Economia

Coparticipação cresce nos planos empresariais e muda comportamento dos trabalhadores no uso da saúde

Alta dos custos leva empresas a dividir mensalidades e amplia modelos em que funcionários pagam parte de cada atendimento

Imagem da noticia Coparticipação cresce nos planos empresariais e muda comportamento dos trabalhadores no uso da saúde
Uso de planos de saúde passa por mudanças no Brasil | Reprodução/Redes sociais

Cada vez mais empresas brasileiras estão repassando parte do custo dos planos de saúde aos funcionários como forma de enfrentar os reajustes elevados dos convênios corporativos, movimento que vem transformando o modelo de benefícios no país e impactando diretamente o bolso e o comportamento dos trabalhadores.

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Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar mostram que os planos empresariais concentram cerca de 73% de todos os beneficiários da saúde suplementar no Brasil e operam por meio de livre negociação entre empresas e operadoras, o que os torna mais expostos aos aumentos anuais de preços. Nos últimos anos, os reajustes dos contratos corporativos giraram em torno de dois dígitos, enquanto os planos individuais seguem limites definidos pelo órgão regulador.

Esse cenário tem levado mais companhias a dividir a mensalidade com os colaboradores. Em 2020, pouco mais de 40% das empresas já descontavam parte do plano diretamente na folha de pagamento. Em 2025, esse número se aproximou de metade das organizações, enquanto a fatia média paga pelos empregadores caiu de cerca de 71% para 60%, fazendo com que o trabalhador arque hoje, em média, com 40% do valor do benefício.

Além da mensalidade maior, outro fator vem pesando no acesso aos serviços: a coparticipação. Pesquisa de Benefícios de Saúde e Bem-Estar 2025, realizada pela Pipo Saúde com mais de três mil trabalhadores de planos empresariais em 25 estados, aponta que seis em cada dez funcionários pensam duas vezes antes de usar o plano de saúde por causa da cobrança adicional por consultas, exames e procedimentos.

O impacto é ainda maior entre cargos de entrada e analistas, onde mais de 70% dos profissionais afirmam evitar o uso do plano por receio do custo extra. Segundo o levantamento, a coparticipação já está presente em cerca de 79% dos contratos empresariais em 2025, consolidando-se como prática dominante no setor.

Paralelamente, cresce o desejo por planos sem essa cobrança ou com taxas menores. A parcela de trabalhadores que busca alternativas sem coparticipação subiu de pouco mais de 12% em 2024 para mais de 18% em 2025, sinalizando insatisfação com o modelo atual.

Especialistas apontam que a escalada dos custos está ligada à inflação médica com consultas, exames, cirurgias e medicamentos subindo acima da inflação oficial, à ampliação da cobertura de terapias sem limite de uso e ao aumento da utilização por dependentes, especialmente crianças e adolescentes, fenômeno também observado em levantamentos populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O resultado é um novo equilíbrio forçado entre empresas tentando manter o benefício e trabalhadores cada vez mais cautelosos ao utilizá-lo, transformando o plano de saúde corporativo de um benefício amplamente utilizado em um serviço muitas vezes acionado apenas em situações consideradas indispensáveis.

Pense nisso.

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