Menopausa engorda mesmo? Veja se as canetas podem ajudar a virar o jogo
Nutrólogo explica por que o peso muda na menopausa e quando as canetas para emagrecer podem entrar no tratamento
Brazil Health
06/05/2026, 13:04 • Atualizado em 06/05/2026, 13:04
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Menopausa engorda? Veja dicas de especialistas | Freepik
As canetas emagrecedoras se tornaram um protocolo de tratamento muito popular nos últimos anos e devem se tornar ainda mais acessíveis com a quebra da patente de algumas marcas. O medicamento teve como origem o tratamento do diabetes tipo 2, mas a popularidade entre os pacientes foi alcançada com sua eficácia no tratamento de outra doença: a obesidade. Uma condição que se destaca também em uma fatia muito específica da população: as mulheres que estão passando pelo processo da menopausa.
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A busca pelo tratamento da obesidade não é por acaso. Vivemos em um país em que 1 a cada 4 adultos está obeso, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgada pelo IBGE, o que representa 26,8% da população brasileira. Entre as mulheres, a faixa dos 40 aos 50 anos apresenta uma porcentagem de 34,4% de obesidade, a maior segundo os dados da pesquisa. E esses números nessa faixa etária não são por acaso.
No Brasil, a faixa etária média das mulheres na menopausa vai dos 48 aos 51 anos. Percebe como essa também é a faixa etária de maior incidência da obesidade?
O corpo da mulher na menopausa não falhou. Ele simplesmente mudou as regras do jogo sem avisar. Com a queda do estrogênio, o metabolismo desacelera, a gordura migra para a região abdominal e a massa muscular diminui. Menos músculo significa menos calorias queimadas em repouso, mesmo sem mudar nada na rotina. Essa relação é bem estabelecida na literatura e explica por que tantas mulheres percebem mudanças no corpo mesmo sem ter alterado a rotina.
Mas a história não termina nos hormônios. A menopausa frequentemente coincide com um período de alta carga emocional: filhos saindo de casa, mudanças de carreira, cuidado com pais idosos. Tudo isso eleva o cortisol, que favorece o acúmulo de gordura abdominal e piora o sono. O sono ruim, por sua vez, desregula os hormônios da fome e da saciedade. Hormônios sexuais, emoções, sono e alimentação formam uma teia. Tratar só um fio raramente resolve. É por isso que reconhecer esses fatores é fundamental para parar de culpabilizar as mulheres por algo que vai muito além da força de vontade.
Uma dúvida muito comum no consultório. Para uma parte das mulheres, sim. Para outras, não, e isso precisa ser dito com clareza: a menopausa provoca alterações metabólicas reais que podem dificultar a perda de peso mesmo com disciplina total. O que não muda é que alimentação adequada e exercício são a base de qualquer tratamento. Sem eles, nenhuma outra intervenção funciona bem. O treino de força merece destaque especial. É ele que preserva a massa muscular e mantém o metabolismo funcionando.
Mulheres que chegam à perimenopausa com bons hábitos têm muito mais recursos para atravessar essa transição. É como chegar bem preparada para uma prova difícil. Mas nunca é tarde para começar: quanto antes, melhor o ponto de partida.
Canetas emagrecedoras na menopausa: quando entram?
Dito tudo isso, voltamos para a questão principal: as canetas emagrecedoras são uma ferramenta no tratamento da obesidade durante a menopausa? Sim, e com evidência robusta. Os análogos de GLP-1, como a semaglutida, e os agonistas duplos GLP-1/GIP, como a tirzepatida, atuam em múltiplos mecanismos: reduzem o apetite, melhoram a sensibilidade à insulina e promovem perda de peso significativa. Na menopausa, quando o ambiente metabólico já está desfavorável, esses medicamentos podem ser aliados importantes. A indicação, como sempre, precisa ser individualizada. Critérios clínicos, histórico e objetivos terapêuticos devem guiar a decisão.
Vale lembrar que as canetas também podem ser combinadas com a reposição hormonal, e essa combinação pode ser muito interessante. A reposição atua na causa: corrige a deficiência de estrogênio, preserva a massa óssea e melhora o perfil metabólico. As canetas atuam na consequência: ajudam no controle do peso e da resistência à insulina. São abordagens complementares, não concorrentes. Uma não cancela a outra. Pelo contrário, tendem a se potencializar.
Cuidados ao usar canetas para emagrecer nessa fase
Para finalizar, é importante que as mulheres que utilizam esse tratamento sigam um monitoramento da composição corporal, não apenas do peso. As canetas promovem perda de gordura, mas podem levar também à perda de massa muscular, e na menopausa isso é especialmente preocupante. Por isso, o treino de força é obrigatório, não opcional. A ingestão proteica precisa ser adequada. Densidade óssea, marcadores inflamatórios e função hormonal também merecem acompanhamento ao longo do tratamento. O objetivo final não é um número menor na balança. É uma composição corporal mais saudável e, acima de tudo, mais qualidade de vida.
** Guilherme Giorelli é médico nutrólogo, professor de Nutrologia, Medicina do Exercício e Esporte e Endocrinologia
Menopausa engorda mesmo? Veja se as canetas podem ajudar a virar o jogoNutrólogo explica por que o peso muda na menopausa e quando as canetas para emagrecer podem entrar no tratamentoSaúde2026-05-06T13:04:53.972ZAs canetas emagrecedoras se tornaram um protocolo de tratamento muito popular nos últimos anos e devem se tornar ainda mais acessíveis com a quebra da patente de algumas marcas. O medicamento teve como origem o tratamento do diabetes tipo 2, mas a popularidade entre os pacientes foi alcançada com sua eficácia no tratamento de outra doença: a obesidade. Uma condição que se destaca também em uma fatia muito específica da população: as mulheres que estão passando pelo processo da menopausa. A busca pelo tratamento da obesidade não é por acaso. Vivemos em um país em que 1 a cada 4 adultos está obeso, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019, divulgada pelo IBGE, o que representa 26,8% da população brasileira. Entre as mulheres, a faixa dos 40 aos 50 anos apresenta uma porcentagem de 34,4% de obesidade, a maior segundo os dados da pesquisa. E esses números nessa faixa etária não são por acaso. Menopausa x obesidade No Brasil, a faixa etária média das mulheres na menopausa vai dos 48 aos 51 anos. Percebe como essa também é a faixa etária de maior incidência da obesidade? O corpo da mulher na menopausa não falhou. Ele simplesmente mudou as regras do jogo sem avisar. Com a queda do estrogênio, o metabolismo desacelera, a gordura migra para a região abdominal e a massa muscular diminui. Menos músculo significa menos calorias queimadas em repouso, mesmo sem mudar nada na rotina. Essa relação é bem estabelecida na literatura e explica por que tantas mulheres percebem mudanças no corpo mesmo sem ter alterado a rotina. Mas a história não termina nos hormônios. A menopausa frequentemente coincide com um período de alta carga emocional: filhos saindo de casa, mudanças de carreira, cuidado com pais idosos. Tudo isso eleva o cortisol, que favorece o acúmulo de gordura abdominal e piora o sono. O sono ruim, por sua vez, desregula os hormônios da fome e da saciedade. Hormônios sexuais, emoções, sono e alimentação formam uma teia. Tratar só um fio raramente resolve. É por isso que reconhecer esses fatores é fundamental para parar de culpabilizar as mulheres por algo que vai muito além da força de vontade. Só alimentação e exercício dão conta? Uma dúvida muito comum no consultório. Para uma parte das mulheres, sim. Para outras, não, e isso precisa ser dito com clareza: a menopausa provoca alterações metabólicas reais que podem dificultar a perda de peso mesmo com disciplina total. O que não muda é que alimentação adequada e exercício são a base de qualquer tratamento. Sem eles, nenhuma outra intervenção funciona bem. O treino de força merece destaque especial. É ele que preserva a massa muscular e mantém o metabolismo funcionando. Mulheres que chegam à perimenopausa com bons hábitos têm muito mais recursos para atravessar essa transição. É como chegar bem preparada para uma prova difícil. Mas nunca é tarde para começar: quanto antes, melhor o ponto de partida. Canetas emagrecedoras na menopausa: quando entram? Dito tudo isso, voltamos para a questão principal: as canetas emagrecedoras são uma ferramenta no tratamento da obesidade durante a menopausa? Sim, e com evidência robusta. Os análogos de GLP-1, como a semaglutida, e os agonistas duplos GLP-1/GIP, como a tirzepatida, atuam em múltiplos mecanismos: reduzem o apetite, melhoram a sensibilidade à insulina e promovem perda de peso significativa. Na menopausa, quando o ambiente metabólico já está desfavorável, esses medicamentos podem ser aliados importantes. A indicação, como sempre, precisa ser individualizada. Critérios clínicos, histórico e objetivos terapêuticos devem guiar a decisão. Vale lembrar que as canetas também podem ser combinadas com a reposição hormonal, e essa combinação pode ser muito interessante. A reposição atua na causa: corrige a deficiência de estrogênio, preserva a massa óssea e melhora o perfil metabólico. As canetas atuam na consequência: ajudam no controle do peso e da resistência à insulina. São abordagens complementares, não concorrentes. Uma não cancela a outra. Pelo contrário, tendem a se potencializar. Cuidados ao usar canetas para emagrecer nessa fase Para finalizar, é importante que as mulheres que utilizam esse tratamento sigam um monitoramento da composição corporal, não apenas do peso. As canetas promovem perda de gordura, mas podem levar também à perda de massa muscular, e na menopausa isso é especialmente preocupante. Por isso, o treino de força é obrigatório, não opcional. A ingestão proteica precisa ser adequada. Densidade óssea, marcadores inflamatórios e função hormonal também merecem acompanhamento ao longo do tratamento. O objetivo final não é um número menor na balança. É uma composição corporal mais saudável e, acima de tudo, mais qualidade de vida. ** Guilherme Giorelli é médico nutrólogo, professor de Nutrologia, Medicina do Exercício e Esporte e EndocrinologiaSão PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/menopausa-engorda-mesmo-veja-se-as-canetas-podem-ajudar-a-virar-o-jogo
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