Brasil

Reciclagem de garrafas de vidro ajuda a combater falsificação de bebidas em São Paulo

Descartar garrafas corretamente evita adulteração de bebidas e fortalece a reciclagem de vidro no Brasil

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As garrafas quebradas que já estiveram na vitrine de um restaurante na região da Avenida Paulista, em São Paulo, são recolhidas por uma empresa e encaminhadas a cooperativas de reciclagem. Segundo a proprietária do estabelecimento, Iva Tesser, a medida é necessária para evitar riscos.

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"A partir do momento que a gente deixa uma garrafa vulnerável, a gente também pode ser acusado dessa mesma garrafa ter vindo daqui e ter um produto adulterado", afirma.

Ela tem razão. As garrafas de destilados não são retornáveis, como ocorre com a cerveja. Por isso, a Associação Brasileira da Indústria de Vidro considera a quebra essencial para impedir adulterações.

"Por que existe um uísque falsificado? Porque alguém recuperou essa garrafa na cadeia de descarte, falta determinar em que momento isso aconteceu", explica o consultor da entidade, Stefan David.

A preocupação cresceu após casos de intoxicação por metanol.

Em Salto, no interior paulista, a polícia apreendeu galões de bebida sem procedência em um bar. Havia garrafas supostamente de cachaça em recipientes sem lacre ou rótulo. O material foi enviado para a perícia, e o dono não conseguiu explicar a origem.

Somente em São Paulo, o mercado ilícito de alimentos e bebidas movimentou R$ 662 milhões no ano passado. De acordo com a Fiesp, a perda em impostos foi de R$ 147,47 milhões.

Descarte correto

Uma das estratégias para reduzir a falsificação é o descarte correto do vidro. A maior recicladora da América Latina, localizada na Grande São Paulo, processa 100 mil toneladas de embalagens por ano. O material, recolhido em cinco estados, chega misturado com plástico e papel, e passa por etapas de separação até se transformar em pequenos pedaços que abastecem indústrias fabricantes de vidro.

O vidro reciclado dá origem novamente a garrafas, potes, frascos de perfume e esmalte. Cada tonelada descartada que chega aqui, a empresa paga em média R$ 250. Apesar de não ser tão lucrativo quanto o papelão ou o alumínio, o impacto ambiental é significativo.

"Você começa a poupar a natureza, diminuindo a extração de matéria-prima do meio ambiente e não poluindo a atmosfera", afirma o diretor comercial da recicladora, Rildo Ferreira.

A orientação é não misturar vidro com outros materiais recicláveis, separando-o já em casa ou no comércio. O destino deve ser cooperativas, ecopontos, pontos de entrega voluntária (PEVs) ou supermercados. "Quando você descarta esse vidro corretamente, você impede que ele chegue em mãos erradas", diz o funcionário Rildo Ferreira.

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