Alta do petróleo leva governo a estudar alívio tributário para aviação
Proposta busca evitar aumentos nas passagens aéreas com corte de impostos e redução de custos das companhias; Fazenda estuda possibilidades


Hariane Bittencourt
Ighor Nóbrega
O governo federal estuda cortar tributos que incidem sobre o setor aéreo para mitigar os impactos da guerra no Oriente Médio. Nos moldes da proposta anunciada nos últimos dias para frear o preço do diesel, o objetivo é evitar impactos sobre os valores das passagens aéreas.
Na terça-feira (17), o Ministério de Portos e Aeroportos enviou ao Ministério da Fazenda um documento com medidas que incluem a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) das empresas aéreas e do Imposto de Renda (IR) sobre as operações da categoria.
O objetivo, segundo o ofício elaborado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) ao qual o SBT News teve acesso, é evitar que a alta do preço do petróleo alcance o Querosene de Aviação (QAV), combustível usado na aviação comercial e civil de grande porte.
"A redução estrutural de custos não energéticos contribui para preservar o equilíbrio econômico‑financeiro das empresas, mitigar a necessidade de repasses tarifários e manter a conectividade aérea, sem interferir diretamente na formação do preço do QAV ou nos sinais de mercado", afirmou o ministro Silvio Costa Filho no documento.
Na prática, o que a pasta quer é uma pacote de ações de mitigação parecido com o anunciado na semana passada para frear a alta do óleo diesel. Neste caso, o presidente Lula (PT) anunciou a zeragem do PIS e Cofins, tributos federais que incidem sobre o combustível.
Agora, a proposta do Ministério de Portos e Aeroportos é esses mesmos encargos sejam reduzidos sobre o QAV até o final do ano.
O ministério explicou, porém, que o mercado do combustível de aviação é mais concentrado que o do diesel e que, por isso, são necessárias medidas personalizadas e adicionais, dentre ela o corte no IR sobre o leasing de aeronaves.
O leasing é o aluguel de aviões, que permite às companhias operarem sem custos de compra e depreciação das aeronaves. Segundo o ministério, ele constitui "parcela significativa" do custo das empresas aéreas.
"Políticas públicas específicas para o QAV devem reconhecer sua natureza distinta em relação ao diesel, adotando instrumentos compatíveis com a estrutura contratual, logística e concorrencial do mercado de combustíveis de aviação", continua o documento.
O material, encaminhado ao Ministério da Fazenda como subsídio técnico para avaliação, está sendo discutido pelo governo federal. Procurada pelo SBT News, a Fazenda ainda não se manifestou sobre atual o status das discussões.









