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Produtores rurais brasileiros já ganham mais com árvores do que com bois

Fazendas estão aderindo ao Redd, um mecanismo de preservação do mercado de carbono

Produtores rurais brasileiros já ganham mais com árvores do que com bois
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Há quanto tempo você ouve que é importante manter as árvores vivas? As florestas tem muitas funções. As raízes mantém o fluxo da água no solo. Os galhos dão frutos. A copa serve de moradia para animais. A fotossíntese absorve carbono, que serve de alimento, e depois é liberado como oxigênio.

Até hoje, há quem não dê importância ao imensurável valor do "trabalho" delas. Prefere derrubar, gerar madeira para vender e usar a terra para produzir commoditties e exportar. Sim, tem envolvimento de parte do agronegócio. Mas, também há produtores rurais que evitam o desmatamento.

Ricardo Contijo é belo-horizontino. Tem fazendas em Minas Gerais e no Acre. Na Amazônia, preserva mais que os 80% obrigatórios pelo Código Florestal. Sabe que tem em mãos um bom investimento. Entretanto, mais forte que a vontade de gerar dinheiro é o incômodo em garantir um futuro.

"Eu sempre acreditei no que eu trava preservando. Eu não tiro uma árvore. Você pode cultivar com elas, fazer o manejo sustentável. Apesar de que na maior parte da área nem isso faço. Ainda seria destruir. Sempre acreditei que viria algo mais interessante pela frente", revela ele, um visionário.

O propósito acabou recompensando o mineiro. Há três anos ouviu falar que àrvores vivas seriam pagas pelos serviços prestados. Como ele tem muitas em suas fazendas, procurou uma das empresas do setor, a Carbonext. "Eu procurei a Janaina e o pessoal dela e nós começamos a analisar".

"Hoje, os créditos de carbono gerados pela árvores estão aprovados na Verra [certificadora internacional]. Vou receber, agora em julho, quatro créditos de carbono a US$ 15 por hectare/ano. [...] Então, eu consigo ganhar R$ 1.200, que corresponde a um hectare de pasto. Hoje, o pasto, o rebanho, não te dá R$ 1.200 por ano por hectare", compara o produtor rural.

Como fazer o Redd

O Redd é a sigla para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal. É um tipo de crédito do mercado de carbono, mecanismo que compensa quem reduz mais do que emite gases de efeito estufa. Quem não consegue, precisa comprar os créditos do Ricardo, por exemplo.

A Janaina, citada por ele nessa reportagem, é a CEO da consultoria. Ela também explica que tudo começa com uma detalhada análise de campo, que ela resume: "Requer um passo a passo. Não é da noite para o dia. Você vai ter que trazer a área pra gente. [...] Essa área tem vetores de desmatamento? O que tá acontendo nessa região? A equipe de social vai lá, faz um diagnóstico social da região. O que acontece alí? Depois, passa para uma equipe jurídica. Vai ver toda a documentação. É uma terra grilada? De cada 10 áreas que chegam pra gente, sete não passam. As três que sobraram passam pela diligência técnica. Desenvolve-se o projeto -- e aí já foram seis meses -- com imagens históricas, imagens de satélite... tem uma certa complexidade. Chama-se uma auditoria externa, que vai na área e faz um escrutínio do seu projeto. Depois eu mando para o registro, que faz uma segunda auditoria, e aí sim, começa o monitoramento com satélites, drones, viaturas em campo". É aí que começa, realmente, o ato de preservar. O desmatamento flagrado é impedido, garantindo que o crédito chegue até o Ricardo.

Ou qualquer empresa e até governo. O Brasil sancionou há menos de um mês a lei que muda regras da gestão de florestas públicas por concessão. Foi feita uma ampliação das possibilidades de exploração. Agora, é um direito comercializar créditos de carbono e outros instrumentos congêneres de mitigação das emissões de gases do efeito estufa, inclusive com percentual de participação do poder concedente.

O Foco ESG vai ao ar toda 4ª feira, às 11h, no canal do SBT News no Youtube, no SBT Vídeos e nas Plataformas de áudio. Assista ao 21º episódio:
 

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