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Ricardo Nunes critica pedido de multa do MP após enchente

Prefeito de São Paulo disse que Executivo apresentará relatório de medidas contra enchente e negou falha no fechamento do túnel do Anhangabaú durante temporal

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Larissa Alves
Carros em inundação no Vale do Anhangabaú | Reprodução

Carros em inundação no Vale do Anhangabaú | Reprodução

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), criticou nesta sexta-feira (16) o pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para que a Justiça aplique multa de até R$ 1,8 milhão à Prefeitura por questões relacionadas à prevenção de enchentes. A manifestação ocorre após o temporal de quarta-feira (14), que provocou alagamentos na capital. O órgão também pediu a intimação pessoal do prefeito e cobrou informações sobre as providências adotadas pelo município.

“O MP está lá para ficar mandando ofício para a gente. Eu estou lá para trabalhar”, afirmou Nunes ao ser questionado sobre o pedido. O prefeito disse que a administração municipal vai preparar os relatórios solicitados, mas criticou a atuação do promotor responsável pelo procedimento.

Nunes citou o volume de trabalho da Prefeitura e afirmou que a equipe terá de reunir informações sobre as ações já realizadas. “Vou parar a minha equipe para pegar esse relatório todo de tudo que a gente já está fazendo, coisas concretas e vou mandar para ele lá [promotor] se divertir com os relatórios”, disse.

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O pedido do MP-SP envolve questionamentos sobre as medidas adotadas durante o temporal, incluindo os horários de acionamento de alertas, a divulgação de orientações à população, o fechamento de áreas alagadas, o atendimento a pessoas ilhadas e o funcionamento dos sistemas de bombeamento.

Túnel do Anhangabaú

O prefeito também negou que tenha havido falha da administração municipal no alagamento do túnel do Anhangabaú, na região central, na última quarta-feira. Segundo ele, o volume de água subiu de forma muito rápida durante a chuva, o que dificultou a retirada dos veículos que já estavam no local.

“Em 3 minutos chegou em mais de 1 metro de água”, afirmou Nunes. Ele disse que, às 16h05, ainda não havia alagamento significativo, mas que a situação mudou rapidamente nos minutos seguintes.

O prefeito argumentou que não seria possível fechar preventivamente o túnel sempre que houvesse um alerta de chuva, porque isso poderia interromper o trânsito em uma ligação importante entre as zonas norte e sul da cidade.

Segundo Nunes, o protocolo prevê o fechamento quando a água começa a avançar na região da Praça da Bandeira, que fica na região central de São Paulo, em uma área de conexão entre o Centro e a Bela Vista. O entorno concentra o Terminal Bandeira, viadutos e acessos às avenidas 23 de Maio e 9 de Julho, que recebem um fluxo intenso de veículos.

"Tentar melhorar"

Ele reconheceu que os procedimentos podem ser aperfeiçoados, mas negou que tenha havido erro na atuação da Prefeitura. “O protocolo tem. A gente pode sempre tentar melhorar.”

Sobre a possibilidade de ressarcir os proprietários de veículos danificados, disse que não há respaldo legal para o pagamento.

Sobre investimentos para impedir enchentes, Nunes afirmou que a Prefeitura destinou R$ 11,3 bilhões entre 2021 e 2026 para obras de drenagem, microdrenagem, canalização de córregos e construção de piscinões. Segundo ele, nove piscinões já foram entregues e outros dez estão em obras.

O prefeito atribuiu às intervenções uma redução de 70% nos alagamentos da cidade. Como exemplo, citou o escoamento da água no Vale do Anhangabaú, que, segundo ele, ocorreu em menos de uma hora. De acordo com Nunes, em episódios anteriores, a água chegou a permanecer no local por até 16 horas.

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