Economia

Em decisão unânime, Copom corta taxa de juros em 0,50 ponto percentual

Segunda redução seguida vem em linha com expectativa do mercado; país cede a liderança dos juros reais

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Guto Abranches
20/09/2023, 21:42 • Atualizado em 31/10/2023, 23:42
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Decisão sobre os juros

Decisão sobre os juros

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) cortou a taxa referencial de juros da economia brasileira em 0,50 ponto percentual: a Selic agora baixa para 12,75% ao ano. A decisão foi tomada na reunião que terminou no final da tarde desta 4ª feira (20.set). É o segundo corte de mesma magnitude desde o início do ciclo de flexibilização dos juros, em agosto de 2023. 

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Em comunicado após a tomada de decisão, o Copom diz que o cenário externo de desinflação encontra alguma resistência, sobretudo quanto aos núcleos dos indicadores ainda elevados. O mercado de trabalho de diversos países também se mostra resiliente. 

No meio doméstico, maior resiliência da atividade econômica do que anteriormente esperado, mas o Copom segue antecipando um cenário de desaceleração da economia nos próximos trimestres. Confira.

"A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento e por expectativas de inflação com reancoragem parcial, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária. O Comitê reforça a necessidade de perseverar com uma política monetária contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas" - comunicado do Copom

Outra sinalização vai na linha de projetar futuras decisões.

"Em se confirmando o cenário esperado, os membros do Comitê, unanimemente, anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário"  

Antes do final da reunião do Copom, o mercado financeiro nacional assistiu à Bolsa de Valores de São Paulo fechar em alta de 0,72% aos 118.695, descolada de Wall Street e na expectativa pela definição do rumo monetário no cenário doméstico. O dólar fechou em alta -assumida no final do pregão - de 0,16% cotado para venda a R$ 4,88.

Na real

Com a Selic situada em 12,75% ao ano, o Brasil deixa a liderança do ranking global de maiores juros reais do planeta: levantamento do portal Moneyou apura que a taxa de juros do país, descontada a inflação, passa a ser de 6,40%, menor do que a do México, que assume o primeiro lugar no 'pódio' dos juros reais com 6,61%. O terceiro lugar na lista é ocupado pela Colômbia, com 5,10% de juros reais. 

Repercussão

Debora Nogueira,  economista-chefe da Tenax Capital - "Há uma frase nova [no comunicado] que reforça a importância da manutenção e da perseguição da meta fiscal e da relação disso com as expectativas de inflação. Recado claro para Brasília. No parágrafo sobre o corte, houve a inclusão de 'considerando a evolução do processo de desinflação'. Esse trecho não muda o quadro, mas mostra o destaque dado pelo BC aos dados mais benignos de inflação recentemente. A frase no plural foi mantida: 'anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões.'" 

Alexandre Mathias,  CEO Kilima Asset Management -  " Considerando que a inflação segue caminhando em direção as suas metas, ainda que com pequeno desvio, a decisão de não acelerar agora [o corte de juros] deverá ser compensada com um ritmo mais forte de cortes ao longo do 1° trimestre [ 2024]. Assim, mantemos a visão de que a Selic atingirá 9,0% no 2° trimestre de 2024. O saldo da super quarta é um quadro de política monetária um pouco mais apertada tanto nos EUA quanto no Brasil. É um ajuste marginal no cenário econômico, mas com potencial impacto nos preços dos ativos no curto prazo. Esse ajuste, contudo, não altera a visão construtiva para o cenário de médio prazo. Dessa forma, vencido um período de ajuste ao longo das próximas semanas, continuamos a ver um quadro favorável".

Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) - "A decisão do Banco Central evita prejuízos adicionais para o mercado de crédito e para a atividade econômica. É preciso reverter o quadro negativo de concessão de crédito às empresas. Nos primeiros sete meses do ano, o crédito recuou 5%, na comparação com o mesmo período do ano passado. A redução da Selic é necessária, não compromete o processo de combate à inflação e evita mais restrições à atividade industrial". 

Pré-Copom

Mais cedo o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) tinha mantido a taxa de juros do país no intervalo entre 5,25% ao ano e 5,50% a.a., atendendo à maioria das apostas do mercado financeiro americano. Mas analistas viram motivos para algum pessimismo pelo fato de o Fed deixar no ar a possibilidade de nova alta de 0,25 ponto percentual nas taxas de referência até o final do ano. Como a decisão foi adotada e o comunicado divulgado com as bolsas ainda operando no dia, os fechamentos apresentaram influência da postura do Fed. Confira.

  • Dow Jones : - 0,22%
  • S&P 500: - 0,94%
  • Nasdaq: - 1,53% 

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