, o Brasil registrou uma saída de dólares da ordem de US$ 26 bilhões.

O Banco Central foi obrigado a intervir de maneira intensa, injetando US$ 32,5 bilhões no mercado, sendo US$ 21,5 bilhões apenas em operações à vista. Mesmo assim, a moeda americana encerrou o ano cotada a R$ 6,18.

Agora, até os primeiros cinco dias de dezembro, por exemplo, o economista sênior do Inter, André Valério, destaca que o câmbio contratado mostrava entrada líquida de US$ 4,7 bilhões, um contraste com o mesmo mês do ano passado, quando já havia saídas de US$ 2,6 bilhões na primeira semana.

"Estamos esperando um fechamento em R$5,40, que é substancialmente abaixo do que esperávamos no final do ano passado, em R$5,70. De todo modo, o nosso entendimento do dólar era mais otimista que o do mercado onde muitos participantes apostavam num câmbio próximo de R$6 justamente por conta de vários fatores de risco que estavam atipicamente esticados naquele momento", disse Valério.

A leitura de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, é semelhante.

"O dólar frequentemente se descola de seus fundamentos. Séries financeiras exibem inércia e persistência temporal — e com o câmbio não é diferente. Por isso, um dólar encerrando o ano na faixa entre R$ 5,30 e R$ 5,40 parece hoje o cenário mais provável", afirmou.

No mercado financeiro, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) projeta um quadro adverso para o fluxo cambial de dezembro.

Segundo a relatório da instituição, publicado no dia 3, mesmo após um novembro positivo — marcado por entradas robustas no comércio exterior, que compensaram a saída de US$ 3,1 bilhões no segmento financeiro — dezembro deve registrar um fluxo líquido negativo.

A previsão é de uma saída de US$ 6,9 bilhões, concentrada justamente nos pagamentos de dividendos e juros sobre capital próprio. A expectativa é que, apesar da resiliência do comércio exterior, o canal financeiro permaneça sob pressão até o fim do mês.

O que esperar do dólar para 2026

A leitura internacional reforça o pano de fundo para 2026. O UBS vê o dólar global entrando em um ciclo de fraqueza prolongado, especialmente no primeiro semestre do próximo ano, apoiado nos cortes de juros do Federal Reserve e no acúmulo de déficits fiscal e em conta corrente nos EUA.

O banco projeta que o dólar terá desempenho inferior ao de todas as moedas do G10 até o fim de 2026, favorecendo especialmente o euro e o dólar australiano. Essa tendência global, quando combinada ao diferencial elevado de juros no Brasil, cria condições para que o real permaneça relativamente forte, desde que ruídos domésticos não anulem esse suporte externo.

Internamente, porém, há obstáculos importantes. A aproximação das eleições e a percepção de maior fragilidade fiscal continuam sendo fatores determinantes para o câmbio.

Valério lembra que o investidor estrangeiro tradicionalmente acessa o Brasil via mercado de renda fixa, especialmente por meio das NTN-F, as notas do Tesouro Nacional, e que a demanda por esses títulos tende a se estabilizar apenas com uma sinalização clara de contenção da dívida pública, hoje a mais alta entre as grandes economias latino-americanas.

A análise de William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, reforça o peso do cenário político. Ele destaca que boa parte da valorização do real em 2025 esteve ligada à queda do dólar global, impulsionada por medidas de risco adotadas pela administração de Donald Trump e pela expectativa de juros mais baixos nos EUA.

Para ele, o Brasil surfou um movimento internacional de enfraquecimento do dólar, que também beneficiou moedas como o euro, o franco suíço e a libra. Ele ressalta, no entanto, que os fundamentos domésticos, especialmente inflação elevada, risco fiscal e um cenário eleitoral binário podem limitar a apreciação do real ao longo de 2026.

"Ninguém sabe dizer muito bem o que pode acontecer e o que tende a impactar o câmbio", finaliza o especialista.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Rússia nega encontro entre diretor da CIA e Putin

Rússia nega encontro entre diretor da CIA e Putin

Imagem da notícia: Inundação no Nepal deixa 55 mortos; centenas estão sumidos

Inundação no Nepal deixa 55 mortos; centenas estão sumidos

Imagem da notícia: RJ: Tiroteio assusta moradores durante operação contra o CV

RJ: Tiroteio assusta moradores durante operação contra o CV

Imagem da notícia: Chuva forte avança pelo Centro-Sul do Brasil nesta quarta

Chuva forte avança pelo Centro-Sul do Brasil nesta quarta

Imagem da notícia: Rússia nega encontro entre diretor da CIA e Putin

Rússia nega encontro entre diretor da CIA e Putin

Imagem da notícia: Inundação no Nepal deixa 55 mortos; centenas estão sumidos

Inundação no Nepal deixa 55 mortos; centenas estão sumidos

Imagem da notícia: RJ: Tiroteio assusta moradores durante operação contra o CV

RJ: Tiroteio assusta moradores durante operação contra o CV

Imagem da notícia: Chuva forte avança pelo Centro-Sul do Brasil nesta quarta

Chuva forte avança pelo Centro-Sul do Brasil nesta quarta

Últimas notícias

ONU alerta para uso de armas controladas por IA

Equipamentos incapazes de distinguir civis em zonas de conflito colocam direito humanitário em xeque

Esposa e filha são presas por morte de idoso no Paraná

Crime, possivelmente motivado por herança, também contou com suporte do amante da esposa

Governadora de Nova York proíbe polícia local de ajudar ICE

Em repressão às políticas anti-imigratórias de Trump, Kathy Hochul afirmou que desvios de recursos prejudicam segurança pública no estado

Multa ao TikTok alerta demais plataformas, diz advogado

Controladora da rede social foi sancionada em R$ 153,7 milhões pela ANPD por falhas na proteção de dados de crianças e adolescentes

Prouni abre inscrições para lista de espera do 2º semestre

Candidatos terão até duas opções de universidade e curso dentre as bolsas disponíveis; resultado sai em setembro

Incêndio em hospital mata ao menos 14 bebês no Paquistão

Suspeita é que fogo tenha sido provocado pela explosão de um compressor de um ar-condicionado; caso será investigado