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Violência sexual é a violação que mais afeta meninas no Brasil, diz pesquisa

Dados mostram que 9 em cada 10 brasileiros apontam a violência sexual como a principal violação sofrida por meninas

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com informações da Agência Brasil, Pedro Canguçu
11/10/2025, 19:22 • Atualizado em 11/10/2025, 19:22
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Violência Sexual | Divulgação/Agência Brasil.

Violência Sexual | Divulgação/Agência Brasil.

A violência sexual ainda é vista como a maior ameaça às meninas no país. Segundo levantamento do Instituto QualiBest, a pedido da Plan Brasil, 87% dos brasileiros afirmam que esse é o tipo de violação que mais vitima meninas, e 43% acreditam que é também o mais comum.

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Os dados fazem parte da pesquisa Percepções sobre violência e vulnerabilidade de meninas no Brasil, divulgada neste sábado (11), no Dia Internacional da Menina.

Além da violência sexual, aparecem entre as mais citadas a física, a psicológica e a online, relacionada a casos de cyberbullying, assédio e exposição de imagens. A gravidez na adolescência, muitas vezes consequência de abuso, também chama atenção: 56% dos entrevistados apontaram o tema como uma das principais formas de violação.

O levantamento ouviu 824 pessoas de todas as regiões do país, entre homens e mulheres, e revelou outro dado preocupante: 90% reconhecem a “adultização” precoce de meninas, quando são tratadas como mulheres, como uma forma de violência.

"Quando se fala em violência de gênero, o que vem à mente é a agressão física. Mas há uma série de outras violências que também matam, inclusive levando ao feminicídio", explica Ana Nery Lima, especialista em gênero e inclusão da Plan Brasil.

Ela lembra que reconhecer o tipo de violência sofrida é essencial para que a vítima possa denunciar e romper o ciclo abusivo, que costuma envolver tensão, agressão, arrependimento e recomeço.

Mais vulneráveis que há dez anos

Para 60% dos entrevistados, as meninas estão hoje “muito mais vulneráveis” do que há uma década. A percepção é ainda maior entre pais e mães: 69% compartilham dessa visão.

A especialista alerta para as poucas menções de violências que costumam passar despercebidas, como falta de acesso à educação (36%), trabalho infantil (46%) e casamento precoce (43%). "Elas também são formas de violação, mas não são vistas como tal", reforça.

Ambiente digital: um terreno perigoso

O mundo online é apontado como o maior fator de risco: 92% dos participantes acreditam que a internet e as redes sociais aumentam a vulnerabilidade das meninas.

Mais da metade dos pais e responsáveis (51%) afirma que filhos menores de 18 anos têm perfis nas redes. As plataformas mais usadas são Instagram (80%), WhatsApp (75%), TikTok (57%) e YouTube (49%).

Entre os 359 entrevistados que são pais, 74% publicam fotos dos filhos. Desses, um terço faz isso "raramente e de forma controlada", mas 8% admitem não adotar nenhuma restrição. A maioria (92%) defende a responsabilização de adultos que explorem meninas ou tirem proveito financeiro da exposição infantil online.

Ameaças dentro de casa

Apesar de 83% apontarem a internet como o espaço mais perigoso para meninas, os dados contrastam com a realidade: as maiores violências de gênero ainda acontecem dentro de casa e têm como agressores pessoas conhecidas, como parentes, companheiros e até colegas.

"Ainda há a ideia de que o risco está nas ruas ou no transporte público. Mas, na maioria dos casos, os abusos vêm de dentro, de pessoas próximas, com laços de confiança", explica Juliana Cunha, diretora da SaferNet Brasil.

Ana Nery reforça o alerta: "Os pais acham que proteger é limitar o acesso dos filhos a estranhos, mas esquecem que os agressores muitas vezes estão dentro do próprio círculo familiar. É um professor, um parente, alguém admirado."

Deepfake e novos desafios

A tecnologia também abriu espaço para novas formas de violência. Uma delas é o deepfake sexual, montagem feita com inteligência artificial que insere o rosto de meninas em corpos ou cenas de teor sexual sem consentimento.

Um estudo da SaferNet Brasil, financiado pelo Unicef, identificou 16 casos em escolas de 10 estados brasileiros, envolvendo 72 vítimas e 57 agressores, todos adolescentes.

Os crimes ocorreram, em sua maioria, em instituições particulares, e os números podem ser ainda maiores, já que o país não tem monitoramento oficial sobre esse tipo de ocorrência.

"A mudança só virá quando reconhecermos que a violência não é algo distante, ela está entre nós", conclui Ana Nery Lima.

"É nas pequenas atitudes, nas instituições e nas relações do dia a dia que o machismo e a desigualdade continuam sendo reproduzidos", acrescenta.

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