"Minha vida social está parada para ajudar" diz voluntário das vítimas na Zona da Mata mineira
Empresário relata mobilização de moradores, dificuldades na distribuição de doações e esperança em meio à destruição

Naiara Ribeiro
As enchentes que atingem a Zona da Mata mineira neste mês de fevereiro já deixaram centenas de relatos de alagamentos e deslizamentos, além de dezenas de mortes confirmadas. As prefeituras de Juiz de Fora e Ubá decretaram situação de calamidade pública.
Em meio ao cenário de destruição e vulnerabilidade, voluntários têm se mobilizado para ajudar os moradores atingidos. É o caso do empresário Fábio Costa, de Juiz de Fora, que desde as primeiras horas da tragédia atua nos resgates e na distribuição de doações. Em entrevista ao News Manhã, ele contou como a rotina mudou completamente.
“Minha vida no momento está totalmente paralisada em função de ajudar. Paralisada entre aspas, porque eu acho que fazer o bem não tem preço. Desde as primeiras horas da tragédia eu estou na rua, resgatando pessoas. Já resgatei usando lixeira, caixa d’água, canoa. Agora montei um centro de distribuição na minha residência para poder ajudar as equipes”, relatou.
Fábio também foi atingido pelas chuvas. A casa dele sofreu com deslizamento de barranco, e a empresa, uma quadra esportiva, também foi afetada. Mesmo assim, ele decidiu priorizar o auxílio às vítimas. “Minha vida está parada socialmente para atender essas pessoas. Tem muita gente precisando de tudo no momento.”
Ele conta que o trabalho voluntário tem sido essencial diante da dimensão da tragédia. “Se não fossem os voluntários, não conseguiria fazer, porque a demanda para as autoridades públicas é muito grande. Tem pessoas entrando na lama literalmente, ajudando a limpar casas, ajudando nos resgates.”
A mobilização de Fábio começou na madrugada de terça-feira, por volta de 1h, quando um barranco desmoronou atrás da casa dele. “Eu saí para ver e os vizinhos não tinham ouvido. Foram os primeiros que eu tirei. Dali em diante eu não parei mais.”
Resgate em caixa d’água marcou voluntário
Entre os diversos atendimentos, um resgate no bairro Santa Terezinha foi o que mais o marcou. Uma senhora cardíaca pediu ajuda por mensagem enquanto estava ilhada com o marido, o filho e o cachorro.
“Quando cheguei, a água estava na altura do peito. Eles estavam no segundo andar. Perguntei o que tinham lá em cima e falaram que tinha uma caixa d’água. Na hora eu falei: ‘vai ser a caixa d’água’. Consegui uma escada, e ela, mesmo sendo uma senhora de idade, desceu e entrou na caixa para a gente conseguir tirar. Eu andei cerca de 200 a 300 metros empurrando a caixa d’água até um lugar seguro. Nem nadar eu sei. Esse foi o resgate mais emocionante e mais difícil”, contou.
Apesar da dor e das perdas, Fábio afirma que também tem presenciado gestos de solidariedade e resistência. “As pessoas estão mostrando força de vontade de viver, de se erguer e recuperar o que foi perdido.”
Preocupação com saques
Além dos desafios da reconstrução, moradores enfrentam outro problema: relatos de saques em casas evacuadas por orientação da Defesa Civil.
Segundo Fábio, a situação também tem afetado a distribuição de doações. “Equipes minhas que estão indo entregar doações nos bairros estão tendo dificuldade porque pessoas cercam a equipe querendo pegar tudo e não deixam chegar onde realmente precisa.









