Brasil

Pantanal sofre com estiagem severa e risco de desaparecimento de áreas alagadas

Levantamento mostra que áreas alagadas caíram para três milhões de hectares

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Matheus Mendes
Seca atinge o pantanal / Agência Brasil: Marcelo Camargo

Seca atinge o pantanal / Agência Brasil: Marcelo Camargo

O Pantanal enfrenta uma das piores secas já registradas, e os jacarés, que antes habitavam regiões alagadas, agora tentam se refrescar nos poucos espelhos d'água restantes. Com temperaturas próximas de 40 graus, o cenário evidencia a estiagem que atinge o bioma.

Segundo o biólogo Gustavo Figueiroa, a seca tem causado desequilíbrios significativos na fauna local. "Muitos desses lugares viviam alagados grande parte do ano, portanto seus ciclos naturais dependem da abundância de água. Então, os animais passam a ter dificuldade em encontrar recursos, eles começam a ter sede e se debandar para outros lugares em busca de água e eles vão para locais que já têm populações estabelecidas. Acaba acontecendo um desequilíbrio que não é natural no Pantanal", explica o especialista.

De acordo com o MapBiomas, que monitora os biomas desde 1985, o Pantanal foi o bioma brasileiro que mais secou. A última grande cheia ocorreu em 2018, mas ela foi 21% menor do que a registrada em 1988. Hoje, o solo que antes era coberto por água se tornou um grande combustível para os incêndios.

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Os números revelam que as áreas alagadas do Pantanal diminuíram drasticamente. Na década de 90, elas contabilizavam cerca de 7 milhões de hectares de áreas alagadas. Em 2023, esse número caiu para 3 milhões.

Ainda de acordo com Figueiroa, o Pantanal corre risco de desaparecer como conhecemos. "É um bioma que depende muito da água", alerta.

O impacto da seca também afetou o turismo local. Uma pousada às margens do rio Pixaim, por exemplo, precisou reduzir a duração dos passeios oferecidos aos visitantes. "A gente costuma fazer um passeio de uma hora, mas com essa seca severa que está, tem que reduzir em 40 minutos porque o tráfego no rio está bem difícil", comenta Elias Estevão, gerente da pousada.

Para minimizar os impactos, a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso perfurou cinco poços artesianos ao longo da rodovia Transpantaneira. A água desses poços tem sido usada tanto para os animais silvestres quanto para o gado da região. "A fauna acaba se beneficiando disso, desses reservatórios", afirma Paulo Abranches, gerente da Estrada Parque Transpantaneira.

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