Economia

Dólar cai 1,31%, mas tem primeira alta mensal no ano

Moeda acumulou alta de 0,87% no mês, refletindo o ambiente de maior aversão a risco que predominou durante março por conta do conflito no Oriente Médio

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Dólar cai 1,31%, mas tem primeira alta mensal no ano | REUTERS/Luisa Gonzalez

O dólar à vista fechou em forte queda nesta terça-feira (31), acompanhando a melhora do apetite por risco no exterior, em um pregão marcado por sinais de desescalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, tema que dominou os mercados ao longo de março.

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A moeda americana à vista recuou 1,32%, encerrando o dia na mínima de R$ 5,1786, após oscilar entre R$ 5,2370 na máxima e o patamar de fechamento.

Apesar da queda expressiva na sessão, o dólar acumulou alta de 0,87% no mês, refletindo o ambiente de maior aversão a risco que predominou durante boa parte de março por conta dos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã. Foi a primeira alta mensal em 2026.

No acumulado do ano, porém, a divisa ainda registra desvalorização de 5,65% frente ao real.

O movimento desta terça foi impulsionado principalmente por declarações de autoridades dos países envolvidos no conflito, que eclodiu no dia 28 de fevereiro.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país “não busca a guerra”, mas está preparado para encerrá-la mediante garantias. O tom mais conciliador se somou a uma reportagem do Wall Street Journal indicando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria disposto a encerrar as operações militares mesmo sem a reabertura do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas globais de petróleo.

A combinação desses fatores reduziu o prêmio de risco geopolítico, favorecendo ativos de maior risco e pressionando o dólar globalmente. Lá fora, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, caiu 0,66%, operando abaixo dos 100 pontos. O euro subiu 0,86%, a US$ 1,1563, enquanto a libra avançou 0,44%, a US$ 1,3240.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o movimento reflete um ambiente externo mais benigno.

"O dólar operou em queda ao longo da sessão, em um movimento puxado pela melhora do apetite global por risco após sinais mais concretos de desescalada no conflito entre EUA e Irã”, afirma. “Esse ambiente favoreceu moedas emergentes e direcionou fluxo para o Brasil, tanto via Bolsa quanto via renda fixa, em um cenário ainda marcado pelo diferencial de juros elevado", disse.

No mercado de commodities, o petróleo também reagiu à perspectiva de um possível fim do conflito. O Brent para junho recuou 3,18%, a US$ 103,97 por barril, embora ainda permaneça acima dos US$ 100, refletindo o impacto acumulado das tensões no Oriente Médio.

Mercado priorizou sinais de redução das tensões

Apesar do alívio observado ao longo do dia, o cenário geopolítico segue no radar dos investidores. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que poderá atacar grandes empresas americanas que operam na região do Golfo a partir desta quarta-feira, 1º de abril, em retaliação a ações dos Estados Unidos.

Entre as companhias citadas estão gigantes de tecnologia e indústria, como Microsoft, Google, Apple, Intel, Tesla e Boeing.

Ainda assim, o mercado tem priorizado os sinais de possível redução das tensões. Além das indicações vindas de Washington e Teerã, propostas diplomáticas também ganham espaço, como a sugestão do secretário de Estado americano, Marco Rubio, no âmbito do G7, para que o Estreito de Ormuz seja administrado por uma coalizão multinacional.

Sem negociações diretas confirmadas entre os países ao longo dos 31 dias de conflito, o ambiente segue incerto, mas com viés mais construtivo no curto prazo.

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