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Queda no consumo leva ONS a avaliar corte emergencial de energia na Semana Santa

Sobreoferta de carga pode comprometer equilíbrio do sistema e aumentar risco de instabilidade na rede elétrica

Imagem da noticia Queda no consumo leva ONS a avaliar corte emergencial de energia na Semana Santa
Pessoa aproxima mão de lâmpada para retirá-la de luminária (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que coordena toda a energia do Brasil, irá monitorar o comportamento de consumo ao longo da Semana Santa, em função do risco de sobreoferta de carga. Segundo o órgão, o cenário pode levar ao acionamento do Plano Emergencial de Gestão de Excedentes.

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A expectativa de queda no consumo de energia está associada à desaceleração das atividades industriais e comerciais no período. A preocupação vem em meio a eventos repetitivos em que a carga líquida caiu a níveis críticos, como no Dia dos Pais do ano passado, quando o sistema operou próximo ao limite devido ao excesso de geração em relação à demanda.

Embora pareça inofensivo, o excesso de energia pode representar risco ao sistema elétrico. Isso porque a operação exige equilíbrio constante entre geração e consumo. Quando há sobra de energia, a estabilidade da rede pode ser comprometida, elevando o risco de falhas e interrupções no fornecimento.

Esse cenário acende um alerta para a necessidade de eventual acionamento do Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia, instrumento desenvolvido para lidar com situações de sobra de geração no sistema. O plano prevê, entre outras ações, a possibilidade de limitação da produção de usinas classificadas como “Tipo III”, que não são despachadas centralizadamente pelo ONS, por estarem conectadas diretamente às redes de distribuição.

Para Moisés Cona, managing director do GRI Institute Infrastructure, o momento reforça a necessidade de atenção, por não ser apenas conjuntural. “O Brasil vem experimentando um crescimento recorde de geração renovável, mas a expansão da transmissão para escoar essa energia e o uso de baterias para armazenar o excedente ainda precisam acompanhar esse mesmo ritmo”, afirma.

Ele explica que o desafio de cortes não é apenas do Brasil, acontecendo, também, na Austrália e em partes dos Estados Unidos, por exemplo. A diferença é que esses países estão mais avançados em soluções, como a criação de tarifas flexíveis conforme o horário, de modo que a energia fique mais barata quando há alta incidência de sol e vento e mais cara nos horários em que a geração diminui.

“O crescimento acelerado das fontes renováveis [brasileiras], como solar e eólica, traz benefícios claros, mas também exige maior sofisticação na gestão do sistema. Eventos como esse reforçam a importância de planejamento e integração entre os agentes”, diz o especialista.

Apesar do plano emergencial ainda não ter sido utilizado desde sua criação, o ONS destaca que a eventual adoção da medida seguirá critérios técnicos rigorosos, com o objetivo de preservar a segurança operativa do sistema elétrico nacional. De acordo com o órgão, o monitoramento seguirá intensificado ao longo de todo o feriado, com avaliações contínuas das condições de carga e geração.

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