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Robôs 'do bem' e 'do mal' atuam nas eleições brasileiras

Entenda como perfis automatizados são usados para guerra da informação e narrativa eleitoral

Robôs 'do bem' e 'do mal' atuam nas eleições brasileiras
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Automatizar qualquer tarefa repetitiva pode parecer uma boa ideia quando pensamos em acelerar processos, mas essa ação pode representar muitos riscos quando juntamos automatização com eleições e redes sociais.

Isto porque o uso de sistemas automatizados, os chamados bots ou robôs, pode influenciar artificialmente os temas que estarão no topo dos assuntos mais comentados, além de promover campanhas de difamação contra candidatos, entre outros usos malignos da tecnologia. Há também o lado benéfico dos robôs que podem ser usados para esclarecer dúvidas do eleitor ou caçar outros bots malignos nas redes. 

Saiba mais:

Um 'bot' -- a abreviatura de "robot", que, em inglês, significa "robô" -- é um programa que executa tarefas automatizadas. Os bots são desenhados para imitar ou substituir o comportamento do usuário humano.

Então, usar essa ferramenta é útil porque os robôs operam muito mais rápido do que os humanos, podendo executar uma tarefa repetitiva em muito menos tempo.

Você já deve ter falado com um bot quando acessou algum serviço ao cliente pelo celular e apareceram aquelas opções como "Digite 1 se você quer?". 

O relatório Imperva Bad Bot de 2022 mostra que os bots corresponderam a mais de 42% do tráfego total da Internet em 2021. E aponta ainda que 27,7% dessa circulação vinha de "bots ruins" ou seja que executavam tarefas automatizadas com intenção maliciosa. 

A Coordenadora de Mídias e Democracia no Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), Karina Santos, conta que "nas redes sociais, eles são muitas vezes utilizados com fins de manipulação: para inflar um discurso específico, dar uma sensação de importância a determinado tema e disseminar desinformação". 

Para ela, esses bots buscam emular o "comportamento humano, sem revelar uso de automação e com objetivo de fazer a manipulação da opinião pública". Karina acredita que conforme aumenta o número de pessoas que se informam sobre candidatos pelas mídias sociais, aumenta a importância da qualidade das informações que circulam. 

Um levantamento de 23 de agosto feito pela equipe do ITS Rio mostrou que tanto os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) como os do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizaram bots para alavancar as discussões nas redes sobre seus candidatos.

Os bots podem ser configurados para ajudar o eleitor na consulta de informações | Freepik

No caso do petistas, foram coletados tweets que mencionaram a hashtag #LulaPresidente13 durante 48 horas e a conclusão é de que 24.7% dos autores apresentaram probabilidade de comportamento automatizado.

Quando analisados os posts no twitter com a hashtag #Vote22Bolsonaro por um período de 21 horas, chegou-se ao dado de que 49.8% apresentaram usuário com comportamento condizente com robôs.

Karina explica ainda que há inúmeros bots que assumem que são automatizados e tem função de avisar ou espalhar mensagens nas redes são os "robôs do bem", tipo de iniciativa permitida pelas plataformas e que não infringe as regras.

Abaixo você confere alguns "robôs do bem" que podem te ajudar nestas eleições:

Pegabot

Nasceu de um projeto do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio) e do Instituto Tecnologia & Equidade desenvolvido em 2018 e que segue dedurando atividades de bots por aqui. Com a ferramenta, qualquer pessoa pode verificar qualquer conta do Twitter e identificar a probabilidade do perfil ser um robô.

"Detectar um perfil automatizado sem transparência ainda não é uma tarefa simples, quanto mais nos aperfeiçoamos as técnicas para detecção, mais a indústria aperfeiçoa as suas técnicas para confundir esse processo e fazer com que os bots se pareçam ainda mais com comportamento humano. O Pegabot tem o objetivo principal de dar transparência ao uso de automação para propagação da desinformação e fornecer informações de como funciona a automação nas redes sociais", conclui Karina.

+ Conheça o serviço Pegabot, do ITS Rio 

Tira-dúvidas do TSE
O tribunal responsável pela organização das eleições no Brasil está usando a inteligência artificial para tirar dúvidas de eleitores e combater a desinformação. Uma tecnologia de bot já foi usada em 2018, em uma parceria com a Meta, dona do serviço de mensagens WhatsApp, que foi atualizado neste ano e volta a ser utilizado no apoio do processo eleitoral.

"Uma das novidades é que o chatbot deverá enviar mensagens proativas aos eleitores para que aprendam a lidar com as notícias falsas disseminadas durante o processo eleitoral", explicou o ministro Edson Fachin, então presidente do TSE quando a novidade foi lançada.

Para usar o assistente virtual, basta adicionar o  número (61) 9637-1078 à sua lista de contatos e enviar uma mensagem inicial. O eleitor poderá, por exemplo, verificar seu local de votação. 

+ Acesse aqui o serviço de assistente virtual do TSE (WhatsApp)

Dandara
A Agência Tatu de Jornalismo de Dados lançou no final de agosto um bot para ajudar a monitorar as notícias falsas sobre as eleições nos estados do Nordeste brasileiro. Dandara é o nome da iniciativa e foi descrita como uma robô caçadora de desinformação.

"Achamos que já tem muita gente focada nas eleições presidenciais e tem pouca gente fazendo esse trabalho nos estados e principalmente do nordeste. Ela vai rastrear assuntos que dizem respeito a nossa região. A transposição do São Francisco é um exemplo", informa Lucas Maia, diretor de tecnologia da Tatu.

Ele ainda explica os dados que Dandara irá gerar serão analisados, depois, por um jornalista. Esse material  pode ou não virar uma checagem que será publicada dependendo de alguns critérios. 

+ Conheça aqui o serviço Dandara - Nordeste Sem Fake

BotPonto

Outro serviço que ajuda a verificar e apontar conteúdo que pode ser desinformativo é o BotPonto, criado pelo Núcleo Jornalismo. O bot é integrado a uma conta de Twitter que fica detectando palavras-chave em mais de 100 canais do YouTube que possam indicar conteúdo suspeito.

Ao detectar o conteúdo, o BotPonto dispara um tweet com um link que mostra o exato ponto no vídeo em que os termos foram ditos. Assim, facilitando o processo de checagem para economizar tempo dos jornalistas e pesquisadores.

O projeto foi desenvolvido em parceria com a Novelo Data, em programa administrado pelo International Center For Journalists (ICFJ), financiado pelo YouTube Brasil. 

O serviço ficará disponível durante todo o processo das eleições deste ano.

+ Conheça o serviço BotPonto

E a lei, o que diz?
O SBT News De Fato conversou com o professor Alexandre Basílio, analista judiciário e membro da Comissão de Enfrentamento à Desinformação do TRE-RS, sobre o uso de bots nas eleições. Confira abaixo os principais pontos sobre a legislação:

  • Ao contrário do novo Código Eleitoral (PLP 112/2021), já aprovado na Câmara dos Deputados, em que o legislador vedou expressamente o uso de automatização de contas em mídias sociais e de robôs, assistidos por humanos ou não (art. 509), a legislação atual não trata diretamente do assunto.
  • A legislação traz previsões que, se interpretadas, levam-nos à mesma proibição, a exemplo dos dispositivos que preveem a proibição do falseamento de identidade para veiculação de propagandas eleitorais e a vedação de quaisquer mecanismos que tenham potencial de aumentar o teor ou a repercussão da propaganda eleitoral de formas não permitidas pela lei, conforme artigos 57-B, parágrafos 2º e 3º da Lei das Eleições. 
  • Além de tais vedações, se confirmado o uso, pelos candidatos ou por sua equipe, de contas de comportamento inautêntico nas mídias sociais, assistidas por humanos ou não, que façam uso de artifícios tecnológicos para beneficiar ou prejudicar candidaturas durante o pleito, seja por meio de repetição de mensagens em disparos em massa, por compra de seguidores em benefício dos adversários, - prática utilizada ilicitamente para reduzir o alcance das mídias sociais dos adversários e que vem se tornando comum na campanha de 2022 -  ou a automatização de comportamentos visando criar capital político digital artificial, cabem, se provada a gravidade do ato, ações judiciais por abuso de poder econômico, ou do uso indevido dos meios de comunicação, cassando o registro ou o diploma dos envolvidos, na forma do art. 22 da Lei 64/90. 

SBT News De Fato

SBT News De Fato o serviço de checagens, verificação de fatos e educação mídiática do SBT. O objetivo é ser um núcleo de orientação e de informações ao público em relação ao conteúdo espalhado e distribuído na internet e pelas redes sociais. Nesta primeira fase, o grupo vai atuar no combate a desinformação durante o período das eleições gerais deste ano.  A escolha sobre o candidato deve ser tomada com base em informações verdadeiras e confiáveis. Por isso, o SBT News De Fato conta com uma equipe de jornalistas profissionais do SBT, regionais e afiliadas. São eles: SBT SP, SBT RioSBT ParáSBT RSSBT DF, TV Aratu (BA), SBT MT (MT), TV Tambaú (PB), TV Jornal (PE), Jornal do Commercio (PE), TV Allamanda (RO), TV Norte (AM, AC e RR), TV Cidade Verde (PI) e TV Ponta Verde (AL). Clique aqui e saiba mais.


>> Mônica Rossi é jornalista do SBT RS e SBT News
>> Imagens são reproduções de redes sociais


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