Tarcísio: greve na CPTM é 'instrumentalização política'
Governador de SP afirma que paralisação nas linhas 11, 12 e 13 prejudica passageiros; sindicato busca garantir empregos dos ferroviários

Tarcísio de Freitas (Republicanos) | Reprodução/YouTube/Governo do Estado
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (4), nas redes sociais, que a greve dos ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) é resultado de uma "instrumentalização política" e disse que a paralisação prejudica os passageiros que dependem do transporte público.
O movimento foi iniciado pelos ferroviários em meio ao processo de concessão das linhas e tem como principal reivindicação a garantia formal da manutenção dos empregos dos trabalhadores da CPTM.
Na publicação, Tarcísio afirmou que o governo estadual mantém o compromisso de oferecer um transporte público confiável e atribuiu a paralisação a motivações políticas.
"Nosso compromisso é com quem acorda cedo todos os dias e precisa de um transporte público confiável para chegar ao trabalho, estudar, ir a uma consulta ou realizar um exame. A greve de hoje é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro", escreveu.
O governador também declarou que o governo continuará aberto ao diálogo com a categoria e defendeu o processo de concessão das linhas à iniciativa privada, apesar das recorrentes falhas. Segundo ele, a medida tem como objetivo ampliar investimentos, modernizar a infraestrutura ferroviária, incorporar novos trens, tornar as estações mais acessíveis e aumentar a confiabilidade do sistema.
Tarcísio afirmou ainda que tentou negociar com os representantes dos trabalhadores e que o governo ofereceu garantias relacionadas à manutenção dos empregos, mas disse que as propostas foram rejeitadas pelo sindicato. O governador aproveitou para associar a realização da greve ao período eleitoral.
"Não vamos permitir que o cidadão seja refém, que seja usado mais uma vez como instrumento de pressão. Não é por acaso que determinados eventos ocorram em ano de eleição. Seguiremos em frente e, não custa lembrar, as linhas concedidas estão operando normalmente", declarou.
O que pedem os ferroviários
Os ferroviários afirmam que a greve foi mantida porque o governo não apresentou uma garantia formal de preservação dos postos de trabalho dos empregados da CPTM após a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Entre as principais reivindicações da categoria estão a manutenção dos empregos, o cancelamento da concessão das três linhas à concessionária Trivia Trens, o retorno definitivo da operação à CPTM e o apoio ao Projeto de Lei 730/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
"Sem esse compromisso formal, a categoria decidiu manter a greve como forma de defender os postos de trabalho e o futuro de milhares de famílias. Desde o início das discussões, o Sindicato buscou todas as alternativas de negociação, apresentando propostas e demonstrando disposição para o diálogo. No entanto, até o momento, não houve compromisso formal que assegure o futuro dos milhares de ferroviários e de suas famílias", disse em nota o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil.

Entenda a privatização das linhas
As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram concedidas pelo Governo de São Paulo à iniciativa privada após leilão realizado em março de 2025. O grupo Comporte Participações, controlador da Trivia Trens e da TIC Trens, venceu a disputa e a operação assistida começou em maio.
Nesse período, a transferência da operação ocorreu de forma gradual: inicialmente, funcionários da CPTM conduziam os trens enquanto equipes da concessionária acompanhavam os procedimentos; posteriormente, a Trivia Trens passou a operar as linhas sob supervisão da estatal.
A concessionária assumiu integralmente a operação em 21 de julho. No entanto, nos dias seguintes, a Trivia Trens enfrentou uma sequência de falhas operacionais. Em 23 de julho, um curto-circuito provocou um incêndio em um trem da Linha 12-Safira, interrompendo a circulação das três linhas.
Após os problemas, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a CPTM reassumisse temporariamente a operação das três linhas e do Serviço Expresso Aeroporto por até 90 dias. Na época, Tarcísio afirmou que a Trivia Trens poderia perder a concessão e que o Estado poderia aplicar a caducidade se as falhas persistirem.
A crise também passou a ser analisada por órgãos de controle. O Ministério Público de São Paulo recebeu representações pedindo investigação sobre a concessão, enquanto o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) determinou que o governo estadual e a concessionária apresentem esclarecimentos sobre as falhas registradas desde o início da operação exclusiva das linhas.















